Rogério Gomes
Correspondente em Fortaleza
A Assembleia Legislativa do Ceará (Alece) terá uma nova configuração de forças políticas a partir de 1º de fevereiro de 2027, refletindo o resultado histórico das Eleições de 2026 realizado no último domingo, dia 4 de outubro. A nova legislatura das 46 cadeiras estaduais traz uma expressiva taxa de renovação de 56,5% (com 26 estreantes) e a maior bancada feminina da história do parlamento cearense, com 14 mulheres eleitas.
Na divisão das forças partidárias, o PSB do senador reeleito Cid Gomes conquistou a maior bancada da Casa com 13 vagas, seguido de perto pelo PT, do governador reeleito Elmano de Freitas, que garantiu 12 parlamentares, e pelo PL, que ficou com 6 assentos. O deputado estadual mais votado neste pleito foi Tancredo dos Santos (PL), registrando mais de 151 mil votos.
Com o resultado das eleições deste ano, a Alece terá, a partir de 2027, a maior bancada feminina de sua história. As 14 eleitas estão distribuídas entre cinco partidos: PL, PSB, PT, Solidariedade e PSDB. A nova composição reúne as parlamentares estreantes: Bella Carmelo (PL), Liziany Medeiros (PT), Lais Nunes (PT), Jade Romero (PT), Fabiola Carneiro (PSB), Paloma Nunes (PSB), Manu Pimenta (PSB), Georgia do Marcelão (Solidariedade) e Dra. Mayra Pinheiro (PL). Foram reeleitas Jô Farias (PT), Dra. Silvana (PL), Lia Gomes (PSB), Emília Pessoa (PSDB) e Marta Gonçalves (PSB).
No geral, a oposição sofreu uma baixa importante com a não eleição de parlamentares tradicionais. O “Café da Oposição”, encontro semanal de parlamentares que faziam oposição ao governo de Elmano de Freitas (PT), terminou as eleições estaduais com um saldo amplamente negativo. Os deputados estaduais da Assembleia Legislativa do Ceará (Alece) mais alinhados com Ciro Gomes (PSDB) enfrentaram quase 100% de baixas nas urnas, resultando em um baixíssimo índice de reeleição para o bloco.
O desfecho eleitoral representou um duro golpe para os tucanos e aliados que migraram para o PSDB com o objetivo de dar sustentação à candidatura majoritária de Ciro. Nomes de peso na bancada oposicionista ficaram sem mandato. Foram os casos de Antônio Henrique (PSDB), Cláudio Pinho (PSDB), Felipe Mota (PSDB), Queiroz Filho (PSDB), Heitor Férrer (PSDB), Sargento Reginauro (PSDB) e Lucinildo Frota (PL).
Entre os maiores entusiastas do palanque cirista e frequentadores assíduos das reuniões da oposição, a única que conseguiu garantir o retorno à Alece foi a deputada Dra. Silvana (PL). Pelo partido oficial de Ciro Gomes, a única eleita foi Emília Pessoa (PSDB), parlamentar que já integrava a sigla antes do movimento de migração do ex-ministro e que possuía uma atuação mais distante dos eventos promovidos pelo núcleo duro do candidato. As demais cadeiras conquistadas pelo PSDB ficaram com lideranças de bases regionais específicas, como Davi Benevides (ex-prefeito de Redenção) e Felipe Vasques (vereador de Juazeiro do Norte).
O “Café da Oposição” nasceu de uma articulação interna para tentar unificar os discursos contrários ao Palácio da Abolição. O espaço serviu, inclusive, como berço para o lançamento de Ciro Gomes na disputa pelo Governo do Estado.
Contudo, a força política demonstrada nas reuniões não se converteu em votos no interior e nas principais bases eleitorais, onde a máquina governista de Elmano de Freitas consolidou uma ampla vantagem. O resultado prático deixa o bloco político de Ciro severamente desidratado e sem suas principais vozes na tribuna da Assembleia para os próximos anos.




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