Experimento desenvolvido no IFCE em Iguatu em parceria com a UFLA ganha prêmio no Fórum Nacional no Rio Grande do Sul

29/08/2025

O Fórum Nacional do Trigo e Soja, realizado entre 12 a 14, em Passo Fundo-RS, revelou para o Brasil um projeto desenvolvido em Iguatu, no Instituto Federal de Ciências e Educação – IFCE, em parceria com a UFLA – Universidade Federal de Lavras, Minas Gerais. O experimento de competição de cultivares de sementes de trigo tem o professor Bráulio Gomes como pesquisador responsável e foi apresentado pelo engenheiro agrônomo e doutorando em fitotecnia Pedro Henrique Bezerra Gomes, na UFLA, com orientações da professora Eloisa Oliveira e do professor José Maria Pádua, onde desenvolvem trabalho de produção de trigo em regiões de expansão no semiárido brasileiro. No evento nacional aconteceu também a 17ª Reunião da Comissão Brasileira de Pesquisa de Trigo e Triticale e a 44ª Reunião de Pesquisa de Soja da Região Sul, celebrando os 50 anos da Embrapa Trigo.

O evento, que contou com a participação de estudantes, pesquisadores e produtores, focou em debates sobre a competitividade e sustentabilidade das lavouras, com ênfase nas mudanças climáticas e tecnologias para os cultivos de trigo, triticale e soja. O evento apresentou panoramas da cadeia produtiva do trigo, como a situação internacional, e as tendências, como o potencial de expansão do trigo tropical.

Pedro Gomes destacou a importância e a emoção em participar desse evento. “Eu chorei muito quando fui na Embrapa Trigo. Eu fiquei também muito emocionado ao ver um trabalho que a gente começou em casa tomar essa proporção. Os maiores pesquisadores do país têm interesse e respeito por nosso trabalho. Muito gratificante”, pontuou o pesquisador.

Pedro Gomes apresentou o trabalho na Reunião Nacional do Trigo o título: “Competição de cultivares de trigo no semiárido brasileiro”. Com essa apresentação, a pesquisa ganhou o prêmio de Melhor Trabalho de Pesquisa de Transferência de Tecnologia e Socioeconomia do Trigo. “Isso nos mostra que é muito importante essa expansão do trigo para essas novas regiões principalmente para o semiárido brasileiro. Hoje aqui na academia a gente sabe que hoje a expansão do trigo para regiões de fronteiras agrícolas entre essas o Ceará se mostra uma grande fronteira agrícola que tem possibilidade de produzir trigo, além de ser uma região que possui grandes indústrias que beneficiam o trigo. É uma grande honra levar o nome de nossa cidade para frente, com orgulho que podemos produzir sim, de forma técnica, eficiente e sustentável”, ressaltou Pedro Gomes.

Cultivo de trigo em Iguatu

O professor da Universidade Federal de Lavras, José Maria Vilela Pádua, que atua no departamento de Educação, Pesquisa e Extensão com as culturas principalmente do trigo, cereais de inverno nas condições tropicais, falou sobre a importância do desenvolvimento dessa pesquisa com o cultivo de trigo em Iguatu. “O trabalho que vem sendo feito da triticultura para condições tropicais é fato notório que os cereais de inverno naturalmente são mais adaptados a climas mais amenos, tem suas temperaturas ótimas de desenvolvimento entre 17ºC e 22ºC, e naturalmente essa expansão para essas condições demanda de um esforço muito grande para que seja possível produção, principalmente trigo, nessas condições, nessas zonas mais tropicais, principalmente próximas da linha do Equador. Então, esse trabalho que vem sendo feito ele tem uma importância muito grande no cenário de incremento de produção tritícola, principalmente no país Brasil, já que as nossas dimensões são continentais e a grande maioria do nosso país está em condições tropicais e hoje é onde a gente tem a maior quantidade, o maior quantitativo de áreas aptas à produção.  Então esse trabalho traz essa dimensão das condições tropicais brasileiras a possibilidade da produção de trigo”, destacou.

O professor acrescentou ainda que “existem muita literatura que diz que não é nada mais nobre do que a introdução, um novo cultivo em uma área onde nunca foi cultivado uma cultura. Então nesse sentido. Essa contribuição que vem sendo feita com esse trabalho visa muito mitigar essas questões de produção nessa área de expansão nessa zona tropical. Eu queria reforçar que isso tudo demanda uma série de atividades, uma série de pessoas, uma série de recursos e nada disso seria possível sem o apoio dos Institutos Federais, das universidades da própria Embrapa que tem um papel preponderante no desenvolvimento de Ciência e Tecnologia no nosso país. O professor Bráulio, o próprio Pedro Henrique, tiveram, têm e vão continuar tendo um papel preponderante para o desenvolvimento dessa cultura nessas condições”, pontuou.

Papel da ciência

Carlos Newdmar Vieira Fernandes, chefe do Departamento de Pesquisa, Extensão e Produção do IFCE campus Iguatu, ressaltou a importância desses experimentos científicos, com impacto que pode mudar a realidade do cultivo de trigo nacional. “O reconhecimento das ações de pesquisa desenvolvidas no âmbito do IFCE Campus Iguatu representa não apenas a valorização do esforço da equipe envolvida, mas também evidencia o papel essencial da ciência no fortalecimento da instituição e na formação dos estudantes. Iniciativas como essa servem de inspiração para que outros alunos se engajem em atividades acadêmicas, reforçando a imagem do campus como referência em educação, pesquisa e inovação. Além disso, é fundamental destacar a relevância das parcerias entre instituições e pesquisadores para o avanço científico. A troca de experiências e o apoio mútuo ampliam os resultados, permitindo que ideias ganhem robustez e se transformem em soluções concretas, capazes de responder às demandas da realidade local e regional.”

Reconhecimento e vantagens

O professor Bráulio Gomes, engenheiro agrônomo, doutor em fitotecnia e também pai e incentivador de Pedro Henrique, falou sobre o reconhecimento. “O interessante é que essa pesquisa dessa cultivar aqui é muito boa. A produtividade/dia dela aqui é muito boa, porque reduz muito o ciclo de produtividade, em torno de um mês, algumas culturas mais de um mês lá na região dela. Ou seja, a cultura que produz lá com cem dias, aqui produz com setenta dias, no caso das cultivares 264, 254. Quer dizer, é uma vantagem muito grande, com o adiantamento do ciclo em mais de um mês, isso aumenta a produtividade/ dia. Isso reduz os investimentos e a cultura sai até mais barata e uma produtividade melhor. Essa nossa pesquisa nesse sentido de mostrar que essas cultivares entre dez, duas se saíram muito bem e aí vamos dar continuidade a pesquisa e a experiência e os experimentos de produção de sementes que é o mais importante também. As sementes também são de boa qualidade. As sementes produzidas aqui, superiores até as sementes produzidas lá em Lavras. E também porque a semente é cara e difícil de se obter e também precisa de muita semente por hectare em torno de cento e vinte quilos por hectare. Tendo a produção aqui facilita para produtor rural. E pretendemos fazer uma produção de sementes para o pequeno produtor para que ele possa entrar na cesta básica de sementes da Secretaria do Desenvolvimento Agrário do Ceará. Ser mais uma cultura do sistema de produção. O trigo é uma planta muito resistente”, destacou o professor parabenizando a atuação do pesquisador Pedro Henrique.

MAIS Notícias
Volume do açude Trussu chega a 86,76% da capacidade
Volume do açude Trussu chega a 86,76% da capacidade

O açude Carlos Roberto Costa (Trussu) registrou aumento no nível de água durante a primeira semana de março, impulsionado pelas chuvas que atingiram a região. Dados da Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos apontam que o reservatório teve uma elevação de 12...

0 comentários

Enviar um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *