Sesc inaugura Museu Orgânico Ana da Rabeca

27/04/2024

Acredita-se que a rabeca, um instrumento de corda e arco, precursor do violino, seja de origem árabe, e que chegou ao Brasil por meio dos portugueses e espanhóis. Menos refinado em comparação ao violino, a rabeca se popularizou no nordeste brasileiro e foi o primeiro instrumento melódico de cordas utilizado no forró. Na localidade de Sítio Baixio dos Gaviões, no município de Umari, a Mestra Ana da Rabeca domina o instrumento, o que lhe rendeu diversos títulos, e agora será o próximo Museu Orgânico a ser inaugurado pelo Sesc em parceria com a Fundação Casa Grande, no sábado, 27, a partir das 15h.

Museu Mestra Ana da Rabeca será o primeiro Museu Orgânico do Sesc-CE a homenagear o ciclo instrumental popular do nordeste brasileiro. De acordo Alemberg Quindins, gerente de cultura do Sesc Ceará, é um museu que traz a tradição, o ciclo de diálogo e intercâmbio instrumental da nossa Região. “Ela é a única mulher rabequeira cearense, reconhecida como Mestra Tesouro Vivo do Ceará. E como rabequeira, Ana traz essa profundidade da história desse instrumento na cultura do Nordeste e na cultura do Ceará”, avalia.

Alemberg explica que os museus orgânicos ressaltam os diversos ciclos culturais, sociais e econômicos do Estado, como o ciclo do couro, representado por Mestre Espedito de Seleiro; o ciclo do algodão, com Mestre Dinha; o ciclo de Reis, com Mestre Antônio Luiz; o ciclo do açúcar, com o Museu do Doce de Madeilton, e agora, o ciclo dos instrumentos musicais, com a Mestra Ana da Rabeca. “O Sesc vem reconhecendo os territórios culturais e os ciclos, e dentro desses ciclos, os mestres”, reforça.

Ana e a rabeca

A primeira paixão musical de Ana foi a sanfona. Com as duas irmãs, Maria e Honorina, montou uma banda que trazia em seu repertório músicas dos anos 1960, muito xote, baião, valsa e choro, além dos clássicos do rei do Baião, Luiz Gonzaga. Mas para além da sanfona, Ana gostava de olhar o pai tocar a rabeca e aprendeu a afinar o instrumento com ele. “Quando ele soltava, eu pegava”, conta Ana, em um levantamento histórico realizado pelo professor, escritor e pesquisador da cultura cearense, Gilmar de Carvalho.

Acabou ganhando do pai a rabeca, que não é bem uma rabeca de origem, mas um violino francês com certificação.  Certo dia, o violino acabou precisando de um conserto, feito por pai de Ana, que teve de desmanchar e montar novamente o instrumento, e com isso, acabou perdendo seu som agudo de violino e ganhando som mais grave, de rabeca.

Ana aprendeu a tocar ouvindo o pai. Aos 15 anos já havia desvendado o instrumento. A banda com as irmãs se desfez quando elas se casaram. Ana também casou, mudou-se para São Paulo e anos depois voltou para Umari, lugar onde se consagrou. Segundo Gilmar de Carvalho, Ana da Rabeca não compôs, mas tem um repertório rico.

Fundou a sua Escola de Música em 2019 e recebeu a certificação de Ponto de Cultura pela Secretaria de Cultura do Estado do Ceará em 2023. Na Escola, Ana repassa para crianças e adolescentes a sua arte e o seu saber. Em 2022 recebeu o título de Mestra da Cultura – Tesouro Vivo do Ceará. Foi premiada duas vezes pelo Ministério da Cultura como Mestra da Culturas Populares e pela Fundação Joaquim Nabuco com o prêmio de Economia Criativa pela fundação da Escola de Música.

 

Museus Orgânicos

O Museu Casa da Mestra Ana da Rabeca será o 17º museu orgânico inaugurado pelo Sesc. Eles são baseados no vínculo com a história e dos lugares onde vivem e atuam os mestres de cultura popular. O projeto nasceu com o amadurecimento da parceira com a Fundação Casa Grande, localizada na cidade de Nova Olinda, para o fortalecimento de uma rede formada por lugares de memória, sendo o Sesc um ativador desses espaços.

Para que se tornem Museus Orgânicos, os projetos passam por pesquisas e estudos consistentes a respeito de cada tradição cultural, suas referências coletivas e o impacto na comunidade.

 

Serviço

Inauguração Museu Casa da Mestra Ana da Rabeca
Data: 27 de abril
Horário: 15h
Local: Sítio Baixio dos Gaviões – Umari

MAIS Notícias
Fumaça do lixão da Chapadinha invade bairros de Iguatu
Fumaça do lixão da Chapadinha invade bairros de Iguatu

Mais uma vez parte das ruas do Centro de Iguatu sofreu invasão de nuvem de fumaça oriunda do lixão da Chapadinha. Ruas como 13 de maio, José de Alencar, Deocleciano Bezerra, Agenor Araújo, Pedro Gomes e outras artérias foram tomadas por um véu de fumaça na noite desta...

A vida de superação de ‘Agenorzinho do mercado’
A vida de superação de ‘Agenorzinho do mercado’

Francisco Agenor de Lima Silva está perto de completar 60 anos. Conhecido popularmente como ‘Agenorzinho do mercado’, ele é a própria superação em pessoa. Um homem que luta diariamente para ter uma vida normal. Apesar das limitações que o impedem disso, ele é daquelas...

0 comentários

Enviar um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *