As ruas de Belém do Pará ganham cores, fé, resistência e sotaque tipicamente nordestino neste final de semana. Por lá, o maratonista cearense Francisco Ricardo Fernandes Santos, conhecido no atletismo como “Ricardo Cangaceiro”, chegou à capital paraense, depois de quase três dias de viagem de ônibus, para mais um dos desafios de sua carreira: 41ª edição da Corrida do Círio. Ele enfrentará os percursos de 5km e 10km correndo como de costume trajado com vestimentas tradicionais, chapéu de couro e ornamentos que lembram o cangaço nordestino. As provas de corrida acontecem hoje, sábado, 17, e amanhã, domingo, 18. O cangaceiro está inscrito nas duas provas.
Mais do que cruzar a linha de chegada, a presença de Ricardo representa uma ponte cultural profunda entre duas regiões ricas culturalmente: o Nordeste e o Norte. Aos 25 anos de criação de seu emblemático personagem, o atleta encara a tradicional prova paraense como uma forma de apresentar a resistência e orgulho de suas origens. “Tem uma semana que estou no meio do mundo, saí de Iguatu no domingo. Para chegar até aqui fui fazendo baldeação, de Campos Sales fui para Teresina no Piauí de lá vim para Belém. A volta vai ser do mesmo jeito. Os amigos me ajudaram. Deu certo. Consegui as passagens de ida e volta e o que comer no meio do caminho. É longe, não é brincadeira não. Eu pensei que não chegava nunca, mas depois que cheguei aqui já aproveitei tudo, estou conhecendo as tradições, a cultura daqui é muito rica, o povo é muito festivo e religioso, tem gente de tudo que é canto do Brasil e do mundo. Vieram para o Círio de Nazaré e também para essa corrida tradicional”, pontuou, agradecendo o apoio que tem recebido em Belém e principalmente dos amigos e parceiros do grupo de corrida de que participa, ‘Cangaceiros Runners’.
Natural de Iguatu, Ricardo Santos carrega a história no próprio sangue. Descendente real de cangaceiros — seu bisavô fez parte do bando do cangaço —, a ideia de correr fantasiado surgiu no ano 2000 após um conselho de sua mãe. O que começou como uma homenagem familiar transformou-se em um fenômeno do esporte.
Ricardo estreou o personagem na Corrida Internacional de São Silvestre no início do século e, desde então, tornou-se figura cativa e icônica nas principais maratonas do país, acumulando mais de duas décadas de história e 21 participações consecutivas na icônica prova paulista.
Ricardo é maratonista de elite e corre para valer, usando o calor da indumentária como um símbolo da própria resiliência do povo sertanejo diante das adversidades.

A Corrida do Círio
O cenário que acolhe o atleta cearense é a prestigiada Corrida do Círio, considerada a maior e mais tradicional prova de rua da Região Amazônica. Promovido pela TV Liberal, o evento em 2026 chega à marca histórica de 41 edições, dividindo suas atrações principais em dois dias de intensa atividade esportiva com largada e chegada no icônico Portal da Amazônia.
O evento conecta o esporte à profunda atmosfera de fé que envolve o Círio de Nazaré na capital paraense. Ainda de acordo com Ricardo, correr sob o céu paraense e cruzar os cenários históricos de Belém é a consolidação de mais uma missão levando a cultura e força nordestina.


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