Com cultivo protegido, chega a 200 mil mudas e une conhecimento tradicional e engenharia agrícola para abastecer 15 municípios cearenses e o Rio Grande do Norte
A agricultura na zona rural de Iguatu ganhou um novo capítulo de inovação e precisão. Na localidade de Barreira dos Pinheiros, uma estrutura de lona branca com 448 metros quadrados quebra a paisagem tradicional. Ali dentro, o verde vivo de milhares de plantas revela o sucesso de um empreendimento familiar que une o conhecimento tradicional à tecnologia de ponta para produzir, em média, 200 mil mudas de hortaliças por mês.
A história do negócio começou em 2014, de forma tradicional, sob o comando do técnico agrícola Ednaldo Barros (in memoriam) e de sua esposa Nilma Alves. Atualmente, o legado do patriarca continua vivo e em expansão através das mãos de seus filhos Bruno Eduardo e Bruna Barros. Criados no dia a dia do campo, os irmãos agora lideram uma sociedade familiar fortalecida pela chegada da nora Samara Dias e do genro Yuri Pinheiro.
Enquanto Bruno Eduardo, que é tecnólogo em Irrigação e Drenagem e mestre em Engenharia Agrícola, cuida da produção técnica em Iguatu ao lado de Samara, a irmã Bruna e o cunhado Yuri expandem os horizontes em Acopiara, onde comandam uma loja agropecuária e oferecem assistência agrícola especializada aos clientes.
Há cerca de dois anos, a família tomou uma decisão estratégica que mudou o rumo dos negócios: deixou de vender hortaliças diretamente para o consumo local e passou a focar exclusivamente na base da cadeia produtiva: as mudas.
O investimento em uma estufa moderna de cultivo protegido viabilizou um ambiente controlado, ideal para o desenvolvimento saudável, uniforme e protegido das plantas. Atualmente, a JB Mudas trabalha com seis variedades principais: alface (o carro-chefe), cebolinha, coentro, pimenta-de-cheiro, tomate e pimentão. “Como as tecnologias a todo momento estão em desenvolvimento, a agricultura hoje tem que ser mais precisa para acompanhar a demanda da população. Para ter uma produção bem significativa, se inicia da base, que é a muda. Para ter uma planta firme que aguente as intempéries do dia, a muda tem que ser de alta qualidade”, destacou Bruno Eduardo.
A propriedade possui geografia diferenciada, vantajosa: são 40 metros de largura por mais de 1.500 metros de extensão, formando assim um corredor produtivo que conta com água de qualidade e disponibilidade constante para atender a demanda produtiva. Essa estrutura permite que a produção ganhe o mercado regional. As 200 mil mudas mensais são comercializadas para 15 municípios atendendo do Centro-Sul e alcançando também produtores do estado do Rio Grande do Norte.

Essência
Apesar do foco comercial ter mudado para as mudas tecnológicas, a essência do início do negócio não foi perdida. Em uma escala menor, dona Nilma Alves faz questão de continuar tocando o cultivo de alfaces e outras hortaliças e fruteiras.
Além de abastecer a própria casa, a produção atende a uma clientela fiel que não abre mão do cultivo da agricultora. “Tem alguns clientes que ainda mantemos esse vínculo, por causa da qualidade, além do consumo próprio”, destaca dona Nilma, mostrando que a tecnologia avança, mas o carinho e o cuidado com a terra continuam os mesmos.



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