Digitalização ou exclusão? Redução de serviços bancários preocupa Quixelô

30/05/2026

Danilo Carvalho*

 

O Banco Bradesco de Quixelô passa por mais um processo de “reestruturação”, enquanto segue registrando lucros bilionários a cada trimestre. Na prática, porém, essa reestruturação tem significado demissões, redução de serviços presenciais e a exclusão de clientes do acesso básico ao sistema bancário.

Na cidade de Quixelô, a situação não seria diferente. O banco comunicou que irá inibir os serviços de saques e depósitos nos caixas eletrônicos da agência, deixando idosos, aposentados, comerciantes e a população em geral sem acesso a um serviço bancário essencial para o cotidiano.

A justificativa apresentada gira em torno da transformação digital e da digitalização dos serviços bancários. Contudo, a realidade social da população é muito diferente do discurso corporativo. Grande parte dos cidadãos ainda depende do atendimento físico, do dinheiro em espécie e dos serviços presenciais para realizar pagamentos, receber benefícios, efetuar depósitos e movimentar suas finanças com segurança.

A Câmara Municipal de Quixelô debateu, na sessão realizada ontem, os impactos que essa medida poderá causar à população. Vereadores manifestaram preocupação com os prejuízos enfrentados principalmente pelos idosos, moradores da zona rural, pequenos comerciantes e pessoas com dificuldade de acesso às plataformas digitais.

Além do impacto social, a medida levanta questionamentos à luz do Código de Defesa do Consumidor (CDC), especialmente no que diz respeito à continuidade, qualidade e acessibilidade dos serviços oferecidos à população. Não se pode tratar a exclusão digital como algo irrelevante em cidades do interior, onde muitos cidadãos sequer possuem acesso adequado à internet, aplicativos bancários ou suporte tecnológico.

A decisão também afeta diretamente o comércio local, dificultando depósitos, circulação de dinheiro e a própria dinâmica econômica da cidade. Enquanto isso, os clientes continuam pagando tarifas bancárias elevadas e enfrentando a redução constante da estrutura de atendimento.

Modernizar não pode significar abandonar a população. A tecnologia deve servir para incluir, e não para retirar direitos e dificultar o acesso da população aos serviços bancários essenciais.

 

* Diretor sindical pela Contec e gerente bancário

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