Ana Lis Alves de Sousa
No livro Macunaíma, do autor modernista Mário de Andrade, é abordada a diversidade da cultura brasileira e a exaltação dos povos e costumes nacionais. Entretanto, no Brasil contemporâneo, evidencia-se uma desvalorização no que tange à história e à crença dos povos originários -indígenas e negros – por meio da submissão de suas culturas à europeia. Nesse contexto, em virtude da negligência estatal, no que diz respeito à ineficácia educacional, e da falta de engajamento social para valorizar as tradições originárias, surge uma problemática alarmante.
Em primeiro plano, convém discutir o apagamento histórico sofrido pelos indígenas e negros durante décadas no sistema educacional. Desde o início da datação historiográfica brasileira, os escritores procuravam formas de exaltar o cristianismo em detrimento das religiões consideradas pagãs, como acontecia no século XIV na época do Quinhentismo com as Campanhas Jesuíticas, em que os jesuítas eram encarregados de catequizar os nativos, para que esses abolissem suas religiões. Tal cenário também se repetiu com os escravos que foram impedidos de cultuar suas crenças, pois os seus senhores buscavam desumanizá-los e retirar sus identidades. Sob essa óptica, percebe-se que a educação sempre foi ensinada com bases em ideais eurocêntricos do que era considerado certo ou errado, o que contribuiu para a exclusão social desse eixo populacional, motivada pela supressão de seus saberes e crenças.
Outrossim, é imprescindível comentar sobre a ausência de engajamento por parte do corpo social, que auxilia na perpetuação da desinformação acerca das tradições originárias perdidas ao longo do tempo. O documentário “AmarElo”, do rapper Emicida, demostra como a sociedade, por meio da educação, é capaz de elevar as relações étnico- raciais e valorizar a cultura negra. Sob essa perspectiva, compreende-se que a falta de reconhecimento histórico por parte da conjuntura civil é um dos pilares contribuintes para a disseminação de dizeres errôneos e ultrapassados sobre essa parcela, o que confere uma discriminação e marginalização desses.
Portanto, uma intervenção faz-se necessária. Logo, cabe ao Governo Federal, mais específico o Ministério da Educação e da Cultura, órgão responsável pela organização das diretrizes educacionais básicas e superiores, propor a criação de uma grade específica para o estudo dos povos aborígenes, mediante a inserção de aulas com especialistas no assunto – mestres ou doutores em História Nacional- nas escolas brasileiras, a fim de acabar com a ignorância e o preconceito direcionado à população nativa e aumentar a participação popular em projetos como o de Emicida e exaltar a cultura natal como Macunaíma.
Ana Lis Alves de Sousa, filha de Maria Iriane de Souza e de Patrício Alves Bezerra, estudante do 3° Ano A da Escola Modelo de Iguatu.

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