Economia de Iguatu cresce e cai no ranking estadual

27/12/2025

Klériston Monte (Economista)

 

O Produto Interno Bruto (PIB) expressa o conjunto dos bens e serviços criados por um certo ente federativo relativamente a um determinado período de tempo.

O IBGE publicou no dia 19 próximo passado (19.12.2025) o PIB a preços correntes de todos os Municípios do Brasil, após certo período sem a devida publicação, expressa a evolução econômica de todos os Municípios do País, concernentes aos anos de 2022 e 2023.

O PIB a preços correntes do Iguatu alcançou (R$x1000) 1.904.814,79 em 2021, passando em 2022 para (R$x1000) 2.054.538,75 e em 2023 atingiu (R$x1000) 2.342.034,48, tendo ocorrido portanto a majoração em referido período de 22,95%.

A Tabela 01 abaixo expressa a evolução de cada economia selecionada do PIB P/C (R$x1000) entre os anos de 2021 e 2022, daí verifica-se que dentre eles Iguatu teve o menor crescimento nominal de 7,86%, ao tempo que Itapipoca, Crato e Itaitinga majoraram, respectivamente, em 19,38%, 16,39% e 26,21%

 

Tabela 01 – Maiores economias do Estado do Ceará, valores nominais, entre 2021 e 2012

Município  

PIB P/C (R$x1000) – 2021

 

PIB P/C (R$x1000) – 2022

 

%

Fortaleza 73.437.738,92 81.362.332,60 10,79%
Maracanaú 12.336.716,64 14.004.933,70 13,52%
Caucaia 10.422.700,76 9.891.543,84 -5,09%
São G. do Amarante 8.624.986,63 6.894.155,46 -20,06%
Sobral 5.395.130,17 6.016.969,55 11,52%
Juazeiro do Norte 5.114.785,98 5.783.730,21 13,07%
Eusébio 3.577.497,02 4.557.315,79 27,38%
Aquiraz 3.854.400,67 4.429.049,63 14,90%
Horizonte 2.116.782,48 2.501.482,95 18,17%
Itapipoca 1.784.006,66 2.129.865,96 19,38%
Crato 1.871.586,58 2.178.406,14 16,39%
Itaitinga 1.258.826,39 1.588.814,09 26,21%
Iguatu 1.904.814,79 2.054.538,75 7,86%
Tianguá 1.732.690,10 1.913.973,73 10,46%
Maranguape 1.649.527,97 1.793.354,36 8,71%

Fonte – IBGE (2025). Elaboração própria

 

Usando o mesmo processo metodológico, na Tabela 02 adiante vislumbra-se que no lapso temporal ente 2022 e 2023 o comportamento do PIB P/C (R$x1000) dos citados entes federativos antes exibidos, o do Município de Iguatu em particular cresceu nominalmente 13,99%, logo e mais uma vez, menor do que Itapipoca, com 19,74%, Itatinga com 48,08%, ficando acima do Crato que cravou 12,26%.

 

Tabela 02 – Maiores economias do Estado do Ceará, valores nominais, entre 2022 e 2023

Município  

PIB P/C (R$x1000) – 2022

PIB P/C (R$x1000) – 2023  

%

Fortaleza 81.362.332,60 86.939.831,73 6,85%
Maracanaú 14.004.933,70 13.540.093,93 -3,31%
Caucaia 9.891.543,84 9.873.556,55 -0,18%
São G. do Amarante 6.894.155,46 6.908.372,65 0,20%
Sobral 6.016.969,55 6.588.929,36 9,50%
Juazeiro do Norte 5.783.730,21 6.457.542,67 11,65%
Eusébio 4.557.315,79 4.940.351,64 8,40%
Aquiraz 4.429.049,63 4.851.008,17 9,52%
Horizonte 2.501.482,95 2.964.813,70 18,52%
Itapipoca 2.129.865,96 2.550.370,73 19,74%
Crato 2.178.406,14 2.445.566,54 12,26%
Itaitinga 1.588.814,09 2.352.737,02 48,08%
Iguatu 2.054.538,75 2.342.034,48 13,99%
Tianguá 1.913.973,73 2.265.253,16 18,35%
Maranguape 1.793.354,36 2.011.194,35 12,14%

Fonte – IBGE (2025). Elaboração própria

 

Assim os valores podem ser analisados de modo mais condensados quando avalia-se a dinâmica do PIB P/C (R$x1000) do aludidos Municípios no interregno de 2021 a 2023 e nesse sentido chegam-se a resultados que merecem reflexões: 1º) em 2021 o PIB P/C (R$x1000) de Itapipoca era menor do que o de Iguatu e como nesse intervalo majorou 42,95%, ultrapassou Iguatu; 2º) em 2021 o PIB P/C (R$x1000) do Crato era ligeiramente menor do que o Iguatu, todavia como teve o acréscimo de 30,66% no biênio em tela, também ultrapassou Iguatu; 3°) o caso de Itaitinga é “sui generis”, pois o seu PIB P/C (R$x1000) engrandeceu 86,89% e igualmente superou o de Iguatu; 4°) o PIB P/C (R$x1000) Tianguá avança e se aproxima perigosamente de Iguatu . Conforme Tabela 03.

 

Tabela 03 – Maiores economias do Estado do Ceará, valores nominais, entre 2021 e 2023

Município  

PIB P/C (R$x1000) – 2021

PIB P/C (R$x1000) – 2023  

%

Fortaleza 73.437.738,92 86.939.831,73 18,38%
Maracanaú 12.336.716,64 13.540.093,93 9,75%
Caucaia 10.422.700,76 9.873.556,55 -5,26%
São G. do Amarante 8.624.986,63 6.908.372,65 -19,90%
Sobral 5.395.130,17 6.588.929,36 22,12%
Juazeiro do Norte 5.114.785,98 6.457.542,67 26,25%
Eusébio 3.577.497,02 4.940.351,64 38,09%
Aquiraz 3.854.400,67 4.851.008,17 25,85%
Horizonte 2.116.782,48 2.964.813,70 40,06%
Itapipoca 1.784.006,66 2.550.370,73 42,95%
Crato 1.871.586,58 2.445.566,54 30,66%
Itaitinga 1.258.826,39 2.352.737,02 86,89%
Iguatu 1.904.814,79 2.342.034,48 22,95%
Tianguá 1.732.690,10 2.265.253,16 30,73%
Maranguape 1.649.527,97 2.011.194,35 21,92%

  Fonte – IBGE (2025). Elaboração própria.

 

 

Finalmente a Tabela 04 abaixo expõe o ranking das quinze maiores economias do Estado do Ceará, considerando o ano de 2023 como base, e não custa lembrar que Iguatu no ano de 2021 era o 10° colocado, caiu para a 12ª posição em 2022 e para os dados atuais 2023, está em 13° colocado.

 

Tabela 04 – Quinze maiores economias do Estado do Ceará 2023

RANKING MUNICÍPIO PIB P/C (R$x1000)
1 Fortaleza 86.939.831,73
2 Maracanaú 13.540.093,93
3 Caucaia 9.873.556,55
4 São G. do Amarante 6.908.372,65
5 Sobral 6.588.929,36
6 Juazeiro do Norte 6.457.542,67
7 Eusébio 4.940.351,64
8 Aquiraz 4.851.008,17
9 Horizonte 2.964.813,70
10 Itapipoca 2.550.370,73
11 Crato 2.445.566,54
12 Itaitinga 2.352.737,02
13 Iguatu 2.342.034,48
14 Tianguá 2.265.253,16
15 Maranguape 2.011.194,35

Fonte – IBGE (2025). Elaboração própria

 

Outro modo mais fiel de análise torna-se mais representativo quando se consideram os resultados pela ótica real, assim e para melhor entendimento metodológico vamos considerar um universo menor compreendendo de Itapipoca a Maranguape, como na Tabela 05 abaixo, quando também denotamos as variações percentuais (aumentativas ou diminutivas) entre 2021-2022 e 2022-2023.

 

Tabela 05 – Taxa de variação para Municípios selecionado e na forma decimal

Município  

PIB P/C (R$x1000) – 2021-2022

PIB P/C (R$x1000) – 2022-2023  

Taxa acumulado dada pela fórmula

Ic = (1 + i1) . (1 + i2)

Itapipoca 1,1938 1,1974 1,42945612
Crato 1,1639 1,1226 1,30659414
Itaitinga 1,2621 1,4808 1,86891768
Iguatu 1,0786 1,1399 1,22949614
Tianguá 1,1046 1,1835 1,3072941
Maranguape 1,0871 1,1214 1,21907394

  Fonte – IBGE (2025). Elaboração própria.

 

Ratifica-se destarte que apenas Maranguape cresceu menos do que Iguatu.

Segundo as Resoluções n°s 4.724 e 4.831 do Conselho Monetário Nacional, as taxas inflacionárias efetivas (variação do IPCA%) no País em 2022 e 2023 foram, respectivamente, 5,79% e 4,62% e desse modo usando a mesma fórmula da taxa acumulado, tem-se que no biênio a inflação acumulada foi de 10,67%.

Dando sequência calculam-se as taxas reais de crescimento quando se utilizam as taxas das variações acumuladas nominais do PIB p/c de cada Município e a variação acumulada da inflação, ambos no biênio enfatizados, com na Tabela a seguir.

 

Tabela 06 – Taxa de variação real para Municípios selecionado e na forma decimal

Município Taxa acumulado dada pela fórmula

Ic = (1 + i1) . (1 + i2)

Taxa de inflação acumulada Taxa real (r)

r = ___1 + taxa nominal      –    1

1 + taxa de inflação

 

Itapipoca 1,42945612 1,1067 0,291638312
Crato 1,30659414 1,1067 0,180621795
Itaitinga 1,86891768 1,1067 0,688730171
Iguatu 1,22949614 1,1067 0,110957025
Tianguá 1,3072941 1,1067 0,181254269
Maranguape 1,21907394 1,1067 0,101539658

  Fonte – IBGE (2025). Elaboração própria

 

Quando se multiplica por 100, chega-se a forma percentual, conforme demonstrativo a seguir, e se conclui que o crescimento real da economia iguatuense no biênio 2022 e 2023 foi de 11,09%.

 

Tabela 07 – Taxa real de crescimento, conforme anteriormente mencionado

Município Taxe real e percentual de crescimento
Itapipoca 29,16%
Crato 18,06%
Itaitinga 68,87%
Iguatu 11,09%
Tianguá 18,12%
Maranguape 10,15%

Fonte – IBGE (2025). Elaboração própria.

 

Precisamos pensar mais concretamente sobre a nossa economia, sobre o papel que cada agente econômico (privado ou público) pode desenvolver na perspectiva de se alterar tal quadro, na medida em que, quando se trata de economia, as consequências são coletivas, tanto de sucesso, quanto de fracasso e desse modo as decisões também precisam ser coletivas.

Não é caso de se adentar em maiores minudências sobre o fato do decréscimo no ranking estadual quanto a responsabilizar alguém ou alguma instituição, é crível que temos que reconhecer que apesar de um crescimento real significativo (11,09%) os outros Municípios, particularmente Itapipoca, Crato, Itaitinga e Tianguá cresceram mais do que Iguatu.

O fato é que algo tem ser feito e os agentes econômicos necessitam de maior engajamento e de participação coletiva, pois somente assim Iguatu poderá voltar à posição original, do contrário… Tianguá está na porta.

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