De menino prodígio em Iguatu aos palcos de rede nacional: conheça Lucas do Acordeom

05/09/2026

Aos cinco anos de idade, enquanto a maioria das crianças descobria os primeiros brinquedos, o pequeno Lucas Pereira da Silva já segurava o fole de uma sanfona e tocava como gente grande.

Conhecido carinhosamente como Luquinhas na Vila Neuma, em Iguatu, o garoto prodígio teve seus primeiros passos registrados nas páginas do jornal A Praça. Hoje, aos 23 anos, o músico atende pelo nome artístico de Lucas do Acordeom e constrói sua carreira em palcos de todo o Brasil.

Das primeiras apresentações para o público no Mercado Municipal, no Abrigo Metálico, em praças, ruas e até em eventos públicos entre esses o Iguatu Festeiro, agora os palcos e o público mudaram, o território cresceu, não é mais só restrito a Iguatu, os palcos pelo Brasil têm recebido o talentoso sanfoneiro e grupos musicais. Atualmente faz parte da banda da dupla Berg Rabelo e Silvânia. O iguatuense tem aparecido até na televisão.

Início

A paixão pelo instrumento começou cedo impulsionada pelo apoio do pai Marciano Silva, e também da mãe Francisca Edinete. Autodidata no início, Lucas aperfeiçoou seus primeiros acordes com o sanfoneiro e professor Paulo Cascavel. Mais tarde, matriculou-se na Escola de Música Popular Humberto Teixeira, onde seu talento diferenciado e a facilidade para aprender se destacaram entre os alunos.

A trajetória do jovem instrumentista contou com o empenho de incentivadores e apoiadores locais. O amigo da família Antônio Pereira (conhecido como Antônio Baixinho) e o produtor cultural Michel Prudêncio foram fundamentais para divulgar o talento do menino. Juntos, ajudaram a organizar apresentações em rádios, eventos regionais e em cidades vizinhas, além de promoverem encontros de Luquinhas com grandes nomes do forró, a exemplo do sanfoneiro Valdonys, Wesley Safadão, Xand Avião, a antiga dupla Italo e Renno, entre outros tantos nomes do cenário musical nacional.

O ex-prefeito Agenor Neto também abriu portas ao liberar espaços e oportunidades nos eventos municipais, como o tradicional Iguatu Festeiro, no projeto Baião na Feira. Lucas participava também de apresentações do Sesc entre outros eventos que aconteciam em Iguatu.

Após passagem por Santa Catarina, a família retornou a Iguatu, onde Lucas continuou construindo sua base musical tocando ao lado de artistas locais, como Dedé Castro. Mais adiante, por intermédio de Paulo Cascavel, surgiu a oportunidade de integrar a Banda Tropykalia. A passagem pela banda foi um divisor de águas, abrindo caminho para que ele mais tarde recebesse o convite para acompanhar o cantor Berg Rabelo. Mais recentemente, o sanfoneiro conquistou um marco importante em sua carreira ao apresentar-se no programa Encontro, da Rede Globo (apresentado pela jornalista Patrícia Poeta), acompanhando os artistas Berg Rabelo e Silvânia Aquino.

 

Nos últimos anos acompanhando de longe todo esse crescimento, o pai Marciano Silva — que hoje reside em São Paulo —, expressa sua gratidão ao ver o filho colher os frutos do trabalho.

O irmão de Lucas, Thiago Pereira também é músico, e segue os passos do irmão: “Quero agradecer a Deus por esse sonho realizado. Hoje moro em São Paulo e venho acompanhando o Lucas nas redes sociais. Vejo que, a cada dia que passa, ele está evoluindo e se desenvolvendo mais na música. É motivo de ficar feliz e agradecer às pessoas que sempre estiveram ao lado dele. Quando voltamos de Santa Catarina para Iguatu, ele começou a tocar com Dedé Castro, depois surgiu a oportunidade na Tropykalia com o Paulo Cascavel que indicou. Ele ficou um tempo lá e depois recebeu o convite para tocar com o Berg Rabelo, onde está hoje. Só tenho a agradecer a todos que ajudaram, em especial ao Paulo Cascavel, ao Antônio Baixinho, ao Claudizio de Paula, também Claudizinho de Paula (in memoriam), ao Bêu Paulino, ao Agenor Neto por sempre liberar espaço nos eventos e no Iguatu Festeiro, e a todo o povo de Iguatu que sempre acompanhou o talento dele.” Disse emocionado e agradecido, Marciano.

Para Lucas, a sanfona representa mais do que uma profissão. “A sanfona, para mim, não é só um instrumento. Ela faz parte da minha vida, da minha história e de tudo que eu venho construindo”, destacou o jovem músico, reafirmando seu compromisso de continuar levando a arte e o nome de sua terra natal cada vez mais longe.

Incentivadores

“Falar do Luquinhas é muito interessante porque eu o acompanhei desde criança. Quando ele tinha cinco anos de idade, nós o levamos para fazer a reportagem e divulgar seu trabalho no Jornal A Praça. Isso foi fundamental nesse início. Muitos empresários de Iguatu ajudaram na época. Ele estudou na Escola de Música de Iguatu, se apresentou no Iguatu Festeiro e nós ajudamos a divulgar tudo isso. Hoje, ele se tornou o Lucas do Acordeom. Eu fico muito feliz por ter descoberto esse talento e por ajudá-lo na época. Ele participou do programa da Patrícia Poeta na Rede Globo, e a gente fica muito feliz. Agradeço a todos, especialmente a você, que sempre foi o primeiro a abrir as portas para divulgarmos o trabalho do Luquinhas. Andamos por várias rádios e cidades vizinhas com ele tocando e mostrando seu talento. Em Cariús, com Caetano Fernandes, levamos ele também para conhecer Waldonys, Bêu Paulino, para esses artistas conhecerem o talento do garoto. Levávamos ele, que era apenas uma criança, ao lado do pai, para que pudesse divulgar e fazê-lo chegar aonde chegou, levando o nome de Iguatu e especialmente da Vila Neuma, de onde ele é. O Jornal A Praça sempre nos deu esse espaço para divulgar as coisas boas da nossa comunidade. Então, fico feliz. Enquanto alguns vêm aqui só pegar o lado negativo, vocês sempre mostram o positivo. E o positivo está aí, em rede nacional, mostrando que ele é uma pessoa natural da nossa comunidade: a Vila Neuma – local que muitos acham que só tem coisas erradas. Apresentei ele até ao Tasso Jereissati, na época senador. Também o apresentamos a vários empresários, médicos e a toda a sociedade. Sussu Mendonça, Michel Prudêncio foram pessoas que nos deram muita força. Foram muito importantes e sempre estiveram ao nosso lado”.

Antônio Pereira (Antônio Baixinho)

“Lembro do pai do Luquinhas, o Marciano, indo lá em casa querendo aprender sanfona com meu pai (Mano Prudêncio, in memoriam). Depois, ele apareceu com uma criança bem bebê ainda na garupa de uma bicicleta, levando-o para conviver com o Paulo Cascavel na Vila Cajazeiras, de quem eram fãs. Pouco tempo depois, eles apareceram com o Luquinhas já sendo apoiado pelo amigo Antônio Baixinho. A partir daí, ajudamos a montar a banda deles, formada por crianças, e assim passamos muitos anos produzindo os shows deles e circulando por Iguatu e região”.

Michel Prudêncio (Produtor Cultural) 

“Em 2009 o pai do Lucas chegou com ele aqui em casa, de bicicleta. Naquele ano eu trabalhava na banda Tropycalia. Ele chegou dizendo que estava doido atrás de uma pessoa para começar a ensinar o menino. Aí eu falei para ele que dava certo; quando eu não estivesse viajando e estivesse em casa, ele podia trazer o garoto que eu ensinava. Ele tinha uns seis ou sete anos. Em 2010, eu saí da banda e fui assumir a Escola de Música como professor de acordeom. Ele se matriculou e ficou lá comigo esse tempo todo. Sempre foi muito talentoso. A gente via que ele era diferenciado, pegava as coisas muito rápido. Na época, tinha ele e o Claudezinho de Paula. Os dois começaram a se apresentar nos eventos da escola e, depois, começaram a tocar juntos. O pai do Claudezinho botou eles para tocar juntos. Passado um tempo, o Lucas foi embora com o pai, já bem desenvolvido e tocando muito bem. Depois ele voltou e entrou na banda Tropycalia. Para você ver como são as coisas, entrou justamente no meu lugar. Hoje ele está tocando na banda do Berg. Mas o Lucas sempre foi uma pessoa muito inteligente para a música. Tem o Thiaguinho irmão dele que é músico também, que foi aluno da Escola de Música e hoje toca teclado com Dedé Castro, mas é sanfoneiro também”.

Paulo Cascavel (sanfoneiro e professor de música) 

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