Por Rafaela Guedes Machado Bezerra
A Constituição Federal de 1988 estabelece a dignidade da pessoa humana como princípio fundamental e assegura direitos sociais básicos, como moradia e assistência. Contudo, a permanência de indivíduos vivendo nas ruas das grandes cidades brasileiras evidencia a distância entre a norma jurídica e a realidade social. Nesse cenário, a invisibilidade dos moradores de rua revela não apenas a insuficiência das políticas públicas, mas também a indiferença coletiva diante da exclusão, configurando um problema estrutural que precisa ser enfrentado.
Sob essa perspectiva, o documentário brasileiro “Estamira” (2004) torna-se um importante instrumento de reflexão ao retratar a vida de uma mulher em extrema vulnerabilidade que sobrevive em um lixão no Rio de Janeiro. A obra evidencia o abandono estatal, a precariedade das condições de existência e a ausência de acompanhamento psicológico e social, elementos que demonstram como pessoas em situação de rua são frequentemente ignoradas pelo poder público. Dessa forma, o filme denuncia a negligência institucional e explicita a violação da dignidade humana, contribuindo para compreender a profundidade da invisibilidade social que atinge essa população.
Ademais, a realidade apresentada em “Estamira” também expõe a naturalização da marginalização por parte da sociedade. A convivência cotidiana com a miséria urbana faz com que muitas pessoas reconheçam os moradores de rua como sujeitos sem direitos, reforçando estigmas e dificultando sua reinserção social. Tal processo perpetua ciclos de marginalização e impede a construção de soluções coletivas, mantendo essas pessoas à margem da cidadania plena.
Portanto, é imprescindível combater a invisibilidade social dos moradores de rua. Para isso, o Governo Federal, em parceria com estados e municípios, deve ampliar políticas de habitação social, centros de acolhimento e atendimento psicossocial contínuo, garantindo condições reais de reinserção social e profissional. Paralelamente, os meios de comunicação e as instituições de ensino precisam promover campanhas de conscientização que estimulem a empatia e valorizem a dignidade dessa população. Somente com ações articuladas, será possível transformar a realidade denunciada em “Estamira” e construir uma sociedade verdadeiramente justa e inclusiva.
Rafaela Guedes Machado Bezerra é filha de Leila Guedes Machado e de José Bezerra Neto. Estudante do 3º ano “B” da Escola Modelo de Iguatu

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