No próximo dia 18 de julho, o município de Iguatu será palco do lançamento oficial da pesquisa Travestilidades Negras, um estudo inédito realizado pelo Fórum Nacional de Travestis e Transexuais Negras e Negros (Fonatrans). A atividade acontecerá no auditório da Unific e pretende reunir lideranças, pesquisadores e representantes de movimentos sociais para discutir os resultados e desdobramentos do levantamento, que joga luz sobre as múltiplas violências enfrentadas por travestis e transexuais negras e negros em todo o país.
Coordenada por Jovanna Baby, com pesquisa assinada por Jessyka Rodrigues e colaboração de Cris Lacerda, a pesquisa lança um olhar aprofundado sobre as interseções entre racismo, transfobia, pobreza, religiosidade, evasão escolar e exclusão social. O estudo traz dados alarmantes sobre a realidade da população trans negra, como o índice de 70% dos entrevistados que relataram ter sofrido violências motivadas por racismo e transfobia.
O recorte interseccional adotado pela pesquisa evidencia como essas violências não são isoladas, mas se entrelaçam em experiências cotidianas marcadas pela marginalização. A maioria das pessoas ouvidas se identifica como travesti (42%) ou mulher transexual (34%) e se declara negra (55,67%) ou parda (42,89%). A pesquisa também revela que apenas 9% têm apoio familiar e mais da metade abandonou a escola por falta de condições financeiras ou por episódios de transfobia.

Pertencimento
Entre os aspectos abordados, destaca-se também a valorização do aquilombamento como estratégia de resistência coletiva. Para Jessyka Rodrigues, o aquilombamento representa um instrumento de construção política e afetiva, capaz de impulsionar a criação de políticas públicas mais sensíveis às demandas dessa população. “Não se trata apenas de reagir às violências, mas de construir pertencimento e novas possibilidades de existência”, afirma.
O evento de lançamento em Iguatu marca um momento importante para o Fonatrans e para a luta por visibilidade e direitos da população trans negra, especialmente em territórios fora dos grandes centros urbanos. A expectativa é que a pesquisa fortaleça o debate sobre cidadania, equidade e justiça social, contribuindo com subsídios concretos para a formulação de políticas públicas mais eficazes.



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