São Pedro encerra série sobre festejos, devoção e cultura popular em Iguatu

27/06/2025

São Pedro é celebrado no dia 29, neste domingo. Encerrando as matérias sobre os santos festejados em junho, principalmente em Iguatu, concluímos a série sobre os festejos, devoção e cultura popular nesse período junino. Em Iguatu, o santo é padroeiro da Vila Centenário, onde moradores e devotos de outras localidades participam do festejo que encerra hoje, sábado, com missa as 19h. Já domingo, tem missa na capela erguida no bairro.

O santo tem grande devoção. Ele era pescador, tido como o primeiro Papa da Igreja Católica. Na vila os festejos começaram dia 19. A comunidade surgiu diante das cheias do rio Jaguaribe, em 1974, formada pela grande maioria de famílias ribeirinhas que viviam na região de Vila Neuma, Moura e São Gabriel que naquele período foram afetadas pelas águas. Uma comunidade resistente, unida cheia de cultura e fortalecida na religiosidade. Alvorada, quermesse, missas e novenas marcaram a programação como de costume.

A capela é gerida por uma comissão de devotos e voluntários que se dedicam a manter viva essa religiosidade na comunidade, uma troca de experiência entre os mais experientes e juventude que tem somado nessa caminhada. O jovem Francisco Kaio é engajado na comissão e destaca esse momento esperado por moradores e devotos. “Alegria imensa de festejar nosso padroeiro mais uma vez. Estamos caminhando para os 50 anos de construção da nossa capela que será celebrada com jubileu ano que vem. Transborda nosso coração em festejar nosso padroeiro, primeiro Papa da Igreja Católica. Momentos de muita participação, hoje acontece o encerramento com missa solene. Dia 29, teremos uma missa às 7h e à tarde nosso bingo. A festa do padroeiro é um retiro espiritual no qual a comunidade celebra a Palavra de Deus, pede a intercessão do padroeiro e para nós, é uma alegria imensa vivenciar a cada ano essa festa, na qual vivemos nossa fé”, comentou o jovem Francisco Kaio.

Religiosidade e tradição popular

A data 29 de junho é a mais esperada pela comunidade. Dia de acender a última fogueira dentro dos festejos juninos. O historiador e produtor cultural Michel Prudêncio, convidado do Jornal A Praça para visitar as festas populares, destacou também a importância da devoção e tradições que ainda são mantidas nessas comunidades. “Estando na Vila Centenário, aqui me sinto em casa. Aqui é um dos festejos bem tradicionais em nossa cidade. Comunidade também que tinha tradições de acender fogueiras, mas por conta do asfaltamento muitas pessoas deixaram de fazer no terreiro de casa. As pessoas evitam fazer fogueiras, mas mesmo assim a gente encontra uma pessoa ou outra que faz, que mantém essa resistência e celebra também São Pedro”, pontou Prudêncio.

Ainda de acordo com o historiador, São Pedro é o acendimento da última fogueira nesse mês junino, celebrando a festa do milho, da agricultura. “Aqui, além da religiosidade, tradição popular, durante muito tempo dona Chica do Padre manteve a quadrilha junina Asa Branca, que envolveu e revelou muitos profissionais do movimento junino de Iguatu. A festa de São Pedro é bem histórica, eu mesmo toquei aqui em diversas fases da minha vida, ao lado do meu pai, maestro Mano Prudêncio, participei muito com o grupo Sol Nascente tocando forró, com o projeto Arte Criança, ou até mesmo só. É uma festa que agita a comunidade. Tem uma igreja que a comunidade construiu e ao redor foi crescendo ao seu redor. Essa comunidade é um bairro que digamos que foi projetado, que passou a abrigar moradores vindos das áreas ribeirinhas com a cheia do rio Jaguaribe. Aqui tem muita força comunitária, muita ativação cultural e isso permanece também com essa festa de São Pedro”, disse.

Trabalho, conquista, amor e fé

Uma das figuras mais destacadas quando se fala em Vila Centenário, é Francisca Ferreira Holanda, conhecida por ‘Chica do Padre’, uma das moradoras mais antigas. Ela ajudou por meio da força, determinação e coragem fundar a comunidade, que surgiu pela união dos moradores para ajudar as famílias atingidas pelas enchentes de 1974, que desabrigou milhares de famílias. Como costuma dizer: ‘a vila surgiu de um “erro ecológico’.  “A Vila Centenário é um bairro muito resistente, muito valente que já passou por muitas dificuldades, todos sabem como chegamos aqui, mas que nunca baixamos a cabeça. A Vila Centenário surgiu de um erro ecológico, e desse erro foi que conquistamos o direito de reivindicar nossos direitos. Graças a ajuda de Dom Mauro, que no ensinou muito, através da Caritas Diocesana que nos deu total apoio para que pudéssemos aprender um pouco, liderar, lutar, cuidar e reivindicar nossos direitos que surgiu nosso bairro. No ano de 1976, foi lançada a pedra fundamental da igreja de São Pedro, essa árvore que temos ao lado é uma árvore histórica. Enquanto for viva, ela nunca será cortada porque é um marco histórico da vila onde foi lançada a pedra fundamental da nossa capela, que começou pequena e hoje é uma capela igreja. Diante de tantas mãos foi construída pela comunidade ativa. Aqui a gente celebra a fé, união, amor, paz. A comunidade participa, é atuante, não deixa de colaborar. Isso aqui não cai. É a comunidade unida que faz o desenvolvimento, crescimento e que a cada ano tem uma renovação. Tudo isso é trabalho, conquista, amor e fé”, ressaltou Chica do Padre.

Na época das enchentes o então prefeito Adil Mendonça, a Diocese e a Caritas, o primeiro bispo0 dom Mauro Ramalho, fizeram o resgate das famílias que ficaram alojadas em barracos de lona. Com o passar do tempo, foram criados vários grupos e lutaram por moradia, saúde, educação, seguida da construção da capela. O bairro cresceu muito e vem se desenvolvendo principalmente pela economia com a presença de comércio e ofertas de serviços.

 

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