30 anos sem Eleazar de Carvalho

A data da morte do maestro em 12 de setembro passa despercebida dos órgãos de cultura do Ceará e de Iguatu, sua terra natal

03/10/2026

 

Considerado um gênio da música clássica erudita, o mundo das artes ainda vive sob a influência do maestro Eleazar de Carvalho. Nascido em Iguatu em 1912, o maestro faleceu em são Paulo no dia 12 de setembro de 1996 aos 84 anos. O aniversário do falecimento do gênio das ‘batutas’, considerado ícone da música clássica no Brasil e no mundo, e a omissão dos órgãos de cultura do Ceará em sequer lembrarem a data histórica gerou críticas da imprensa cearense e instituições que lidam com o gênero musical adotado pelo maestro.

Em 2026, 30 anos após sua morte, a memória de Eleazar ganha ainda mais destaque no Boulevard de acesso ao Complexo Cultural Júlio Prestes, em São Paulo, que recebeu a nomeação de Boulevard Maestro Eleazar de Carvalho, exatamente no dia 12 de setembro, data de seu falecimento.

Na entrada da Sala São Paulo, também na cidade de São Paulo, a estátua do maestro homenageia um dos grandes nomes da música clássica brasileira, que construiu uma carreira internacional, regendo algumas das mais importantes orquestras do mundo.

São gestos de reconhecimento ao maestro que teve papel fundamental na profissionalização da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo e na formação de novas gerações de músicos.

Eleazar Segundo Afonso de Carvalho nasceu em Iguatu no dia 28 de junho de 1912 e faleceu em São Paulo em 12 de setembro de 1996, às 18h30 no Hospital Sírio Libanês, aos 84 anos. O maestro foi vítima de um quadro agudo de inflamação intestinal grave em decorrência de um câncer no intestino. Em janeiro daquele ano ele havia passado por um procedimento cirúrgico, também no intestino. Nos meses seguintes o quadro de saúde se agravou e no mês de julho o maestro foi internado novamente. Entre o final do mês de agosto e o início de setembro de 1996, Eleazar de Carvalho voltou para a internação ficando definitivo no hospital nas últimas semanas de vida.

O corpo do maestro foi velado no saguão do Teatro Municipal de São Paulo e o sepultamento ocorreu no Cemitério do Morumbi, zona sul da capital paulista. Diante da representatividade de Eleazar de Carvalho para a música, o falecimento dele teve repercussão no mundo todo. O jornal Folha de São Paulo foi um dos veículos brasileiros a publicar matéria sobre o falecimento do mestre Eleazar em reportagem do dia 13 de setembro de 1996.

 

Saudade com pesar

Sônia Muniz, viúva do Maestro Eleazar de Carvalho, é pesarosa ao lembrar do marido e parceiro das obras musicais. A partida dele, naquele final de tarde, começo de noite, do dia 12 de setembro de 1996, foi dolorosa. Estava internado havia dias e debilitado pela agressividade da doença. Partiu cercado de amor e o afago da família. “Ficaram as lembranças, os bons momentos vividos e o enorme legado dele para a música clássica do Brasil e do mundo”, ressaltou.

Entre Sônia Muniz e Eleazar foi um encontro entre dois universos musicais clássicos, o dela como musicista, pianista e professora de música, e o dele, como maestro e grande dominador da batuta. “Além de maravilhoso maestro, com grande sensibilidade para criar e executar as obras musicais, ele era um apaixonado pelo Ceará, quando falava de sua terra, os olhos brilhavam”, lembrou.

Aos 86 anos usufruindo de boa saúde e disposição, Sônia Muniz se divide na execução de projetos entre o Brasil e a Europa. Ela estava em São Paulo quando conversou com a reportagem.

Sergei Eleazar de Carvalho, filho de Sônia e Eleazar, segue os passos dos pais na música. É violonista e regente também de orquestras sinfônicas.

Homenagens em Iguatu

Em sua terra natal Iguatu, o maestro recebeu homenagem em dois monumentos públicos. A Rua Eleazar de Carvalho, no bairro Bugi, e no logradouro que também leva seu nome, na Rua 21 de abril, cruzamento com a Dr. José Holanda Montenegro: monumento, projeto de engenharia e arquitetura do arquiteto iguatuense Wilson Maia Lima Verde, trata-se de uma estrutura metálica com três lados, sendo que em cada lado foi erguida uma haste inclinada que lembra a ‘batuta’ do maestro e as outras peças de metal, as partituras.

 

Biografia

Filho natural de Iguatu Eleazar de Carvalho iniciou na música ainda criança. Filho de Militar, ingressou aos 11 anos na escola de Aprendizes Marinheiros. Lá começou sua jornada musical tocando tuba. Aos 15 anos foi transferido para o Rio de Janeiro, onde fez parte da banda dos Fuzileiros Navais. Na mesma época iniciou os estudos em composição e regência na Escola Nacional de Música.

Estreou sua primeira ópera, ‘O Descobrimento do Brasil’, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro em 1939. No ano seguinte, em 1940 recebeu o diploma de maestro.

Em 1946, já diplomado, Eleazar viajou para os EUA decidido a conquistar espaço entre as grandes orquestras do mundo. Foi procurar o grande e conceituado maestro russo naturalizado americano Sergei Koussevitzky e tornou-se seu assistente em Tanglewood. Trabalhou ao lado de jovens que já eram referência na música clássica como Leonard Bernstein. Em 1947 dividiu com Leonard Bernstein a função de assistente do maestro. Eleazar estudou regência no Berkshire Music Center, em Massachusetts, foi diretor Musical da Saint Louis Symphony Orchestra. Estreou em 1950, na Europa, no Palais Beaux-Arts em Bruxelas, Bélgica. Em 1963 tornou-se doutor em música pela Washington State University. Também cursou Doutorado em Letras e Humanidades, pelo Hofstra College, em Hampstead. Foi Eleazar de Carvalho quem sucedeu Sergei Koussevitzky após sua morte, ficando no Berkshire até 1965.

A partir daí, regeu conjuntos extraordinários, como a Orquestra Sinfônica de Boston, a Sinfônica de Chicago, a Filarmônica de Nova York, a Orquestra da Filadélfia, além de importantes orquestras de Los Angeles, Londres, Berlim, Viena e Israel. Também foi professor de regência em instituições como Juilliard e Yale, renomadas universidades americanas.

Retorno ao Brasil

Quando retornou ao Brasil, atuou como Regente Titular na Orquestra Sinfônica Brasileira, no Rio de Janeiro. Foi Diretor Artístico e, Regente Principal da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre. Diretor Artístico e Regente da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo. Fundador da cadeira número 32 da Academia Brasileira de Música. Foi Diretor Musical da Saint Louis Symphony Orchestra.

Teve relevante atuação pedagógica tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil, onde seu nome é indissociável do Festival de Inverno de Campos do Jordão, Eleazar de Carvalho assumiu a coordenação musical do festival em 1973 e continuou com ele até a sua morte. Foi um dos grandes impulsionadores e diretor artístico do evento, deixando um legado pedagógico inestimável para a música clássica no Brasil. O referido Festival de Inverno acontece no Auditório Cláudio Santoro, em Campos do Jordão.

Em seu tempo de vida, Eleazar de Carvalho era conhecido por seu temperamento forte e pelo vigor de seu fazer musical, respeitado tanto no repertório tradicional, como em dois campos que ele sempre se empenhou divulgar: a música contemporânea e a brasileira.

Eleazar foi casado com Jocy de Oliveira, também musicista, com quem teve um filho, Eleazar de Carvalho Filho.

Seu segundo casamento foi com Sonia Muniz, pianista, musicista, mulher de aguçada sensibilidade para a música clássica. Desta união também nasceu um filho, Sergei Eleazar de Carvalho. Recebeu este nome em homenagem ao maestro Sergei Koussevitzky (1874–1951), que foi professor de Eleazar de Carvalho, compositor e contrabaixista russo naturalizado americano, considerado uma das figuras mais influentes da música clássica do século XX.

Boulevard Eleazar

A Sala São Paulo viveu um momento de enorme significado: o Boulevard de entrada passou a se chamar Boulevard Maestro Eleazar de Carvalho. Mais do que uma homenagem, o reconhecimento de uma trajetória que atravessou fronteiras e transformou a música brasileira. A Sala São Paulo, sede da Orquestra Sinfônica de São Paulo é o local onde Eleazar de Carvalho foi homenageado com uma estátua de bronze no acesso, e a denominação de “Boulevard Eleazar de Carvalho”.

 

OSESP
Mas sua grande obra talvez tenha sido voltar ao Brasil e colocar toda essa experiência a serviço da música brasileira. À frente da OSESP por mais de duas décadas, Eleazar foi decisivo para reconstruir a orquestra, elevar seu nível artístico, melhorar as condições de trabalho dos músicos e consolidar uma visão de futuro. Foi também uma das vozes que lutaram por uma sede digna para a orquestra – uma ideia que ajudou a plantar as sementes do que viria a ser a Sala São Paulo. Trinta anos depois de sua morte, seu nome passa a marcar justamente a entrada desta casa, onde foi erguida uma estátua de bronze em sua homenagem.

O maestro Eleazar de Carvalho assumiu a liderança da Orquestra após a reativação do grupo pelo Decreto nº 1.326, de 22 de março de 1973, assinado pelo então governador Laudo Natel. Seu primeiro concerto à frente da orquestra contou com a colaboração do Coral Paulistano, apresentando o oratório A Infância de Cristo, de Hector Berlioz. Eleazar permaneceu à frente da OSESP por 23 anos, até o seu falecimento em 12 de setembro de 1996. Sob sua direção, a orquestra estabeleceu suas primeiras temporadas de programação anual, realizou turnês pelo interior e pelo Brasil e consolidou-se como uma das principais referências da música sinfônica no país.

Eleazar não apenas regeu grandes orquestras. Ele ajudou a construir uma instituição para formar músicos, ampliar horizontes e transformar definitivamente a posição da música sinfônica no Brasil.

Agora, todos que entram na Sala São Paulo passam pelo boulevard que leva o seu nome. Uma homenagem à altura de um legado que continua vivo.

Gramado-RS

No Rio Grande do Sul foi construída estátua em homenagem ao maestro Eleazar de Carvalho, na Av. Borges de Medeiros, em frente à igreja matriz de São Pedro Apóstolo, na cidade de Gramado. O busto do maestro está bem preservado e fica no local onde ocorria a cerimônia de acendimento das luzes do evento Natal de Luz.

Eleazar de Carvalho estabeleceu uma relação muito próxima com o povo do Rio Grande do Sul e particularmente com a cidade de Gramado, município da Serra Gaúcha, conhecida como Serra das Hortências, onde ajudou a criar e implantar o evento ‘Natal de Luz’, que atrai turistas e outros visitantes do Brasil e do mundo inteiro. Eleazar de Carvalho também regeu a Orquestra Sinfônica de Porto Alegre-OSPA.

 

Testemunha viva

O maestro Allan John Lino, fundador e atual regente da Orquestra Sinfônica de Gramado, é testemunha viva da história e do legado do maestro Eleazar de Carvalho. De acordo com o músico, a ideia inicial era um projeto de iluminação, então o maestro Eleazar de Carvalho, um dos maiores regentes da história do Brasil, sugeriu transformá-lo num grande concerto de Natal ao ar livre. Segundo relatos, ele se dirigiu ao prefeito da cidade com a frase que entrou para a história da cidade: “Prefeito, acendam as luzes, que a música é comigo”. A frase marcante está assinalada numa placa fixada na parte de baixo da estátua em homenagem ao maestro.

De acordo com Allan John, naquele 26 de dezembro de 1986, cerca de 35 corais gaúchos, com aproximadamente 700 vozes e 20 Papais Noéis saíram do Lago Joaquina Rita Bier e caminharam até o centro com velas acesas nas mãos, cantando pelas ruas e diante da Igreja Matriz São Pedro, milhares de pessoas os esperavam. As estimativas da época variam entre cinco e nove mil e ali, os corais se juntaram à Orquestra Sinfônica de Porto Alegre (OSPA), regida por Eleazar de Carvalho, no primeiro concerto de Natal de Gramado.

Eleazar de Carvalho ficou conhecido como o maestro que mudou tudo. Em meados dos anos 1980, Gramado já era conhecida pelo inverno, pelo Festival de Cinema e pela Festa das Hortênsias e, quando o frio ia embora, porém, a cidade esvaziava. Dezembro era um mês de pouco movimento, e a comunidade sabia que precisava criar um motivo para o visitante voltar no verão. Foi quando nasceu o Natal de Luz.

 

Legado

O maestro Márcio Landi foi aluno de Eleazar de Carvalho. Na concepção dele, além da herança artística como maestro e intérprete, Eleazar deixou um legado muito importante voltado para a educação. Ele concebeu e lecionou por muitos anos no Festival Internacional de Campos do Jordão, e também criou seu próprio festival, o Festival Internacional de Itu que durante muitos anos teve a sua execução em Fortaleza, após a sua morte. Segundo Landi, as ações voltadas para a juventude e a formação são muito fortes mostrando a responsabilidade cívica do maestro.

Márcio Landi afirmou que Eleazar de Carvalho foi considerado um dos melhores do mundo. Segundo ele, em vários momentos, o maestro impulsionou grandes orquestras brasileiras em diversos centros como Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul e em São Paulo. “Isso mostrava a preocupação que ele tinha e sua grande abrangência e aceitação no âmbito nacional”, ressaltou.

Na visão do maestro Landim a colaboração na música clássica internacional foi gigantesca, ele talvez tenha sido o primeiro a inserir o nome de um músico brasileiro no cenário evidentemente ‘europeizado’, como é o da música clássica, principalmente o do regente.

Com pós-doutorado pela Universidade Nova de Lisboa e doutorado em Regência Orquestral pela University of Missouri-Kansas City — conquistado com a prestigiada bolsa Fulbright -, o maestro e docente Marcio Landi possui uma trajetória marcada pela pesquisa acadêmica e liderança musical. Ex-regente titular da Orquestra de Câmara Eleazar de Carvalho, Landi atua hoje como professor titular da Universidade Estadual do Ceará (UECE), onde coordena a Banda Sinfônica e Orquestra Sinfônica da instituição, além do grupo de pesquisa Investigação em Regência e Interpretação Musical (IRIM).

 

O maestro admirador

O maestro Fábio Rodrigues, Regente da Orquestra Sinfônica da UECE-Universidade Estadual do Ceará, é admirador da obra de Eleazar de Carvalho. “Vejo o Maestro Eleazar como uma referência icônica para a carreira de qualquer regente iniciante, como eu; conhecer sua trajetória e seu legado me despertou aquela inquietação de querer sair da zona de conforto e buscar novos conhecimentos e experiências na regência”, destacou.

Fábio afirmou que acompanha a história do maestro desde muito jovem e, quando aportou em Iguatu pela primeira vez, pensou realizado: “Estou na terra de Eleazar de Carvalho!” Segundo ele, essa alegria foi acompanhada de uma triste realidade: “Uma pena ter encontrado tão poucas menções a ele pela cidade, logo a esse iguatuense que se tornou um gigante da música mundial”, lembrou.

Fábio Rodrigues citou que em algumas vezes, durante as aulas com o professor e maestro Márcio Landi, surgiram pequenas histórias do seu convívio com Eleazar. “São momentos riquíssimos e cheios de sabedoria, que hoje tenho a honra de receber e guardar para o futuro”, ressaltou.

Em Iguatu, Fábio Rodrigues foi maestro da banda de música Maestro Manoel Ferreira Lima, entre 2019 e 2021, foi coordenador executivo das bandas Fanfarras de Iguatu entre 2018 e 2023, criador e professor da Camerata de Sopros na Escola de Música Popular Humberto Teixeira, nos anos de 2022 e 2023. Atualmente está no segundo ano do Bacharelado em Regência pela Universidade Estadual do Ceará.

 

Ítalo Nogueira: formação na música e influência do maestro Eleazar

Ítalo Nogueira teve sua formação na música clássica sob a influência do maestro Eleazar de Carvalho. Começou os estudos na Escola de Música Erudita Eleazar de Carvalho em Iguatu, fundada pela viúva do maestro Sônia Muniz. Participou de diversos festivais no Brasil e na Europa. No ano de 2010, ingressou no Conservatório de Artes Integradas em Briançon-França, formando-se com nota máxima e “Felicitations” do júri.

Ítalo é graduado pela Universidade Federal da Paraíba, sendo o primeiro lugar na Láurea Acadêmica, e mestre em Violoncelo pela Universidade Federal da Bahia, com a pesquisa intitulada Frevos para Violoncelo.

Na música popular, contribuiu com renomados artistas: Caetano Veloso, Alceu Valença, Zé Ramalho, Lenine, entre outros.

Atualmente trabalha como violoncelista na Orquestra Sinfônica da Bahia, Orquestra Sinfônica da Universidade Federal da Bahia, e no Quinteto da Bahia. “Acho importante frisar que eu estudei na França em 2010, participei várias vezes do Festival Eleazar de Carvalho, em Fortaleza, ganhei 2 violoncelos da senhora Sônia Muniz de Carvalho, que me ajudaram muito nos meus estudos e me possibilitaram ter o instrumento que tenho hoje”, frisou.

Em 2023, Nogueira teve a oportunidade de atuar como professor do Festival Eleazar de Carvalho, em Fortaleza: “A minha carreira, eu devo ao maestro Eleazar e a dona Sônia Muniz de Carvalho, que em 2005 criou a Escola de Música Maestro Eleazar de Carvalho em Iguatu; com essa oportunidade eu pude me aperfeiçoar na Europa, depois fazer graduação e mestrado, e hoje tocar em duas orquestras profissionais em Salvador- Bahia”, finalizou.

 

Visita, concerto e homenagem que não aconteceram

O conterrâneo de Eleazar de Carvalho, jornalista Honório Barbosa, também secretário de Cultura do município de Iguatu, ao reconhecer a importância do maestro para a música clássica do Brasil e do mundo, lamentou que o ilustre iguatuense nunca tenha retornado à sua terra natal para ser homenageado em vida, embora nunca tenha ocorrido oficialmente um convite por parte das autoridades locais.

“O maestro iguatuense Eleazar de Carvalho, regente de importantes orquestras sinfônicas, no Brasil e em outros países, é um ícone da cultura erudita. Aqui em Iguatu ganhou nome de praça e de rua. É lembrado como filho ilustre. Nunca retornou. Não posso deixar de lamentar que embora reconheça as dificuldades do passado, nunca tenha havido convite de autoridades locais em articulação com o Governo do Estado para trazer o maestro à sua terra natal para que fosse prestada uma devida homenagem. O meu sonho desde adolescente era vê-lo regendo uma orquestra no patamar da Igreja Matriz de Sant’Ana, o que nunca ocorreu”.

 

 

Eleazar de Carvalho atuou longamente como Regente Titular na Orquestra Sinfônica Brasileira, no Rio de Janeiro. Foi Diretor Artístico e, Regente Principal da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre. Foi Diretor Artístico e Regente da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo. Fundador da cadeira número 32 da Academia Brasileira de Música. Foi Diretor Musical da Saint Louis Symphony Orchestra.

Teve relevante atuação pedagógica tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil, onde seu nome é indissociável do Festival de Inverno de Campos do Jordão. Eleazar de Carvalho assumiu a coordenação musical do festival de inverno de Campos do Jordão em 1973 e continuou com ele até a sua morte, o festival acontece até hoje todo mês de julho e o maestro sempre é lembrado.

 

Tese de doutorado

O jornalista Manuel Alves Filho escreveu matéria para o jornal da Unicamp – Universidade de Campinas sobre a pesquisa desenvolvida pelo professor Fernando Hashimoto, mestre em percussão do Departamento de Música do Instituto de Artes (IA) da Unicamp.

Segundo o jornalista, o estudo que rendeu a Hashimoto o prêmio Barry Brook Award de melhor tese de doutorado do ano (2007/2008), foi defendido na City University of New York. Mais do que resgatar aspectos da vida de Eleazar de Carvalho, o trabalho recuperou um vasto material relativo à obra do músico, inclusive parte da partitura do primeiro concerto para percussão escrito no Brasil, datado de 1968, que havia sido dado como perdido.

De acordo com o professor Hashimoto, além de ser a primeira obra do gênero composta no país, a peça Variações sobre duas séries para percussão e cordas apresenta outras peculiaridades importantes.

Graças à recuperação da partitura gráfica do concerto, Hashimoto teve a oportunidade de finalmente executar a peça pela primeira vez. Isso aconteceu durante o Primeiro Encontro de Percussão do Peru, onde atuou como artista residente. Posteriormente realizou um concerto na Áustria.

 

Homenagens e distinções

– A Universidade de Fortaleza realiza anualmente, o Festival Eleazar de Carvalho.

– Recebeu em Gramado – RS (Brasil) uma estátua ao lado da igreja de São Pedro em sua homenagem.

– A Faculdade da Cantareira criou a Semana Eleazar de Carvalho.

– A OSPA dedica seu 8º Concerto Oficial a Eleazar de Carvalho.

– Uma escola em Maracanaú/CE foi nomeada em homenagem ao maestro.

– Uma escola em Fortaleza foi nomeada em homenagem ao maestro.

– Uma rua em Salto-SP foi nomeada em homenagem ao maestro.

– Uma rua em São Gonçalo-RJ foi nomeada em homenagem ao maestro.

– Uma rua em Iguatu foi nomeada em homenagem ao maestro, bairro Bugi.

– Um monumento, Praça com alusão às batutas foi construída em homenagem ao maestro em Iguatu.

– Em Sorocaba-SP há o Teatro Maestro Eleazar de Carvalho.

– Em Itu-SP há o Teatro Maestro Eleazar de Carvalho.

– A Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo estabeleceu a Semana Eleazar de Carvalho.

– A Orquestra de Música Erudita de Iguatu foi nomeada em homenagem ao Maestro Eleazar de Carvalho.

– A Empresa Brasil de Comunicação estabeleceu o Prêmio Eleazar de Carvalho.

– Em 1979 recebeu o Troféu Sereia de Ouro do Grupo Edson Queiroz, entregue pelo Sistema Verdes Mares.

– Em 1996 foi criada a Orquestra de Câmara Eleazar de Carvalho em Fortaleza, Ceará, sendo nomeada assim como homenagem ao maestro.

– Em 1996, foi admitido pelo presidente Fernando Henrique Cardoso à Ordem do Mérito Militar no grau de Oficial Especial.

MAIS Notícias

0 comentários

Enviar um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *