Karoline de Souza Soares

De acordo com o autor brasileiro Paulo Freire, “não há saber mais ou saber menos, há saberes diferentes”. Como síntese do exposto, observa-se, no cenário brasileiro, um vasto leque de diversidade linguística que, por sua vez, ocasiona tensões e discriminações. É comum que grupos sociais mais vulneráveis se identifiquem com gêneros que se caracterizam como um canal de resistência às suas raízes. Dessa forma, configuram-se como fatores que alimentam o preconceito linguístico a marginalização social e a indiferença midiática.
Em primeira análise, destaca-se como impasse a exclusão social que um grupo impõe sobre outro ao supervalorizar seus costumes e estilos e, consequentemente, menosprezar os demais. Tal contexto é comumente observado na cultura nordestina, que possui marcas regionais de grande valor identitário. Contudo, a cobrança intensiva do uso da norma-padrão como único modelo legítimo estabelece um parâmetro rígido e, muitas vezes, inacessível a determinadas camadas sociais, fazendo com que sua forma de expressão seja vista como inadequada. Assim, a diversidade linguística passa a ser tratada como erro, e não como manifestação cultural.
Sob outra perspectiva, vê-se o posicionamento da mídia ao se portar, muitas vezes, de forma omissa diante dessa realidade. Sobre isso, a filósofa brasileira Djamila Ribeiro afirma que “para atuar em uma situação é necessário, primeiramente, tirá-la da invisibilidade”. Em consequência disso, o meio midiático torna-se um veículo que, diante de sua notoriedade e alcance social, age de modo indiferente à problemática nacional, ao não promover de maneira efetiva a valorização da diversidade linguística brasileira.
Por conseguinte, a fim de solucionar essa problemática, é necessário que as mídias promovam a valorização das diferentes expressões linguísticas, reconhecendo-as como frutos de origens históricas e culturais que devem ser respeitadas. Paralelamente, o Poder Público deve atuar por meio da educação, incentivando as escolas a desenvolverem nos alunos a compreensão acerca da variação linguística e o respeito às identidades regionais, sem deixar de ensinar a norma-padrão como instrumento de inclusão social. Dessa maneira, a afirmação de Paulo Freire acerca dos diferentes saberes poderá se concretizar de forma efetiva na sociedade brasileira.
Karoline de Souza Soares
Filha de Francisco Humberlan Pinheiro Soares e de Rita de Cassia de Souza Soares
Estudante do 2º ano “B” da Escola Modelo de Iguatu

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