
Com 30 anos de carreira, dos 46 já vividos, Damião Ronald de Souza tem sua história consolidada na arte. O caminho começou na adolescência, com os primeiros sinais surgindo ainda na fase estudantil, seguidos pelo teatro amador na igreja. Mais tarde, a convite de Cleodon de Oliveira, ingressou no Projeto Arte Criança – PAC, chegou a fundar seu próprio grupo de teatro. Desde então, segue firme na profissão que abraçou: ser artista.
“Eu nunca trabalhei de forma convencional, como as pessoas que atuam no comércio, por exemplo. Me encontrei nas artes e agradeço a cada incentivo e convite que recebi. A arte se tornou meu trabalho e meu sustento”, comenta. Cada desafio ao longo dessa jornada serviu para seu crescimento e formação, transformando as mais diversas manifestações artísticas em sua própria trajetória de vida.
A partir desta edição, o público vai conhecer de perto o trabalho de artistas dos mais diversos segmentos, fazedores de cultura e empreendedores desse universo através da série especial “Luz, Câmera, Minha Arte”. Cada personagem contará um pouco de sua história, que será apresentada em formato digital (com texto e fotos) e em vídeo nas redes sociais do jornal A Praça.

Resistência cultural nas ruas e no comércio
Damião Ronald é um dos exemplos de artistas que sobrevivem encantando o público nas ruas, praças, em eventos públicos ou privados e também em portas de lojas, atraindo a atenção de clientes. Damião atua como ator de teatro, palhaço, humorista e promotor de vendas (animador de frente de loja). Entre suas criações de destaque está Jadilene, uma personagem feminina descrita por ele como “um escândalo”. Mas, antes dela, nasceu o Palhaço Telim, que posteriormente foi transformado no Palhaço Jajá. Este último dá nome à sua trupe de atores, responsável por dar vida a “personagens infantis vivos” por meio da Cia. do Palhaço Jajá.

Origens e os primeiros passos no teatro
Damião é iguatuense, ‘cria’ do bairro Santo Antônio. Ainda criança, como estudante da Escola de Ensino Fundamental Pacífico Guedes, já se destacava pelo humor e pelas brincadeiras nas apresentações escolares. A atividade teatral formal começou na adolescência, no Grupo de Teatro Amador da Paróquia de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, no bairro Prado, onde foi convidado para papéis na encenação da Paixão de Cristo.
Na década de 1990, integrou o grupo Metamorfose, participando de espetáculos infantis e do Festival de Teatro Amador de Acopiara – FETAC. Em parceria com o ator Marcelino Ramalho, formou a companhia de teatro amador Dupla Face. O primeiro espetáculo da dupla foi “Cante para eu dormir”, de Álvaro Fernandes.
O trabalho como artista de rua veio bem mais tarde. Antes, foi preciso enfrentar os palcos do teatro amador e conquistar a plateia tradicional. “Chegou em uma hora boa para melhorar a renda”, comemora Damião. “Os convites dos lojistas sempre aparecem é tanto que além de Iguatu, faço trabalho fora em outras cidades, aniversário de lojas, inaugurações, datas comemorativas.”

A reviravolta do palco para a praça
Por volta de 2005, começou a grande reviravolta na vida do artista. Damião trocou os palcos de auditórios e teatros pelas praças públicas. O gosto pelas apresentações ao ar livre o levou a montar um show de humor e a participar, por três anos seguidos, da mostra paralela do FETAC, no Polo de Lazer de Acopiara.
Foi nesse cenário que surgiu a personagem Jadilene, que hoje impulsiona vendas no comércio, inaugurações de lojas e eventos diversos. “Eu estava em casa e vi algumas moças distribuindo panfletos de promoções de lojas. Tive a ideia de oferecer o meu serviço de performance para as empresas”, conta.
Inicialmente, passou a se apresentar como o Palhaço Telim, o que rendeu os primeiros contratos. “Depois, vestido de mulher, participei do Festival de Teatro Padre Cícero, em Juazeiro do Norte. Na época, estava no ar a novela “O Clone”, que tinha a personagem Jade. Um colega fez a comparação, puxando para o nome Jadilene de forma escrachada”, relembra.
A personagem ganhou força e ocupou espaços não apenas nas ruas, mas também na televisão, integrando o programa Beco do Riso, na TV Diário, a convite do amigo e humorista Luciano Lopes (Luana do Crato). Jadilene divide sua rotina entre shows e promoção lojista.
Desafios e o futuro na Cia. do Jajá
Sobre o trabalho no espaço público, Damião observa que o início foi difícil, mas o aprendizado veio com cada desafio aceito. A resposta do público consolidou o projeto. “Quero continuar porque gosto do contato direto com as pessoas, da oportunidade de improvisar e de atrair os clientes.”
O serviço é cansativo e exige horas seguidas de atuação nas calçadas, em frente às lojas ou em desfiles sobre carros, muitas vezes sob o sol forte. Com o apoio da família e dos lojistas, o artista popular viu transformando sonhos em realidade no segmento de festas infantis. “O sorriso no rosto e o brilho nos olhos de uma criança são nossa maior fonte de inspiração. Trabalhamos com sonhos, imaginação e memórias, criando momentos mágicos que serão lembrados para sempre”, afirma.
Com o sucesso dos personagens, a Cia.do Palhaço Jajá expandiu e passou a integrar outros profissionais voltados ao público infantil. Através desse trabalho, Damião também gera oportunidades para jovens artistas locais. Eles enfrentam o calor das fantasias pesadas por horas para animar os eventos, mantendo viva a tradição do entretenimento itinerante na região.



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