Mãe denuncia agressões contra filho autista em creche de Iguatu

17/10/2026

Uma denúncia de agressão contra o filho de Karoline Bezerra, uma criança de seis anos com transtorno do espectro autista – TEA, nível 3 de suporte e não verbal, está sendo investigada pela Polícia Civil em Iguatu. Segundo a mãe, a criança começou a apresentar hematomas em diferentes partes do corpo após frequentar a creche Francisco Corrêa Braga. Uma monitora que trabalhava na unidade é apontada como suspeita das supostas agressões.

Em pronunciamento divulgado nas redes sociais, Karoline relatou ter percebido marcas roxas na região das costelas, lesões em um dos olhos e sinais que, segundo ela, seriam decorrentes de beliscões. A mãe também afirmou ter recebido relatos de uma criança que estudava na mesma sala do filho, apontando supostas agressões praticadas pela monitora.

A mãe questionou ainda as explicações recebidas sobre a origem das lesões. De acordo com o relato, inicialmente, teria sido informada de que o filho havia caído. Ao buscar esclarecimentos com outras profissionais da unidade, porém, afirma ter recebido informações divergentes sobre o ocorrido.

Karoline também relatou que, durante uma conversa com a direção e outros profissionais da creche, foi informada de que o filho permanecia sentado por longos períodos, não participava do recreio e fazia as refeições dentro da sala. Segundo ela, a situação levantou questionamentos sobre as condições de acompanhamento da criança na unidade.

Um laudo do Instituto Médico Legal (IML), apresentado no contexto da denúncia, apontou lesões compatíveis com agressão, conforme as informações divulgadas pela família. O caso foi levado à Delegacia Regional de Polícia Civil de Iguatu para investigação.

Investigação
A advogada Márcia Teixeira, que acompanha Karoline, afirmou que protocolou requerimento solicitando que as monitoras que atuavam na sala de aula da criança sejam ouvidas pela Polícia Civil. A medida busca reunir informações sobre a rotina da turma e esclarecer as circunstâncias em que as lesões teriam ocorrido.
Segundo a advogada, a mãe também pretende apresentar mensagens e outros elementos que possam contribuir com a apuração. Márcia relatou ainda que, ao procurar a delegacia para verificar o andamento do caso, tomou conhecimento da existência de um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) registrado contra sua cliente, por suposto crime de calúnia, a partir de uma iniciativa da direção da creche.

A advogada questionou a postura adotada pela instituição diante das preocupações apresentadas pela família. Segundo ela, sua cliente não recebeu a assistência e a demonstração de preocupação com o bem-estar da criança que considerava necessárias diante da situação relatada.

Criança e suspeita
A criança atualmente está matriculada em outra instituição de ensino. A mudança ocorre após a denúncia envolvendo a unidade em que estudava anteriormente.
Embora a reportagem tenha conhecimento da identidade da profissional apontada como suspeita, optamos não divulgar o seu nome por não se encontrar na condição de indiciada. A matéria optou ainda por não divulgar o nome da criança, considerando sua idade e a necessidade de preservar sua identidade, especialmente diante da condição de vulnerabilidade e da natureza dos fatos investigados.

Desligamento
A secretária municipal de Educação, Nathalia Bastos, manifestou-se sobre o caso nas redes sociais e confirmou o desligamento da monitora apontada como suspeita. Na ocasião, também ressaltou o compromisso da pasta com a qualificação dos profissionais.

A reportagem procurou a monitora citada na denúncia para que pudesse apresentar sua versão dos fatos, mas não conseguiu contato até a publicação deste texto.

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