Comentários
- Calazar: Cães infectados, sacr...
Às vezes, me pergunto se a faculdade de medicina v...
Por Priscila Lima Cabral - Ceará lança projeto Primeiro ...
Olá Sou uma aluna da E.E.M Dona marieta carl e eu ...
Por LRS - [Entrevista] - Cid Gomes, Gove...
:lol:quero daber o q vc vai fazer sobre a seguranç...
Por elidasara - Iguatu vive clima de festa
:lol: festa agora... quinta- feira.. forro do muid...
Por samires - [Entrevista] - José Alves de O...
Boa tarde! Gostaria de obter o endereço de uma loj...
Por Vanessa
| [Crônica] - Passagem do ano |
|
| Escrito por Antônio Pereira de Oliveira | |||
| Sex, 12 de Janeiro de 2007 15:00 | |||
|
Faltava pouco para a meia-noite. Muito cansado, entreabri a porteira do tempo e, voltado para o caminho até então percorrido, recostei-me em um dos mourões para recuperar o fôlego e avaliar o mérito de tão longa e penosa jornada, antes de transpor a marca da sucessão dos anos. Jamais tentaria repassar uma existência inteira, em minutos, se não contasse em meu favor, com a magia e os segredos da mente que desafiam o entendimento humano. Assim, adentrei as brumas do passado, detive-me em desfazer as dobras do tempo e demorei um bocado em consultar o imenso caudal das recordações, procurando localizar lugares, pessoas e fatos que, infelizmente, muitas vezes, não se acham com a clareza de detalhes no escrínio da memória. O que em primeiro lugar acudiu-me ao pensamento foi o fato de ainda criança, ter que deixar o lugar no qual nasci, no município de São Mateus. Fui levado para o Juazeiro do Padre Cícero, onde por dez anos convivi com um aglomerado heterogêneo de nordestinos que, graças ao espírito de religiosidade e à força de um trabalho persistente, operaram o milagre em que se transformou a Meca do Cariri. Não parei por aí. Em seguida arrumei os trens e fui ter à Fortaleza, ofuscado pelo brilho da capital cearense, mas tangido pelos efeitos da guerra retomei os caminhos do sertão indo parar em Iguatu. Ali já contava ter sossegado o facho. Por um período de vinte e seis anos vi a região elevar-se na crista da onda do ouro branco, experimentando momentos de alto estágio econômico. De novo fui obrigado a juntar os cacaréus, transpor a Serra do Apodi e alojar-me em Assu, no Rio Grande do Norte, onde a economia da região ressentia-se da desvalorização da Cera de Carnaúba. Atraído de novo pela pancada do mar, retornei à Fortaleza. A cidade já assumira ares de metrópole. Não me custou concluir ser fruto das beiras de estrada. Nunca me fixei nas cidades que me deram pousada. Apesar de considerar-me caminheiro da vida, um mero itinerante, não posso negar que recebi de cada localidade onde permaneci, incentivos que influenciaram decisivamente na minha formação e na minha individualidade. Ao soar os sinais da passagem do ano, despertei de minhas reflexões, fechei a porteira atrás de mim, reiniciei a caminhada, atento ao que alguém ao lado me segredava: “Não acrescente dias a sua vida, mas vida aos seus dias”.
|
Parceiros






