
A hanseníase continua sendo um desafio para a saúde pública em Iguatu. Considerado um município endêmico para a doença, a cidade registra casos de forma constante ao longo dos anos e ainda enfrenta problemas relacionados ao diagnóstico tardio, à subnotificação e ao abandono do tratamento. Diante desse cenário, o projeto de extensão ‘Observatório da Hanseníase de Iguatu’ vem desenvolvendo ações de conscientização e acompanhamento em parceria com instituições de ensino e a rede municipal de saúde.
Coordenadora do projeto, a professora Soraia Madeira explica que a iniciativa surgiu a partir de um levantamento dos casos registrados entre 2015 e 2025. Segundo ela, alguns bairros apresentam índices de incidência considerados preocupantes, o que motivou a realização de atividades educativas permanentes junto à população. “A nossa principal meta, enquanto Observatório da Hanseníase do município de Iguatu, seria de fato a conscientização da população em procurar o atendimento em tempo oportuno, para que a hanseníase seja detectada de maneira muito mais rápida, para que aquele paciente não sofra as sequelas e que ela não se agrave”, afirmou.
Dados apresentados pelo projeto apontam que Iguatu possui atualmente entre 26 e 27 casos ativos da doença. Em 2025, o município encerrou o ano com 33 pacientes em tratamento, sendo 28 casos novos e cinco relacionados a recidivas ou transferências de outros municípios. A coordenadora da Vigilância Epidemiológica, Dágila Bandeira, ressalta que a hanseníase permanece presente de forma contínua na cidade. “É uma doença endêmica no nosso município, porque a gente tem casos. Não é uma doença que diminuiu em determinado ano e depois aumentou. É uma doença que vem constante”, destacou.

Outro ponto de atenção é o diagnóstico tardio. Segundo Dágila, muitos pacientes chegam aos serviços de saúde quando a doença já provocou sequelas permanentes. “Muitas pessoas aqui também no nosso município, quando têm um diagnóstico da hanseníase, já estão com a doença mais avançada”, alertou. A situação reforça a preocupação com possíveis casos subnotificados e com pessoas que convivem com sintomas sem procurar atendimento médico.
O perfil predominante dos pacientes diagnosticados em Iguatu é formado por homens, pessoas pardas, com idade entre 35 e 64 anos e ensino fundamental incompleto. A partir desses dados, o observatório direciona ações para os bairros com maior incidência, promovendo palestras, visitas domiciliares e capacitações para agentes comunitários de saúde, com o objetivo de ampliar a identificação precoce dos casos.
Integrante do projeto, o acadêmico de Enfermagem João Alisson destaca que o combate ao preconceito também é uma das prioridades da iniciativa. “O nosso projeto está ali, justamente, batendo de frente com essa desinformação, para neutralizar e acabar justamente com esse estigma que a população tem. Estigma tal que, às vezes, gera isolamento de pessoas”, afirmou. Segundo ele, o tratamento é gratuito e está disponível na rede municipal de saúde, além do atendimento especializado realizado no Centro de Especialidades Médicas (CEM) no “Posto Da 13 de Maio”.
As ações do Observatório da Hanseníase de Iguatu podem ser acompanhadas pelo Instagram @observhansiguatu, onde são divulgadas informações sobre prevenção, sinais da doença, orientações sobre tratamento e atividades desenvolvidas junto às comunidades.

Como identificar a hanseníase
Fique atento aos principais sinais e sintomas: Manchas esbranquiçadas, avermelhadas ou amarronzadas na pele; Áreas do corpo com perda ou diminuição da sensibilidade ao toque, calor ou dor; Formigamento ou dormência nas mãos e nos pés; Sensação de choque ou perda de força nos membros; Queda de pelos sobre as manchas; Ferimentos que não causam dor por falta de sensibilidade.

O que fazer?
Ao perceber qualquer um desses sinais, procure a Unidade Básica de Saúde mais próxima. O diagnóstico e o tratamento da hanseníase são gratuitos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Quanto mais cedo a doença for identificada, menores são os riscos de sequelas permanentes.



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