No mês Internacional de Conscientização sobre o ‘melanoma’, tipo mais agressivo de câncer de pele, o jornal A Praça entrevista nesta edição a médica dermatologista Sara Diniz, que fala sobre a doença e como adotar as medidas essenciais preventivas
A Praça – Maio é o mês internacional de conscientização sobre o ‘melanoma’, o tipo mais agressivo de câncer de pele. Como alertar as pessoas para a prevenção?
Dra. Sara – O primeiro passo é a conscientização da população. O melanoma de fato é tipo mais grave de câncer de pele, embora felizmente não seja o mais frequente. Os tipos mais comuns são o carcinoma basocelular e o carcinoma espinocelular. Apesar das diferenças entre eles, todos compartilham o mesmo fator de risco: a exposição excessiva à radiação solar. Vivemos em uma região com altos índices de incidência solar, e mesmo a exposição cotidiana, durante deslocamentos ou tarefas rotineiras, pode contribuir para o desenvolvimento da doença ao longo dos anos. A avaliação de lesões suspeitas de câncer de pele faz parte da minha rotina diária. Frequentemente atendo pacientes com alterações que necessitam investigação e, em muitos casos, tratamento cirúrgico.
A Praça – Havendo o diagnóstico precocemente, as chances de cura são altas?
Dra. Sara – Sim. Quando o melanoma é identificado nas fases iniciais, as chances de cura são elevadas. O diagnóstico precoce permite um tratamento mais simples e menos invasivo. Quando o diagnóstico é tardio, as chances de cura reduzem e o desfecho pode ser desfavorável. Por isso, a avaliação dermatológica periódica e a atenção aos sinais da pele podem fazer toda a diferença.
A Praça – Quais são os sinais mais evidentes da doença?
Dra. Sara – O principal alerta é o surgimento de uma pinta nova ou a mudança em uma pinta já existente. É importante observar alterações de tamanho, formato, cor ou bordas irregulares. Lesões que sangram ou não cicatrizam também devem acender um alerta. Qualquer mudança persistente na pele deve ser avaliada por um dermatologista.
A Praça – Houve mudanças recentes de regulação na classificação de ‘protetores solares’, agora considerados ‘bens essenciais’. No que isto pode ajudar em se falando da prevenção?
Dra. Sara – Essa medida reforça a importância do protetor solar como um item de saúde e não apenas de estética. Ao facilitar o acesso da população, aumenta-se a possibilidade de uso regular, especialmente em regiões de alta incidência solar como a nossa. A proteção solar é a ferramenta mais importante na prevenção do câncer de pele e do envelhecimento precoce.

A Praça – Existem cuidados preventivos distintos para cada tipo de cor de pele?
Dra. Sara – Todas as pessoas precisam se proteger do sol. É verdade que peles mais claras apresentam maior risco para determinados tipos de câncer de pele, mas pessoas de pele morena ou negra também podem desenvolver a doença. A diferença é que, muitas vezes, o diagnóstico ocorre mais tardiamente. Por isso, a recomendação de proteção solar e acompanhamento dermatológico vale para todos.
A Praça – Que medidas preventivas devem ser adotadas pelas pessoas que ficam mais tempo, por dia, expostas ao sol, como trabalhadores da construção civil, ambulantes, entregadores, agricultores, pescadores e outros?
Dra. Sara – Esses profissionais precisam redobrar os cuidados. Além do uso diário de protetor solar com reaplicação ao longo do dia (de preferência a cada 2 horas), é importante utilizar chapéus de aba larga, roupas de manga longa com proteção adequada, óculos escuros e, sempre que possível, buscar áreas de sombra durante os períodos de maior incidência de raios solares.
A Praça – Como é feito o tratamento do câncer de pele, a partir do diagnóstico?
Dra. Sara – O tratamento depende do tipo de câncer de pele e do estágio da doença. Na maioria dos casos diagnosticados precocemente, a cirurgia para retirada completa da lesão é o tratamento indicado e promove a cura. Em situações mais avançadas, podem ser necessários tratamentos complementares, como radioterapia, imunoterapia ou outros métodos específicos. O mais importante é que o tratamento seja iniciado o quanto antes.
A Praça – Deveriam existir mais campanhas midiáticas visando alertar as pessoas, considerando a letalidade da doença?
Dra. Sara – Sem dúvida. O câncer de pele é o tipo de câncer mais frequente no Brasil, e o melanoma, embora menos comum, pode ser muito agressivo. Campanhas educativas ajudam a população a reconhecer sinais precoces, compreender a importância da proteção solar e procurar atendimento médico no momento certo. A informação contribui diretamente para reduzir casos graves e mortes pela doença.
Sara Diniz, é formada pela Universidade Federal do Cariri, residência médica em dermatologia pelo Centro de referência nacional em Dermatologia Dona Libânia. Atuando na área clínica e cirúrgica há 3 anos, com foco no tratamento cirúrgico do câncer de pele, bem como no diagnóstico e tratamento de todas as doenças da pele, cabelo e unhas. Há pouco mais de 1 ano na área acadêmica, lecionando na faculdade de medicina de Iguatu (IDOMED).



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