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O assassinato a tiros, em 17/03/07, dos irmãos Leonardo Moreno
Teixeira e Marcelo Moreno Teixeira, pré-concludentes de medicina,
filhos do também médico Nelson Benevides e Celinha Moreno, tem dominado
os corações e mentes do povo do Ceará. A indignação da sociedade,
especialmente dos municípios de Iguatu e Mombaça, está visivelmente
estampada em cada esquina.
Pago para defender a população, um agente público que com certeza um
dia, diante do pavilhão nacional, autoridades e familiares, jurou,
solenemente, defender a sociedade com o risco da própria vida,
desviando-se dos seus compromissos, agiu, agora, como seu algoz, e ao
mesmo tempo em que se fez criminoso, temos certeza, cavou também
profunda ferida na instituição que lhe acolheu como irmão de ideais e
de lutas.
As expectativas da população cearense em relação ao fato são de que
ocorra uma exemplar punição para o culpado desse bárbaro crime e que os
poderes competentes de forma articulada cumpram seu importante papel na
repressão e prevenção da violência. Tornou-se inaceitável a onda de
crimes praticados e noticiados todos os dias em todas as partes do
País, em especial, quando promovidos e patrocinados por autoridades
policiais.
A situação da segurança pública no Brasil é insustentável. A falta de
instrumentos por parte dos governos que resulte em políticas públicas
eficazes tem colocado os cidadãos submetidos ao domínio de organizações
criminosas. Esse quadro de violência que vem se instalando em todo o
país, infelizmente, teve agora como palco o nosso município.
Embora reconhecendo o que tem sido feito nos últimos anos,
lamentavelmente os graves problemas que assolam o país continuam
bastante acentuados. A realidade é inquestionável, aí estão tão
presentes, como antes, em maior ou menor grau: o desemprego, a
desigualdade social e econômica, o caos na segurança pública, os
conflitos rurais, conjuntura econômica complexa que continuam fazendo
parte dos desafios a serem superados por parte dos nossos governantes
das três esferas de poder.
É Necessário se redesenhar o modelo de Segurança Pública, restaurar e
promover a educação para a vida e para o trabalho, a saúde e todos os
direitos do cidadão, fomentar a ajuda aos mais necessitados, assegurar
o cumprimento da lei, salvaguardar a propriedade, preservar os bons
costumes, dignificar a família e, em resumo, inibir os fatores que
geram o descontentamento e as divergências de classe, para que tenhamos
uma sociedade mais justa e fraterna.
Foi amplamente noticiado que nos últimos dias, os governadores de Minas
Gerais, Aécio Neves (PSDB); do Estado do Rio, Sérgio Cabral Filho
(PMDB); e do Distrito Federal, José Roberto Arruda (PFL) foram a
Colômbia conhecer experiência exitosas de ressocialização e buscar
inspiração para implantação de políticas públicas de segurança em seus
estados. Lá na Colômbia os ressocializados estudam e freqüentam
oficinas profissionalizantes de qualidade, em projeto de uma
organização não-governamental (ONG), com apoio da prefeitura e
financiamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Na
visita, os governadores brasileiros tiveram como acompanhante o
colombiano Luis Alberto Moreno, presidente do BID que afirmou está
disposto a financiar projetos de erradicação da miséria que propiciem
oportunidades aos jovens e a redução da violência também aqui no
Brasil.
O jovem e já testado competente governador Cid Gomes deve também
buscar conhecer esses e outros exemplos de sucesso e, sem gerar falsas
esperanças na população, eleger a segurança como um dos temas
prioritários do seu mandato. Não podemos aceitar que crimes praticados
por motivos banais possa continuar fazendo parte da agenda delituosa do
nosso Estado. A caminhada é longa até que o cidadão recupere o direito
de transitar livremente pelas ruas de sua cidade, passear com sua
família ou até mesmo ter tranqüilidade no seu próprio lar. A gestão
errada ou negligente nesse terreno poderá produzir muitas vítimas de
tragédias por assalto, roubo, seqüestro e assassinatos que podem estar
prestes a se repetirem, tendo como alvo qualquer um de nós ou dos nos
filhos, em qualquer cidade do estado e do país.
A globalização do crime é ameaçadora. Uma profunda reforma da Segurança
Pública se faz necessária, com efetiva contribuição das mais diversas
entidades estatais, da imprensa e da sociedade em geral. O anúncio
recente do governador Cid Gomes de medidas para a segurança com a
contratação imediata de mil novos policiais militares, autorização para
a realização de concurso para a seleção de outros mil PMs e abertura de
concurso para delegados da Polícia Civil, com a finalidade de ampliar
para 90 o número de delegacias no Interior do Ceará e o início efetivo
da Ronda de Quarteirão na capital cearense, se forem associadas a uma
política de valorização do organismo policial com a melhoria salarial,
qualificação profissional através da realização de cursos diversos de
aperfeiçoamento, adestramento, psicologia do trabalho e das relações
humanas e capacitação em investigação será sem dúvida um bom começo.
A quase universalização do crime e a banalização da vida sugerem o
aumento da pressão social em favor de um no modelo de segurança e da
criação de novas leis. Por isso, a Loja Maçônica Dr. Manoel Carlos de
Gouvêa no 95 estará unida e vigilante ao fiel cumprimento das leis e da
ordem e das medidas de justiça a serem adotadas no caso particular de
Iguatu, assim como à definição e execução das políticas públicas em
geral, e para isto se somará ao movimento social que unirá todas as
entidades civis de Iguatu, em um só grupo, com reuniões sistemáticas e
permanentes, na luta em favor políticas públicas que resultem na
melhoria da qualidade de vida das pessoas com maior justiça e paz.
A nossa luta é em favor da vida e da busca de caminhos mais humanos e
fraternos, para tornar feliz a humanidade. A ordem maçônica é
severamente disciplinada e exigente no cumprimento dos princípios que
professa e muito embora defenda a crença nas leis e autoridades do país
por considerá-las detentoras do melhor juízo e envergadura moral, com a
legitimidade, retidão e isenção necessária para julgar qualquer
questão, clama neste momento por Justiça, Justiça, Justiça!
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