
Aos 27 anos, a iguatuense Alana Alencar escreveu seu nome na história do futsal feminino ao conquistar a Copa Libertadores com o Taboão Magnus, marcando gol na final contra o All Boys, da Argentina, e ajudando a garantir a vitória por 3 a 2. No momento mais alto da carreira, ela fez questão de erguer não só o troféu mas também a bandeira de Iguatu, como quem abraça seu povo mesmo estando a milhares de quilômetros de casa.
A jornada da atleta, no entanto, começou longe dos grandes ginásios e das arquibancadas cheias. Começou na poeira do Sítio Riacho Vermelho, jogando bola com os primos, meninos e meninas da vizinhança, enquanto acompanhava o pai agricultor em seus jogos.
Filha de uma mãe costureira e de um homem acostumado ao sol forte do campo, Alana cresceu entre linhas, retalhos, enxadas e sonhos sempre com uma bola nos pés. “Sempre gostei de jogar futebol, assim foi toda minha infância”, relembra. “O que eu mais amava era jogar com meus primos e ir pros jogos com meu pai”, disse.
Da escola ao mundo
O talento começou a ganhar forma nos corredores do Liceu de Iguatu, onde, treinada por Bêu Paulino, conquistou títulos escolares e descobriu que o futsal não era apenas brincadeira de infância, era destino. Depois, no Corinthians (equipe da cidade), recebeu mais disciplina, treinos e o entendimento profundo do jogo sob o comando de Mulato e Erika. “Tenho um carinho imenso pelos dois”, diz.
O apoio de amigos, professores e, principalmente, da família, foi o combustível para seguir. Mas nem tudo foi simples: “A maior dificuldade é ficar longe de quem amamos e perder momentos que jamais serão resgatados.”
Ainda assim, quando surgiu a primeira chance no profissional, ela não hesitou: mudou-se para Fortaleza, jogou pela UNIFOR, encarou competições nacionais, amadureceu, sofreu, trabalhou duro – e venceu. Passou também pelo Sumov, somando títulos e aprendizados até chegar onde está hoje: no topo.

Muito trabalho
A rotina de atleta de alto rendimento exige mais do que força física: exige mente firme. “Somos muito exigidas o ano todo. Treinos diários, jogos, cansaço. A glória é construída no dia a dia.”
E foi exatamente essa construção silenciosa, repetida e insistente que permitiu a Alana viver momentos indescritíveis na Libertadores. “Levantar o troféu não tem explicação. É mágico. Foi uma final histórica. Uma virada mágica. Meu gol nos empurrou até a vitória”, contou.
As primeiras pessoas que receberam sua mensagem após o título? “O grupo da minha família: meus pais, minha irmã, minha sobrinha e meu cunhado”, conta com orgulho que não cabe em palavras.
Mesmo vivendo há anos nos principais palcos do futsal brasileiro – onde já conquistou Liga Nacional, Copa do Brasil (três vezes), Taça Brasil (três vezes), Supercopa, Paulista (duas vezes) e ainda soma convocações para a Seleção Brasileira – ela nunca esqueceu de onde veio. “Representar meu povo sempre será uma honra. Levo minhas origens comigo”, disse.
Mas Alana também sabe das dificuldades do esporte na cidade onde cresceu e deixa um recado para as crianças e jovens iguatuenses. “Não desistam dos seus sonhos, por mais distantes que pareçam. Quando a gente sonha e busca com todas as forças, eles acontecem”, afirma.
Futuro
Agora, com férias chegando e decisões importantes no horizonte, a atleta revela um desejo que carrega no peito. “É um sonho poder ajudar toda criança, todo jovem que queira viver do esporte na nossa cidade”
Do Riacho Vermelho ao topo da América, da bola no terreiro ao gol na final da Libertadores, Alana prova que talento abre portas, trabalho as mantém abertas, e raízes mostram o caminho de volta.
Ela reforça que as meninas de Iguatu precisam ser vistas, lembradas e valorizadas. “Podemos estar onde quisermos. Podemos realizar sonhos e inspirar pessoas”, disse.




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