A vida de superação de ‘Agenorzinho do mercado’

12/09/2026

Francisco Agenor de Lima Silva está perto de completar 60 anos. Conhecido popularmente como ‘Agenorzinho do mercado’, ele é a própria superação em pessoa. Um homem que luta diariamente para ter uma vida normal. Apesar das limitações que o impedem disso, ele é daquelas pessoas que não desistem. Portador de um tipo de deficiência física que o limita para caminhar, Agenorzinho precisa recorrer ao auxílio da cadeira de rodas para se deslocar e cumprir suas tarefas do dia a dia. Mas não poder caminhar não tira dele os méritos de ser dedicado e disciplinado, para ser o mais independente possível. Ele faz questão de trabalhar, ocupar a mente, interagir com as pessoas e voltar para casa tranquilo após o cumprimento de cada jornada.

Nascido numa família de 14 irmãos na zona rural de Icó, Agenorzinho chegou a Iguatu quando tinha cinco anos de idade. Seus pais Agenor Menezes da Silva e Joseneide Benício Lima e Silva, já falecidos, foram pessoas muito importantes em todas as fases da vida dele. “As coisas foram menos difíceis, porque meus pais nunca desistiram de mim”, contou. O leitor pode até imaginar as dificuldades para os pais com uma prole de 14 filhos, descobrir que um deles deficiente vai conviver pelo resto da vida.

Agenor foi vítima de poliomielite, doença grave infectocontagiosa causada por um vírus, o ‘poliovírus’ que provocou paralisia nas duas pernas, quando ele tinha pouco mais de um ano de idade. Foi num período em que a poliomielite vitimava a números de horror, e mais do que isso, deixava as pessoas sequeladas ainda na infância.

Ser deficiente não faz dele um homem acomodado. Seu otimismo, sua perseverança e resiliência fazem dele um cara capaz de ser inspiração para outros, que na sua mesma condição, se entregaram ao desânimo e a vitimização.

Contudo, ser portador de deficiência e receber benefício previdenciário também não faz dele um inválido. Para complementar a renda de casa, Agenor ‘faz bico’ como vendedor de bilhetes de loteria. Diariamente, de segunda a sábado, ele está na Av. Agenor Araújo, na calçada do mercado, onde organiza seu ponto de venda. Ali vende bilhetes da sorte da loteria estadual, jogo do bicho e outras loterias. Tem sua clientela fidelizada. As atividades do ‘bilheteiro da sorte’, a interação com o público na rotina do mercado, conversar com as pessoas, ouvir e contar histórias é o melhor passatempo do seu dia. É como se fosse a segunda casa para ele. Cada cliente, como se fosse parte de sua família. “Tenho muitos amigos, o carinho deles, o afeto, o cuidado comigo é algo que não há dinheiro que pague e me dá forças em todos os dias”, ressaltou ele.

Desde os 9 anos de idade trabalha na área do mercado público. Por cerca de 20 anos atuou como vendedor de temperos, depois migrou para vender bilhetes de loterias. Em 30 anos na atividade já perdeu a conta de quantas pessoas ganharam prêmios com os bilhetes que vende. “Cada pessoa que ganha prêmio comigo é uma felicidade sem tamanho, fico feliz em ver a felicidade daquela pessoa, porque acreditou em si mesmo e ganhou”, lembra.

 

Independência

Agenorzinho sempre lutou pela independência. Sua meta é superar as limitações na medida de suas condições físicas. Todo dia sai de casa para trabalhar dirigindo o próprio carro adaptado. A esposa Antônia Marusa, com quem está casado há 28 anos, é sua companheira de todos os dias. Ela o ajuda a subir no automóvel, colocar a cadeira, equipamento que usa para se deslocar do carro até o ponto de venda dos bilhetes. Sua generosidade como pessoa é recíproca, pois sempre encontra alguém pronto para lhe ajudar a descer do carro, conduzir a cadeira, superar as dificuldades.

Em casa, nas tarefas simples como ir ao banheiro, tomar banho, dormir, sentar à mesa para comer, assistir aTV, Agenorzinho consegue executar com normalidade. A casa foi totalmente adaptada para melhor convivência e conforto. “Sou grato a Deus, todos os dias, por tudo que Ele me deu e dá. Sei que Ele me dá sempre mais do que preciso. Sou e serei sempre fiel”, encerrou.

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