Os ‘biguás’, aves migratórias que têm Iguatu como destino a cada estação chuvosa do ano, proporcionam beleza vistas no alto, no céu da cidade. As revoadas desta e outras espécies começam no final da madrugada, quando já há claridade. As aves levantam voo de lugares onde ainda existem resquícios de água, vegetação típica dos mananciais de lagoas e alimentos. Esses locais são conhecidos como ‘sobras’ do complexo de lagoas de Iguatu, ainda não exploradas comercialmente.

Mas uma espécie em particular proporciona um espetáculo extraordinário nas primeiras horas da manhã e nos finais de tarde: o ‘pato-preto’ ou ‘biguá’ uma alusão à cor da ave, que tem nome científico Nannopterum brasilianum.
Alan Marcel, observador de natureza, fotógrafo e acadêmico de Artes Visuais, está realizando estudo científico sobre aves migratórias que passam anualmente pelas lagoas de Iguatu, incluindo da Bastiana, de Iguatu, do Saco, do Barro Alto e do Julião. Uma das aves da pesquisa dele é o ‘tapicuru’ (Phimusus infuscatus), ave pelecaniforme, que tem o bico grande e alongado, de penas pretas e com iridescência esverdeada, sua cara é amarela. De acordo com o pesquisador, esta espécie vive nas margens de lagoas e rios onde usa seu grande bico para caçar alimentos. Atualmente o tapicuru se reproduz e se alimenta nas lagoas de Iguatu e é muito fácil vê-lo no céu da cidade.
Em relação ao pato-preto (biguá), o fotógrafo explicou que é uma espécie que migra de uma região a outra acompanhando as fases de chuvas. “É um pato que mergulha e caça seu alimento embaixo da água”, afirmou. Conforme Alan Marcel, a espécie se desloca em bandos com formações da letra ‘V’ invertida e costuma migrar do Norte do Brasil, Pará, Amazonas, oeste do Maranhão e parte do Centro-oeste, para se reproduzir aqui.
No começo da manhã deste sábado, 28, a reportagem visitou o ninhal desta e outras espécies, num braço da lagoa do Julião, próximo ao loteamento Terra Bela. Conforme explicou o pesquisador, o final da quadra chuvosa geralmente coincide com a fase de voo dos filhotes, então é quando as aves migram para outra região, a estação chuvosa está começando.

Baile majestoso
Os bandos de Nannopterum brasilianum levantam voo das lagoas, por volta das 05h40 e viajam na imensidão do céu azul ou nublado, para outros lagos, rios e lagoas da região, onde permanecem durante o dia e retornam no final da tarde, proporcionando novo espetáculo da natureza. Essas reservas de água parada provavelmente estão no açude Orós, rio Jaguaribe e Castanhão, três dos maiores mananciais de água doce, onde as espécies caçam seus alimentos, insetos, sementes e principalmente pequenos peixes.
Quando levantam voo pela manhã, voam em bandos, numa sincronia perfeita, como se estivessem num salão da corte real, num baile majestoso de dança clássica ao som magnifico de uma orquestra, em que todos dançam harmonicamente num balé coletivo, dando voltas no céu, formando figuras tridimensionais, às vezes em forma de triângulo, outras em forma de asa delta, em espiral ou numa linha tênue tendo o horizonte como limite.
As aves repetem este ritual diariamente enquanto permanecem aqui. Um espetáculo a céu aberto, que pode ser visto a olho nu, de praticamente toda a cidade. Curioso é imaginar como as aves se comunicam tão bem entre si, já que alçam voo ao mesmo tempo, seguem a mesma direção e nunca se chocam no ar. Parece uma coreografia cuidadosamente ensaiada e executada no limite do céu.
O ninhal no braço da lagoa do Julião é o local de concentração e reprodução da espécie. As garças brancas também escolheram o braço da lagoa do Julião para construir o ninhal. São centenas de milhares circulando pela água e no ar, fase também de reprodução. É quando a mamãe garça se recolhe ao ninho para gerar seus filhotes.




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