Devotos e moradores dos bairros Tabuleiro e Planalto vivenciam este ano um momento especial celebrativo do novenário dedicado a São Francisco de Assis. A festa alusiva ao padroeiro completa 50 anos de instalação da capela, iniciada em 1975, pelo devoto Francisco do Nascimento, seu Chico Enfermeiro, como era conhecido.
O novenário teve início, quinta-feira, 25, e prossegue até 4 de outubro. O idealizador do templo, que vem passando por ampliação e reforma, também é homenageado. As celebrações acontecem todas as noites às 19h. O novenário é um dos mais tradicionais de Iguatu. Reúne devotos que participam ativamente. A missa solene de abertura foi celebrada pelo bispo diocesano de Iguatu, dom Geraldo Freire e concelebrada com o padre Ricardo Pompeu, que também é ‘filho do bairro Tabuleiro’.
Muitos devotos compareceram à primeira noite. Na oportunidade foram prestadas homenagens ao casal Paulo de Tarso e Vanessa Bezerra pela doação da reforma e ampliação da capela, nesse marco dos 50 anos. Foram também homenageados o bispo diocesano dom Geraldo e o padre Ricardo. O Conselho da Capela foi apresentado aos presentes, e ainda, Raimundo Nonato presenteou o padrinho da noite Dr. Paulo de Tarso com um quadro da Divina Misericórdia.
Neste ano jubilar, um momento histórico nesse meio século de caminhada religiosa, com homenagens, lembranças, ações sociais e atividades festivas marcam essa caminhada. A pequena capela está se tornando grande, isso porque teve o tamanho duplicado, vai receber uma nova estrutura para receber os devotos com mais conforto para momento de espiritualidade.

Reforma e ampliação
Com a morte de Chico Enfermeiro, em março de 2017, aos 82 anos, a filha dele, Socorro do Nascimento, que antes já o ajudava, passou a conduzir o legado. Este ano também foi criado um Conselho Administrativo que reforça essa caminhada. “Faz 50 anos de missões e evangelização, com os mais carentes, os mais humildes, e com os devotos de São Francisco. A nossa capela foi construída por um enfermeiro, e após 50 anos reformada e ampliada por um médico, Dr. Paulo de Tarso. A ideia era só o altar, como o doutor disse, mas ele resolveu ampliar, melhorar o espaço. Eu nem sabia desse altar, mas Deus sabia e São Francisco também dessa história. Para gente é uma alegria grande, a comunidade está muito feliz. A gente pede que a comunidade se aproxime mais. Já foi criado o Conselho dessa capela e vamos fazer um trabalho muito bom dentro da nossa comunidade do que já fazemos. Agora cada vez maior e melhor. Meu outro plano é criar a Sala de Apoio à Pessoa Idosa Chico Enfermeiro. Pretendemos doar uma cadeira de rodas, uma rede, um lençol, um par de sandálias, para o idoso carente, dando uma assistência melhor para essas pessoas que necessitam”, ressaltou Socorro.
Entre os presentes e filhos do Tabuleiro, o coronel Oliveira, que integra o Conselho da Capela de São Francisco de Assis, falou sobre esse momento histórico. “A capela de São Francisco do bairro Tabuleiro retrata para nós sertanejos e moradores desde infância do bairro, mas que tivemos que sair para outros lugares para galgar os degraus da vida, um símbolo de esperança, de aconchego familiar e acima de tudo de devoção. Através da empreitada, da idealização do Seu Chico Enfermeiro, nós que tivemos uma infância num bairro humilde da cidade, como todo e qualquer rincão, passa por seus problemas, tem seus problemas, mas foram amenizados. O Seu Chico Enfermeiro, sem ser doutor da Medicina, curou enfermos prestando auxílio, orientações devido à atividade que exercia na Casa de Saúde Agenor Araújo, sem ser pedagogo ou formação na área da Educação ele também criou uma escolinha e educou pessoas, alfabetizou e conseguiu ajudar muitas famílias do nosso próprio bairro e sem ser ligado ao Clero, sem ter uma formação voltada para ministrar a Palavra de Deus, ele pregava, pregava e foi além da pregação. Construiu um templo religioso, a capela e é bíblico: ‘Feliz aquele que constrói um templo para engrandecer o reino dos céus. Certeza Deus se agrada e Deus fez se agradado”, pontuou o conselheiro.
Ainda de acordo com o coronel Oliveira, o bairro Tabuleiro, que foi crescendo no entorno da capela, é uma região formada pelas mais diversas pessoas, onde cada um faz e tem sua história ligada aquela comunidade. “É para nós esse exemplo, quando você vê pessoas humildes, o comerciante, você vê o gesseiro, você vê o pintor, você vê o construtor, o médico… tudo que você precisa você encontra no bairro Tabuleiro. Então, é para nós um motivo de alegria, um motivo de festividade chegarmos aos cinquenta anos. Registra-se o legado que foi tocado à frente através da filha do seu Chico Enfermeiro, a Socorro, e nesse marco dos cinquenta anos a reforma e ampliação através desse ser humano magnífico doutor Paulo de Tarso. Então, é um momento de reflexão, é um momento de olhar para o passado, agradecer por termos tido pessoas como Chico Enfermeiro, que ganhando credibilidade dos nossos pais, dos moradores ele vai à frente, uma espécie de pais dos pobres, como São Francisco é muito parecida a história, abre mão de ajudar somente aos seus entes queridos, aos seus familiares e passa a ajudar a comunidade, é um homem realmente para gente lembrar e comemorar. O homem de Deus”, disse destacando a importância dessa ação que vem acontecendo com a reforma e ampliação da capela. “O presente com a devoção, com a ampliação e com a reestruturação da capela e claro, um futuro de esperança. Fica a nossa mensagem. O coração do homem está na mão de Deus. Quando Deus fecha porque o homem está contrito, o homem está sem esperança, o homem está ansioso, mas quando Deus abre faz como aconteceu o coração do doutor Paulo em ajudar a colaborar e doar a reforma e ampliação para que esse legado continue vivo. Continue vivo e a gente já teremos partido em dois mil e setenta e cinco daqui a cinquenta anos, mas fica o exemplo para a criançada e o registro, claro através dos anais do jornal A Praça”, finalizou.

Um pedido
O médico Paulo de Tarso Bezerra, na ocasião da abertura do novenário, participou ao lado da esposa, a dentista Vanessa Bezerra, e contou um pouco da sua história de devoção a São Francisco. Ele fez um relato emocionado, relembrando uma sugestão da mãe dele, dona Vilma de Castro (in memoriam) que sugeriu que diante de sua forte devoção e realizações em sua vida, doasse a construção de um novo altar para a capelinha. Com o passar do tempo, o momento certo chegou, dona Vilma não se faz presente, mas o seu pedido foi atendido. “Minha mãe Vilma ainda me deixa saudade de sua partida. Eu vim pessoalmente aqui, resolvido a fazer a reforma do altar. Uma luz me tocou e resolvi não só construir um novo altar, mas dobrar o tamanho da capela. Infelizmente, tiveram problemas estruturais que atrasaram a obra. A capela era para estar pronta na novena de São Francisco. Contamos com a bondade do engenheiro Coelho Neto, que fez todos os cálculos das vigas, fundações sem qualquer honorário, contamos com a bondade também do arquiteto Wilson Maia, que redesenhou a nova fachada. Depois, vamos campear um lugar para comprar uma imagem de São Francisco e colocar lá em cima da capela, vamos resgatar o sino antigo, vamos devolver o sino para fazer a chamada quando um padre vier aqui celebrar”, pontuou Paulo de Tarso, em sua fala de agradecimentos. Ele aproveitou ainda sugerindo ao bispo diocesano dom Geraldo que a capela também passe a ter missas, se possível semanalmente. “Tudo na vida meus irmãos, tem um por quê, e tudo acontece no tempo de Deus, assim, nós acreditamos. Paz e bem”, concluiu.
Diante de tantas histórias e relatos de vida do Seu Chico, um livro foi escrito e será lançado em breve, conforme relatou Socorro. As festividades seguem até o dia 4 de outubro.




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