O jornal A Praça, 4 anos depois, volta ao local para mostrar o andamento da ação iniciada pelo estudante Wemerson Duarte, atualmente com 15 anos. Moradores continuam parceiros, e a Escola Municipal Francisco das Graças Alves Berto, CAIC, inspirada na ação do jovem garoto, vai implantar o projeto dentro da escola.
Entre março e abril de 2021, Wemerson Duarte iniciou o plantio das primeiras mudas de árvores nativas e frutíferas na praça do bairro João Paulo II, em frente à igreja de São Marcelino Champagnat. O garoto, na época com 11 anos, teve a iniciativa de devolver ao local plantas que foram destruídas e outras mortas. “Quando comecei a cuidar das plantas na praça, foi quando comecei a participar da igreja. Tinha umas árvores que já estavam crescendo e mataram essas plantas colocando óleo queimado, foi quando eu me perguntei por que estavam fazendo isso com as plantas. Antes, a praça era bonita cheia de plantas. Foi quando eu pensei em plantar novamente, pedi ajuda de alguns moradores em frente à praça e a gente plantou azeitona, tamarindo, coco, e várias outras plantas. Foram crescendo e hoje algumas estão se desenvolvendo, outras morreram”, pontua Wemerson que passou a contar com o apoio de vizinhos.
O jovem estuda em tempo integral e teve que reduzir a atenção ao equipamento, mas sempre que pode continua ajudando a aguar as plantas, fazer novos plantios e manter o projeto iniciado há quatro anos. Na época em conversa com o A Praça, Wemerson destacou que tinha o sonho de ver a praça bem cuidada e principalmente verde e florida, ação que despertou a atenção de moradores. “Antes eu aguava todos os dias às6h, mas estava me atrasando para ir à escola. As vizinhas passaram a cuidar. A Nadir assumiu uma parte que aguar, o marido dela até plantou um pé de manga. Ele quando chega do trabalho irriga as plantas. Também a Dêga e a Toinha ficaram com outra parte, fizeram tipo uma pracinha, um espaço bem agradável e arejado, bonito, cheio de plantas, flores de verde. Isso me deixa feliz porque eu pensava que as plantas iam morrer. Esse projeto é muito bonito para nossa comunidade do João Paulo II”, pontuou Wemerson.
Incentivadores
Muitos incentivadores e familiares do ‘guardião da natureza’ continuam ainda apoiando a iniciativa hoje. No local não tinha árvores, atualmente muitas delas já fazem sombra, entre esses o pé de azeitona, uma das primeiras plantadas por ele.
A praça que cerca a igreja do bairro não tem torneira disponível com água. Mas, Francisca Paula, Dêga, como é conhecida, é uma das moradoras que adotou um pedacinho do local, comprou até mangueira e da casa dela tira água que ajuda a manter viva e verde as plantas. “Quando eu cheguei, vi o Wemerson, que era muito pequeno, fazendo esse trabalho e me motivou porque eu gosto muito de plantas, e comecei a plantar mais ele. Tem pessoas que não respeitam, quebram. Eu e minha vizinha resolvemos fazer esse espaço para gente aproveitar a sombra para todos nós moradores. Temos que zelar por ele. Aqui é um espaço nosso”, comentou Dêga.
Diante do trabalho e responsabilidade desempenhados pelo jovem, a escola Francisco das Graças Alves Berto, CAIC, onde Wemerson estuda, inspirada na ação do aluno, está iniciando o projeto para arborização de espaços da unidade de ensino. “A gente já conhece o trabalho do Wemerson, e convidamos ele para nos ajudar a desenvolver um projeto na escola. Ele topou na hora e vem ajudando a gente. Tivemos uma reunião para marcar o início da implantação. Esse projeto é muito maravilhoso e vamos levar para nossa escola CAIC”, destacou Gilderlânia Benigno, funcionária da escola.
Não só a direção apoia, mas professores e os próprios alunos estão se engajando nessa ideia de trazer mais verde para dentro da escola, como destaca o aluno Cícero Maycon. “Fiquei motivado a entrar nesse projeto porque estamos sentindo esse calor ultimamente. E plantando árvores a temperatura fica muito amena, bem agradável mesmo”, disse.
Antes do crescimento das árvores, Wemerson irrigava as plantas utilizando garrafas plásticas, com um suporte feito pelo metalúrgico Francisco de Mel, que fez as bases de ferro para sustentar as garrafas plásticas que molham o chão por gotejamento. Atualmente, as plantas recebem água por balde, como muitas cresceram o sistema de irrigação não serve mais. E assim, com a doação de balde de água de um de outro vizinho, Wemerson e outros cuidadores da praça mantêm o espaço mais verde e cuidado.









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