Conheça Luzia Alves, a servente de pedreiro que vai ser engenheira

04/10/2025

Com pai pedreiro, a estudante de engenharia civil Luzia Alves, 24, busca crescimento profissional e pessoal, alinhando a teoria à prática. Ela também é servente do setor da construção civil, área com que se identificou e passou a trabalhar ajudando o pai, como diz, se tornou uma paixão.

Nem o sol escaldante do dia a dia, o ajudar a descarregar mercadorias, encher e carregar carrinho com brita, areia, tijolos, cimento, rebocar paredes, cavar alicerce, cortar cerâmica, são obstáculos para Luzia desistir desse trabalho. Diariamente, junto com o pai, outros familiares e profissionais da área, entre pedreiros, serventes, encarregados, engenheiros, arquitetos e donos de obras, ela está fazendo seu trabalho, sem fazer corpo mole, pelo contrário. “Meu pai até pede para eu não me esforçar muito, pegar no pesado, mas eu sei até quanto eu aguento. É mais cuidado mesmo e zelo de pai”, contou Luzia, enquanto enchia um carrinho com britas para espalhar em uma das casas em construção, em um loteamento na Penha.

A frase: “Lugar de mulher é onde ela quiser” faz muito sentido quando se conhece um pouco da história dessa jovem acadêmica do quarto período do curso de Engenharia Civil, da Faculdade São Francisco do Ceará – FASC. Como ela mesmo disse: “Prova de que a força de vontade não tem gênero”, através do trabalho e dedicação aos estudos, mesmo com todas as dificuldades, Luzia tem vencido barreiras e desafiado estereótipos.

Quando sai do trabalho, passa em casa, toma banho e corre literalmente para a faculdade. A força necessária para carregar um carrinho de brita ganha lugar na concentração para aprender Física e Matemática nas aulas. “Aqui o esforço é diferente. Lá trabalho o físico, aqui é a física, a matemática, a mente que passa a se esforçar mais. E graças a Deus vem dando certo”, ressalta.

Ao lado do pai Zé Leniton, outros familiares e colegas de trabalho, a futura engenheira mostra na prática a desconstrução de preconceitos. “Sou técnica em edificações. Trabalhei como representante de vendas, vendedoura, mas sempre tive vontade de fazer mais, de aprender mais na construção civil, além do trabalho feito aqui. Tentando aprender dia a dia cada vez mais, aprendendo também com meu pai e sigo aprendendo na faculdade e na vida”, pontuou.

Não diferente de outros trabalhos e lugares onde a presença maior é masculina, Luzia relata que também sofreu preconceito. “De início sofria muito preconceito, mas depois o pessoal foi compreendendo. Aqui a gente trabalha em família, meu pai, meu tio, meu cunhado, nesse canteiro de obras. Eles me apoiam, me ajudam sempre, mas em questão de outros rapazes sofri muito preconceito, bullying, por ser mulher, estar trabalhando num canteiro de obras, mas eu nunca dei ouvidos, tem que ser resiliente e levar em consideração aquilo que nos faz crescer, que nos faz forte”, declarou.

Na obra e na faculdade

Conciliar o trabalho com os estudos é bem ‘puxado’, mas para Luzia tudo é aproveitado. “Aprendi com meus professores e tenho buscado colocar em prática. É cansativo, mas a gente tenta conciliar. O cansaço, coloco de lado e tento conciliar o trabalho e a faculdade juntos. Eu aprendo aqui e aprendo lá. Aprender na teoria e colocar na prática para que os resultados sejam positivos. A construção civil encanta quem conhece e quem não conhece, desde os primórdios. Eu sou muito feliz. Por mais que seja mulher, por mais que tenham empregos que me ofereceram mais fáceis, sem o calor, sem o pesado, sem fazer esforço, eu sou muito feliz na construção civil. O que me identifica porque é uma área que amo, desde pequena, desde que passei a conhecer essa área a maior parte desse amor foi vendo meu pai trabalhar. Ele que me ensinou a amar, a construção civil e me passa esse amor. Tentarei ser uma boa engenheira civil, uma boa pessoa”, destacou.

Apoio

Apoio da família, da mãe e também da esposa dela, é incentivo para seguir na profissão e no futuro trabalho que escolheu para vida. É o que também diz José Lenito, mestre de obra, pai da Luzia. “Eu me sinto feliz, tenho orgulho de trabalhar com minha filha. Ela além de trabalhar, decidiu estudar. É o que ela quer. Eu apoio e espero que vá em frente. Eu sei quando ela se formar, acredito que vai ter poucos engenheiros que vai ter a cabeça e a formação de vida que ela vai ter. Papel é uma coisa e a prática é outra. Graças a Deus, está na metade dos estudos. Logo, logo vai estar formada”, contou orgulhoso o pai.

Luzia compartilha um pouco da atividade nos canteiros de obra no perfil dela no Instagram, basta pesquisar Luzia Alves Melo, ou @lu_alves,777, para seguir e conhecer mais do trabalho de Luzia Alves: técnica em edificações, servente da construção civil e futura engenheira civil.

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