
A Biblioteca Pública Municipal Dr. Matos Peixoto sediou, na última quarta-feira, 6, edição especial do projeto Chá Literário. O evento marcou o lançamento de “Cinema e Audiodescrição: Locução áudio-descritiva e Voz Over na Produção Cinematográfica Acessível”, primeira obra solo da cineasta, escritora, professora e pesquisadora iguatuense Sara Benvenuto. O livro introduz um olhar inédito sobre a democratização cultural ao defender que as ferramentas de inclusão devem fazer parte orgânica da narrativa dos filmes, superando o modelo tradicional que as adota apenas como complementos técnicos inseridos na pós-produção.
A publicação foi viabilizada por meio do fomento da Lei Paulo Gustavo, com aplicação de recursos federais gerenciados pelo Governo do Estado do Ceará, através da Secretaria da Cultura (Secult-CE). Para a autora, a execução do projeto destaca o impacto direto das políticas públicas no incentivo à produção intelectual e artística descentralizada, conferindo visibilidade e suporte aos realizadores que atuam nas regiões do interior do estado.
O modelo proposto por Benvenuto unifica os três pilares da acessibilidade audiovisual — a Audiodescrição (AD), a Legenda para Surdos e Ensurdecidos (LSE) e a janela da Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) — conectando-os desde a etapa de pré-produção até a exibição comercial. A tese sugere ainda uma inovação estrutural para a indústria: a oficialização do departamento de “Direção de Acessibilidade” dentro das equipes técnicas cinematográficas.

Durante a programação do Chá Literário, os conceitos teóricos foram ilustrados de forma prática por meio da exibição do curta-metragem “Amor no Ar”, produção dirigida pela autora que adapta o conto “A Entrevista”, de autoria do escritor Rubem Fonseca.
O lançamento promoveu um espaço de debate direto entre a pesquisadora e a comunidade. Com a assessoria técnica da Central de Acessibilidade, o evento garantiu a participação ativa de pessoas surdas na plateia, estimulando uma ampla reflexão coletiva acerca do papel da inclusão cultural e da educação como vetores de transformação social no município.
Trajetória científica e ativismo cultural no interior
Nascida e residente em Iguatu, Sara Benvenuto acumula as funções de cineasta, roteirista, diretora, audiodescritora e professora do curso de Letras da Universidade Estadual do Ceará (UECE). O livro recém-lançado é o desdobramento direto de sua tese de doutorado em Linguística pela mesma instituição, consolidando anos de investigação acadêmica e experimentação prática dedicadas à tradução audiovisual acessível.
A atuação de Sara Benvenuto estende-se para além das salas de aula e das pesquisas teóricas. Diante do cenário de Iguatu, município que atualmente não dispõe de salas de cinema comerciais, ela idealizou e coordena os projetos de extensão Cine Alicerce e Cine Bastiana. Ambas as iniciativas são responsáveis por democratizar o acesso à sétima arte na região por meio de projeções cinematográficas públicas e gratuitas.
A pesquisadora também integra o Laboratório de Estudos da Tradução Audiovisual (LETRAA). O grupo de estudos atua na pesquisa e no desenvolvimento de ferramentas acessíveis no interior cearense, além de promover mostras de cinema, oficinas de capacitação técnica e debates abertos, fomentando a formação de novas plateias e estimulando o protagonismo dos fazedores de cultura locais.
Os leitores interessados em obter mais informações sobre o livro ou adquirir exemplares da obra impressa ou digital podem realizar o contato direto com a escritora por meio de seu perfil oficial na plataforma digital Instagram: @sara.benvenuto. Na oportunidade Sara Benvenuto fez a doação de exemplares da obra para a biblioteca municipal. Você pode acessar a reportagem sobre o assunto, no Instagram do Jornal A Praça.



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