80 anos do assassinato de Leon Trotski

22/08/2020

Há exatos 80 anos, era assassinado, no México, Lev Davidovitch Bronstein, ou simplesmente Leon Trotski, um dos nomes de maior destaque da Revolução Russa. Líder e teórico político de reconhecida competência, Trotski é autor de importantes textos, que vão do memorialismo, a exemplo de sua excelente autobiografia, Minha Vida (1930), à História da Revolução Russa, produzida entre 1930 e 1932.

Natural da Ucrânia, mais precisamente da cidade de Yvanovka, Leon Trotski nasceu a 7 de novembro de 1879. Já muito jovem ingressa na atividade política, funda a União dos Operários do Sul da Rússia, organização de esquerda em que se notabiliza por seu discurso desconcertante e uma refinada compreensão das ações coletivas por que orientaria mais tarde a primeira tentativa de revolução socialista, em 1905, e, posteriormente, as revoluções de fevereiro e outubro de 1917, ladeado por Vladimir Ulianov, o Lênin (1870-1924), e J. Stálin (1878-1953).

Ideólogo e responsável pela elaboração da Teoria da Revolução Permanente, em que professa a necessidade de se transformar a revolução liberal-burguesa numa ação globalizante, embora nascida no contexto de uma sociedade agrária e atrasada como a Rússia de início do século 20, numa leitura teórica que se afasta sob alguns aspectos do pensamento de Marx e Engels, para quem a revolução só seria possível na perspectiva de uma sociedade industrial, como a da Alemanha, da Inglaterra e dos Estados Unidos, Trotski passa a ser considerado um traidor do marxismo, perseguido por Stalin e alvo de recorrentes atentados que culminariam com o seu assassinato em 21 de agosto de 1940.

É dessa fase pós-revolucionária, notadamente a partir de 1930, que Trotski escreve muitos dos seus textos definitivos. Em Minha vida, por exemplo, sua notável autobiografia, deparamos com um texto de qualidade literária que vai muito além do simples memorialismo, constituindo um documento profundo e extremamente bem escrito. Na mesma linha, preservados os critérios historiográficos, lega-nos uma das mais belas páginas acerca da Revolução Russa. Versátil na construção do pensamento crítico, escreveria, ainda, sobre cultura e arte, com destaque para o inigualável Literatura e Revolução, este no início dos anos 20.

Decorridos 80 anos de seu assassinato, revisitar a história de Leon Trotski, bem como dedicar-se a ler algumas de suas obras, com destaque para os livros aqui mencionados, é mais que oportuno, num mundo em que se fazem perceber, no Brasil e no mundo, como cancros de uma sociedade gravemente “adoecida”, as monstruosas contradições do modelo capitalista. Desses, são mais que recomendadas as edições da Editora Sundermann, de 2017, quando das comemorações do primeiro centenário da Revolução Russa.

Inês é morta

Sabe aquela delação do Palocci liberada para divulgação, por Sérgio Mouro, a seis dias da eleição, com a finalidade de ajudar Bolsonaro a ganhar a eleição, tornar-se ministro da Justiça e ser indicado para o STF… Que a Folha de S. Paulo estampou com destaque na primeira página do jornal… Que a revista Veja publicou como matéria de capa… Que a Globo explorou por um quarto de hora no JN… Que os grã-finos do Meireles foram à Praça Portugal festejar… Que centenas de milhares de babacas da classe média alardearam como a prova definitiva de que o ex-presidente Lula era ladrão? Pois é… Era tudo coisa retirada da internet, fake, agora desmentida pelas investigações e arquivada como acusações sem fundamento feitas ao sabor de conchavos inconfessáveis. Brasilllllllll!

Álder Teixeira é Mestre em literatura Brasileira e Doutor em Artes pela Universidade Federal de Minas Gerais

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