
A Olimpíada Mendeleev é um projeto internacional de referência da Universidade Estatal de Moscou Lomonosov e da Fundação Andrey Melnichenko, cujo objetivo é apoiar e desenvolver jovens talentosos pelo mundo afora. Entre um desses talentos apresentados este ano, foi o estudante iguatuense Guilherme Soares, 17, ex-aluno da Escola Modelo de Iguatu, um dos medalhistas brasileiros na edição 60ª Olimpíada Internacional de Química Mendeleev (IMChO 2026), realizada no final deste mês em Moscou, na Rússia.
A delegação brasileira contou com dez representantes, dos quais três conquistaram medalhas de bronze. Além de Guilherme, o colega de turma do colégio Farias Brito, em Fortaleza, Breno Barros, conquistou medalha de bronze, e o estudante João Marcelo Aires também subiu ao pódio para receber a medalha de bronze.
Guilherme Soares é filho único do casal Raul Mota e Valéria Soares. O jovem destacou-se entre os maiores talentos da química mundial. “Desde cedo meus pais sempre me incentivaram a estudar, me davam livros infantis de astronomia, química, física. Eu curtia muito, achava muito legal. Em Iguatu, estudei na Escola Modelo. Foi uma escola onde aprendi muita coisa. Eu cheguei a fazer uma ou outra olimpíada no Fundamental I. E no quinto ano eu me mudei para Pernambuco, lá estudei no Colégio Presbiteriano 15 de Novembro, onde no 8º ano fiz minha primeira Olimpíada para valer, pois realmente estava me dedicando. Eu cheguei a fazer a Olimpíada Brasileira de Física, algumas vezes, fui medalhista de bronze algumas vezes. E a partir dali eu comecei a fazer todas as olimpíadas que tinha direito, mais de fácil acesso. Olimpíada Nacional de Ciências, Física, Matemática, Astronomia, que fui ouro algumas vezes. A Olimpíada de Astronomia quando eu fiz, eu passei para a etapa internacional dela, cheguei a passar, mas não estava muito focado nisso, mas isso abriu minha mente para tudo isso”, contou Guilherme.

Mais difícil do mundo
Com o tempo, passou a se dedicar e se preparar para as competições. No primeiro ano do Ensino Médio, participou da Olimpíada Pernambucana de Química e conseguiu medalha de ouro, avançando para a nacional em 2024. “Em 2024, me mudei para Fortaleza, morando sozinho para estudar, onde consegui uma bolsa no Farias Brito. Aqui estava classificado para Olimpíada Brasileira de Química e descobri que aqui tinha uma turma específica para esses estudantes. Eu não fiquei muito na turma de vestibular, mas sim, na turma de preparação para Olimpíada de Química. Por mais que seja medalhista em outras matérias, eu me apeguei à Química. Eu pude ver minha evolução nesse ciclo todo, fui prata na Olimpíada Norte/Nordeste de Química, fiz a cearense e fui prata também. Eu realmente evoluí muito rápido e vi que realmente eu gostava daquilo. Eu tive aula de laboratório no segundo ano. Em agosto fui primeiro lugar na Olimpíada Nacional de Química, geral. A partir daí fiquei entre os dez classificados para a Olimpíada na Rússia. Tive treinamento intenso, porque a Mendeleev é conhecida como a Olimpíada de Química mais difícil do mundo, por mais que não seja a mais reconhecida, é a mais difícil”, destacou.
Na Rússia foi momento de conhecer novas culturas, experiência inesquecível na vida do estudante. “Foi uma experiência incrível. Conheci muitas coisas, várias pessoas de diversos países, muita gente com o objetivo parecido com o meu. As provas foram muito desafiadoras, mas deram certo. Voltei com medalha de bronze para casa. Foi um resultado muito bom. De dez pessoas, tivemos três medalhistas. Foi um resultado muito bom para mim e para o Brasil em geral”, contou.
Guilherme ainda não teve tempo de desfazer as malas, porque nos próximos dias viaja para São Paulo, onde participará de treinamento na USP, com o time brasileiro de Química, e após essa etapa, vai fazer duas provas de seleção para a Olimpíada Internacional de Química, no Uzbequistão e a Ibero-americana aqui no Brasil.

BOX
60ª Olimpíada Internacional de Química Mendeleev (IMChO 2026), Moscou-Rússia. Classificação geral:
- Duzentos estudantes de escolas e universidades, representando equipes olímpicas nacionais de 37 países, estiveram na Rússia participando da competição.
- Medalhas de ouro foram concedidas a estudantes da Rússia, China, Vietnã, Cazaquistão, Hungria e Israel.
- Medalhas de prata foram concedidas a participantes de equipes representando Rússia, Uzbequistão, Turquia, Turcomenistão, Bielorrússia e Mongólia.
- Medalhas de bronze foram conquistadas por jovens químicos do Sri Lanka, Azerbaijão, Brasil, Japão, Cuba, Arábia Saudita, Macedônia do Norte e Armênia.
- O Melhor Teórico da Olimpíada foi Bowen Tan (China).
- O Melhor Experimentalista foi Zihan Wang (China).
- O Prêmio Lunin (1º grau) foi concedido a Zihan Wang (China).
- O prêmio de 2º grau foi para Hoang Minh Ngo (Vietnã).
- O prêmio de 3º grau foi concedido a Bowen Tan (China).
COM FOTOS: ARQUIVO PESSOAL/ GUILHERME SOARES



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