Redes sociais: um desafio entre o real e o ilusório

20/12/2025

 

 

Acordar e logo recorrer à tela de um dispositivo móvel tem se tornado rotina no cotidiano do homem contemporâneo. Recorremos incontáveis vezes à tela do celular, acessamos e passeamos pelas redes sociais às quais temos acesso. Algumas vezes, conseguimos ficar alheios ao que acontece ao nosso redor, pois estamos presos em um outro “mundo” como em uma ficção.

No segundo clássico de “As crônicas de Nárnia: o leão, a feiticeira e o guarda-roupa”; a jovem Lúcia, ao entrar no guarda-roupa, encontra um novo mundo, Nárnia. Lá a garota contempla um universo mágico, muito distinto do seu. Nessa belíssima ficção de C.S. Lewis, a saída do mundo real foi salutar, mediante o contexto em que as crianças viviam. E quanto a nós, adultos do século XXI, será prudente entrarmos no “guarda-roupas” que as redes sociais oferecem?

É preocupante vermos pessoas adoecendo por buscar inserção e aceitação em um contexto social de estereótipos inatingíveis. Estamos vivenciando um período difícil, marcado por relacionamentos superficiais, as pessoas já não conversam e muitas vezes nem se veem fora do “status”, “story” ou “feed”.

No romance, quando os quatro irmãos chegaram em Nárnia, era tudo muito encantador, porém, Edmundo – uma das quatro crianças – foi enganado pela feiticeira e causou catástrofes no novo mundo. É necessário perceber os riscos que a vaidade e a ilusão das redes sociais podem causar. Por muito pouco, as crianças da ficção não mais veriam suas famílias e não voltariam às suas vidas reais. E nós? Será que já não fomos enganados pela feiticeira da ilusão? Será que já não estamos distantes da nossa vida, do nosso lar?

É imprescindível que tenhamos cuidado, vivamos a nossa história, não nos esforcemos tanto para ser observados como no “Grande irmão” de George Orwel. Prezemos pelo real, pelo olhar, pela presença. Assim, provavelmente, ficaremos menos frustrados, pois o nosso alvo atenderá aos nossos interesses e não à expectativa de terceiros, ou melhor, de seguidores.

Quando Alice, no seu país das maravilhas percorria um caminho qualquer, o sagaz gato advertia: “Quando não se sabe onde chegar, qualquer caminho serve. É importante que não nos percamos, que saibamos distinguir o real do ilusório, o essencial do irrelevante. Dessa forma, certamente, estaremos onde devemos, seremos presentes e reais, na vida daqueles que importam realmente.

Viviane Aparecida Alves Soares
Graduada pela Universidade Estadual do Ceará.
Pós-graduada no Ensino de Língua portuguesa e suas respectivas literaturas.
Pós-graduada em Português Jurídico.
Mestranda em Linguística Aplicada pela UNITAU
Funcionaria pública( Professora do município de Iguatu);
Professora universitária da Unific.
Professora de Redação da Escola Modelo de Iguatu.

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