
Francinildo Lima é Advogado e Corretor de Imóveis
A Lei Áurea assinada em 1888 no Brasil marcou o fim da escravidão e o começo de um novo sofrimento. Na época estima-se que 700 mil negros escravos foram libertos com a referida lei. A nova vida sem escravidão dava ao escravo o direito de ir para onde quisesse, mas a grande questão era: ir para onde se não tinha lar, emprego, perspectivas?
Estando nessa condição muitos escravos libertos sem o apoio do governo passaram a vagar pelos campos a procura de familiares e empregos, os quais foram separados durante o mercantilismo escravagista, muitos sendo acusados de vadiagens pelos senhores de fazendas.
Ao contrário do que faziam com os recém-libertos, o governo incentivava a vinda de europeus brancos, doando terras, isentando impostos com o objetivo de “clarear” o país e assim tentar apagar a imagem do negro liberto.
Sem espaço e trabalho remunerado no campo, muitos foram para os centros urbanos da época e ocuparam cortiços, pequenos casebres, com subemprego de pedreiros, domesticas, entre outros na época sem valor laboral. Como resultado surgiram as periferias, ocupações de morros em especial nas grandes cidades da época como Rio de Janeiro, Salvador e Recife.
Além de tudo o que viveram no que se diz respeito às suas moradias, muitos não tiveram acesso à educação, trabalho digno e em especial à cidadania, sendo remetidos à margem social daqueles tempos.
O resultado de toda essa cronologia aqui apresentada se verifica atualmente na maioria das vias urbanas em especial das grandes cidades brasileiras, com a predominância de favelas, moradias em áreas de riscos, falta de saneamento básico, entre outras mazelas sociais que permeiam as áreas urbanas das grandes cidades, as quais eram as que existiam na época da colonização e período imperial em nosso país.
Por fim, trazemos nessa coluna de hoje fatos que realmente são provas indiscutíveis de que o nosso país foi desde a sua colonização, administrado com um objetivo claro que sempre foi privilegiar uma classe de pessoas, que certamente ainda teremos muitas décadas para que possamos ter cidades que atendam os objetivos da Agenda 2030 da ONU, que é um plano de ação global estabelecido em 2015 por 193 países-membros (incluindo o Brasil) que define 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e 169 metas para erradicar a pobreza extrema, combater as desigualdades e proteger o meio ambiente até 2030, estando nessa seara o combate às desigualdades e ausência de moradia para todos os povos.
Bom fim de semana!

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