Shopping em Iguatu: realidade ou ficção?

21/10/2023

Iguatu sempre foi na Região Centro-Sul do Estado do Ceará a cidade de grande -destaque na produção do arroz, do algodão, da banana, e agora mais recentemente com a chegada de algumas faculdades e fortalecimento do Instituto Federal com seus cursos superiores, uma referência na educação superior, o que sem nenhuma dúvida alguma tem contribuído para o seu desenvolvimento e em especial no mercado imobiliário, com a demanda de aquisições de imóveis e aquecimento no mercado de locação.

Não é de hoje que se vislumbra um shopping center na cidade, onde já tivemos alguns ensaios como foi o caso de pequenos empreendimentos, mais parecido com galerias privadas como o Asa Branca, Premier e agora mais recentemente o Shekiná que será inaugurado em breve com 54 lojas que variam de 18m2 a 25m2.

A expectativa de poder contar com um empreendimento de maior porte como já temos nas cidades de Juazeiro e Sobral, infelizmente ainda é um sonho muito distante para a nossa cidade. Essa afirmação se faz necessária porque um empreendimento dessa envergadura, não pode ser consolidada apenas pela vontade de um investidor, sendo portanto um projeto de desenvolvimento comercial amplo, com a participação de entidades representativas do comércio, confiança e estado motivador  nos comerciantes da cidade, visão de prosperidade de comerciantes de outras regiões, estudos de viabilidade de empresas âncoras e sobretudo um plano de política econômica da gestão municipal, o que claramente não conseguimos enxergar nas últimas décadas, essenciais à preparação para uma instalação desse porte na nossa cidade.

O fato é que vontade já é um bom caminho percorrido, mas não pode ser apenas isso para a sua concretização. A cidade de Iguatu possui território escasso nas imediações do centro da cidade, sendo que os espaços ora disponíveis são afastados do centro comercial sem possuir infraestrutura adequada, essencial para este tipo de empreendimento uma vez que seria um espaço de grande movimento de pessoas, as quais precisariam utilizar banheiros entre outras instalações hidráulicas, demandando que o seu entorno possuísse o devido saneamento, além de estruturação da região com vias largas, suporte elétrico, entre outras que necessitariam de muitos investimentos, que em tese partiria inicialmente da gestão municipal com recursos próprios e convênios, o que nos parece nem haver dinheiro e nem entusiasmo para isso.

Enquanto isso vivemos nesse dilema de promessa de investidores externos e internos, que vislumbram na região a possibilidade de realização desse sonho, mas que esbarram nas dificuldades estruturais da cidade, instabilidade da economia da região que possa sustentar os encargos financeiros para lojistas, além do receio de empresas âncoras de investir em uma região escassa de emprego e renda, pois afinal shopping center existe para faturar dinheiro e não para realizar sonhos das pessoas.

Por fim, é necessário que se diga que no momento é desconhecido um projeto real, em estudo de mercado, um espaço pré-determinado para a instalação, uma sondagem atual de empresas âncoras para esse tipo de empreendimento na cidade, pois sem isso não passaremos do que já temos, ou seja, apenas meras galerias comerciais com lojas e clientes da nossa cidade.

Na próxima edição atenderemos aos pedidos de muitos leitores e falaremos do novo abrigo metálico, que retirou arborização do centro, dificultou o bem-estar dos que lá frequentavam, e que com arquitetura fraca e ultrapassada tem gerado descontentamento e desvalorização aos imóveis do seu entorno.

Bom fim de semana a todos!

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