A origem dos símbolos do Advento/Natal – parte II

28/12/2024

Prof.ª. Drª. Jaquelini de Souza

Historiadora e professora efetiva da URCA

O primeiro domingo do Natal se aproxima e em sua casa a árvore está montada. Você irá esperar o Dia de Reis, ou a Epifania do Senhor quando oficialmente encerra o tempo de Natal para desmontá-la, mas você sabe a origem da Árvore de Natal e como ela se espalhou pelo mundo?

A tradição começa com São Bonifácio, conhecido como o “apóstolo dos povos germânicos”. Ele foi um monge beneditino inglês que nasceu por volta de 680 d.C. e foi enviado para evangelizar a antiga Germânia (Atual Alemanha), ainda não cristianizada. Por volta do ano 723 d.C., já bispo de todos os territórios da Germânia, se deparou com um ritual em homenagem ao deus Thor.

Uma criança seria sacrificada em honra a Thor em um carvalho, árvore sagrada para os germânicos. Para impedir a morte da criança, ele estendeu seu báculo de madeira e o machado de pedra do sacerdote de Thor partiu-se em pedaços. A criança foi salva e é este milagre atribuído através dele que ajudou na conversão dos germânicos.

Segundo a tradição, isto ocorreu no dia de Natal e para dessacralizar o carvalho de Thor, Bonifácio propôs uma nova árvore, o pinheiro, ele teria dito: “Esta arvorezinha, este pequeno filho do bosque, será nesta noite a vossa árvore santa. Esta é a madeira da paz; este é o sinal de uma vida sem fim, porque as suas folhas são sempre verdes. Olhai a sua ponta voltada para o Céu. Esta será a árvore do Menino Jesus! Reuni-vos em torno dela, não mais no bosque selvagem, mas dentro dos vossos lares, ali haverá abrigo e não ações sangrentas, ali haverá presentes amorosos e gestos de bondade. ”

Assim o costume teria permanecido na Alemanha, Martinho Lutero teria sido o primeiro a ter a ideia de enfeitá-la, o fez com fitas e velas. Como a Reforma dividiu a Alemanha e a maneira luterana de usar a árvore de Natal se tornou mais popular, criou-se uma associação a Lutero e perdeu-se a identidade com São Bonifácio e os católicos alemães deixaram de praticar o costume.

Porém em 1840, a rainha Vitória da Inglaterra casou-se com um príncipe alemão luterano, o príncipe Albert e saudoso dos costumes natalinos de seu país e de sua igreja, introduziu a árvore de Natal na família real britânica que é anglicana. O príncipe fez uma verdadeira campanha para a adoção do costume no país em escolas, quartéis, hospitais e incentivou as famílias a montarem a sua em suas casas. Funcionou e o costume se espalhou por todo o Império Britânico.

Tornou-se uma tradição tão forte que durante a trégua de Natal em 1914 durante a Primeira Guerra Mundial, o pinheiro enfeitado apareceu em uma ilustração feita pelo jornal The Illustrated London News de 9 de janeiro de 1915 que destacou o fato, a confraternização de soldados franceses, ingleses e seus inimigos alemães. A Igreja Católica oficialmente introduziu a Árvore de Natal em 1982 durante o papado de João Paulo II, quando uma árvore foi montada no Vaticano. E esta é a história da árvore de Natal, que nasceu com um santo católico, a forma moderna teria sido inventada por Martinho Lutero e espalhada pelo mundo graças a um príncipe luterano que se casou com uma rainha anglicana. Aguarde o último, falta Papai Noel!

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