Para a designer Tércia Souza, a moda nunca se resumiu a seguir tendências passageiras ou desenhar vestuários funcionais; trata-se de uma forma autêntica de expressão, arte e construção de identidade. Em seu ateliê, montado na casa dos pais dela, no Cocobó, cercada por carretéis, croquis minuciosamente desenhados e máquinas de costura, ela constrói diariamente uma história pautada no carinho e no rigor que aprendeu a construir suas peças. “Faço não pensando em mim, mas naquela que pessoa que vai gostar de ver e de sentir-se bem ao vestir”, pontuou.
Movida pela curiosidade e pelo fascínio em transformar tecidos, a designer deu seus primeiros passos criativos reaproveitando retalhos de roupas, de tecidos. O que começou como brincadeira de vestir bonecas revelou-se a vocação de uma vida inteira.
A relação com o universo têxtil foi ficando cada vez mais forte e evidente com o passar dos anos. É tanto que até desistiu de cursar Biologia e ingressou no curso de moda, em uma faculdade em Fortaleza.
Ao longo de sua trajetória profissional, Tércia aprimorou suas técnicas no corte, na modelagem e no acabamento de peças delicadas, como a moda íntima e casual. Seu processo criativo é fundamentado na sensibilidade: a partir da observação das cores, das formas e dos sentimentos do cotidiano, nascem os primeiros traços no papel que depois ganham forma e caimento no manequim.
Ela se destaca pelo rigor no controle de qualidade e pela atenção dedicada a cada detalhe — do desenho inicial do croqui à escolha das rendas e costuras finais. A maior recompensa de seu trabalho ao longo desses anos reflete-se na transformação de quem veste suas criações: “Ver o resultado final no corpo do cliente e presenciar o brilho nos olhos dele ao se sentir confiante é o que dá verdadeiro sentido a todo esse trabalho”, afirmou. Com um olhar voltado para o conforto e a autoestima, Tércia Souza reafirma a moda como uma poderosa ferramenta de empoderamento e arte pessoal.

Da Biologia às passarelas
Trocar o certo pelo incerto e trocar a sala de aula por um sonho antigo exige coragem. Em 2011, foi exatamente essa a escolha feita por Tércia Souza. A jovem decidiu interromper a graduação em Biologia para se arriscar na faculdade de Moda, em Fortaleza, dando o primeiro passo em direção à paixão que alimentava desde a infância: criar e trabalhar no universo do vestuário.
O percurso até a formação acadêmica não foi isento de desafios. Durante a graduação, enfrentou a saudade de casa, da família. Mesmo morando longe, transformou a rotina de estudos que exigiu resiliência para concluir o curso. Formada e determinada a consolidar seu espaço, ela retornou ao interior do Ceará e hoje atua em uma conceituada empresa da indústria de confecção no município de Iguatu.
Atualmente, Tércia ocupa o posto de modelista — uma função técnica e criativa essencial para transformar ideias em produtos reais. É por meio de suas mãos e visão estética que ganham forma as peças que abastecem o mercado e conquistam o gosto do público. Os resultados se refletem na satisfação dos clientes e no desempenho das vendas das coleções assinadas por ela.






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