O escritor e músico Nijair Araújo Pinto finalizou recentemente sua obra literária mais ritmista. É o 15º livro da carreira. Este veio com um diferencial porque é um livro de partituras e escrito em inglês. Sobre como nasceu a ideia da obra, o autor conta em entrevista ao A Praça
A Praça – Como surgiu a ideia do livro?
Nijair – Faz tempo que componho peças para violão erudito. Entretanto, depois que iniciei o curso de violão clássico na Vila da Música, em Crato, essa paixão reacendeu. Tinha muitas músicas gravadas, mas não transcritas para o instrumento. Sem muita pressa, iniciei as escritas e, atualmente, tenho algo em torno de 200 músicas, das quais umas 80 já estão com as partituras prontas para edição e publicação. São peças para violão solo, duetos, trios e quatro vozes. E duas peças que fiz, experimentalmente, para violino.
A Praça – Mas por que escreveu num idioma estrangeiro?
Nijair – Fiz duas versões: uma no formato e-book e outra no formato impresso. De igual modo, fiz em dois idiomas: português e inglês. Estou fazendo em francês e também pretendo lançar em espanhol. A opção por língua estrangeira tem relação com o diminuto público brasileiro que se volta para o estudo de peças para violão, escritas em partitura. Usa-se bastante a tablatura, mas a partitura ainda não é tão difundida no Brasil. Temos excelentes músicos eruditos, mas a literatura musical para esse nicho específico ainda está incipiente.
A Praça – Como é feita a composição do livro, as divisões de cada música, cada partitura?
Nijair – Ele está dividido em duas partes: ‘Piquititinhas’ e ‘Piquititas’. Foram adjetivações carinhosas que usei para tratar das peças mais simples e das mais complexas, respectivamente. São dez ‘Piquititinhas’ e doze ‘Piquititas’, perfazendo um total de 22 peças, colocadas no livro em ordem crescente de dificuldade de execução. O nome do livro, todavia, é apenas ‘Piquititas – fractais musicais’.
A Praça – São músicas instrumentais? Que instrumentos usa para construir as partituras?
Nijair – Sim. São todas instrumentais e para violão. Usei apenas o violão na construção das harmonias e melodias. Na parte das ‘Piquititinhas’, fiz uma peça com melodia e a outra completa, incluindo a harmonia. Na segunda parte, onde estão as ‘Piquititas’, todas as peças estão com melodia e harmonia juntas, todas para um violão.
A Praça – Primeiro cria as notas no instrumento, para depois escrever as partituras?
Nijair – Meu modo de composição normalmente é feito a partir de melodias cantadas. É assim que surgem as ideias. Depois que crio a melodia, acrescento a harmonia, com a implementação dos baixos, dos acompanhamentos. Por isso que na ‘Parte 1’ do livro, para facilitar a leitura de estudantes com nível inicial de leitura, fiz a mesma peça com melodia, apenas, e outra versão da peça com melodia e harmonia.
A Praça – De suas 15 obras literárias, duas são de partituras. Estas já estão prontas?
Nijair – Sim. Tão logo terminei e lancei o primeiro, já iniciei os trabalhos para o segundo livro, que se chamará ‘Angatu’ – fractais do silêncio. Em verdade, tenho material suficiente para lançar 12 livros, englobando peças para violão e violino, com duetos, trios e quatro vozes. A ideia é publicá-los separadamente e, posteriormente, compilá-los num único livro, apresentando as aproximadamente 200 peças. Angatu, só esclarecendo, é uma palavra tupi-guarani que significa bem-estar, felicidade e alma boa. É quase um Iguatu da
vida, não é? Salvo engano, Iguatu significa água boa, não é isso? (Risos)

A Praça – Quanto tempo ‘gastou’ para concluir cada obra?
Nijair – O primeiro livro, por tratar de peças curtas e simples, comecei a esboçá-lo em junho de 2024. O segundo, apresentando temas variados, inclui peças recentes, de 2025, e peças antigas, dentre as muitas que compus. Desde os meus 13 anos que lido com música, quando à época fundei minha primeira banda de Rock, como guitarrista: a Banda ‘Fator Rh+’. Depois, toquei nas Bandas ‘Vetor 6’, ‘Item E’ e ‘La Scène’, todas de Fortaleza, e na Banda ‘Elliot Silva’, na cidade do Crato. Enquanto tocava, compunha, solitariamente, minhas peças solos. O segundo livro tem um pouco de cada uma dessas fases musicais.
A Praça – O livro saiu com quantas páginas? Produção independente?
Nijair – O primeiro tem 53 páginas. O segundo, 87. Sim, produção independente, pela Amazon. É mais tranquilo e rápido – o que ajuda bastante na divulgação. Ademais, em razão do formato do livro, no tamanho A4, ele é vendido apenas nos Estados Unidos, sendo necessário que se efetive a compra no Brasil, aguardando a remessa partindo de lá.
A Praça – A que públicos a obra é direcionada, além dos músicos?
Nijair – Existe carência de material didático e musical em Língua Portuguesa para violão. Em países europeus ou onde se fala o inglês essa cultura musical está mais consolidada. Nas universidades e escolas de música, por exemplo, geralmente o livro do saudoso professor Henrique Pinto é utilizado. Portanto, a ideia, ousada, mas com pés no chão, é dar aos professores outra opção de estudos para peças iniciais escritas especificamente para o violão. Já mostrei todas as peças que estão nos dois livros para cinco professores e amigos meus, dentre os quais dois são mestres em violão: professor Thales Wesley e professor Carlinhos Crisóstomo; outro é mestrando em violão, em Minas Gerais: professor Issac Silva; outro é professor de música, formado pela UFCA: professor Eliarley Oliveira; e o outro é estudante de música pela UFCA: professor Airlon Oliveira. As avaliações e sugestões foram muito edificantes e me estimularam a continuar.
A Praça – E para o acesso do público? Como adquirir?
Nijair – É muito simples. Basta entrar na ‘Amazon’ e digitar meu nome ou o nome dos livros. Lá, estarão as quatro versões, duas em inglês e duas em português, nos formatos e-book e impresso. Além dos livros, há peças isoladas que estou compilando para os próximos trabalhos. Disponível: ‘Piquititas – fractais musicais’. Em fase de conclusão: ‘Angatu – fractais do silêncio’.




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