O Espaço Cultural da Estação, no Centro de Iguatu, recebeu na noite desta quinta-feira, 11, a primeira edição da Mostra Vivências em Artes, do Projeto Arte Criança. O evento, considerado um verdadeiro festival, reuniu apresentações com alunos e grupos culturais convidados de cidades da região Centro-Sul cearense.
A Mostra celebra os 33 anos de atividades desenvolvidas pelo PAC e reuniu apresentações, resultados de oficinas realizadas com crianças e adolescentes atendidos pelo projeto, por escolas parceiras e grupos convidados. “A ideia de realizar esse evento é a celebração da arte, da cultura e da infância em nossa região”, destaca Lúcia Morais, presidente do PAC.
O evento marca um importante capítulo na trajetória da instituição, que tem atuação em atividades artísticas e culturais no município e região. A Mostra contou com apresentações, exposições e resultados de oficinas realizadas com crianças e adolescentes atendidos pelo projeto e por escolas parceiras. “Contamos com a apresentações dos trabalhos desenvolvidos na oficina de música, ministrada por Sussu Mendonça, na Escola Elze Lima Verde Montenegro, e da oficina de dança regional, ministrada pela professora Flávia Santos, na Escola Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. Tivemos também oficina de teatro, com Betânia Lopes na EEMTI Liceu Dr. José Gondim, na qual os alunos apresentaram suas criações”.

Convidados
Além dos resultados das oficinas, o evento teve a participação de grupos e artistas convidados, entre eles as presenças dos grupos de Umari: Maria Bonita, com apresentação de dança, Grupo Regional; Mestra Ana da Rabeca e as Mulheres da Tradição. Alunos da Escola de Música Popular Humberto Teixeira, com o grupo Vento Sul; Crianças e adolescentes do CRAS São José, de Jucás; Grupo de caretas Arca das Artes, de Quixelô. Paralelo às apresentações, o público pôde visitar duas exposições: “Brincando de Caretas”, de máscaras, e a “II Exposição Sons do Alvorecer”, dedicada às rabecas.
Ontem, sexta-feira, o Projeto Arte Criança realizou, em parceria com a exposição Sons do Alvorecer, uma roda de conversa aberta ao público, ampliando o diálogo sobre a importância da preservação das tradições e da cultura popular. “A mostra reforça o nosso compromisso com a formação cultural e celebra a pluralidade das expressões que compõem as raízes da nossa identidade”, pontua Morais.
As atividades seguem até hoje, sábado, 13, com a continuidade da exposição de rabecas na sede e a realização da oficina da boneca Abayomi, que ocorrerá na Escola Amélia Figueiredo Sá de Lavor, no sítio Bravo, ação conjunta com a Associação de Moradores e Agricultores do Sítio São José.
A realização do Projeto Vivências em Artes é apoiada pelo Ministério da Cultura, Secretaria da Cultura do Ceará e Secretaria da Cultura de Iguatu com recursos provenientes da Lei Federal Nº 14.399 de julho de 2022, através do 1º Edital Cultura Viva Municipal.

Sons do Alvorecer
A exposição “Sons do Alvorecer” apresenta o percurso artístico e artesanal de Francieldo Ramos, luthier que encontrou na rabeca um caminho de criação a partir de sua experiência prévia como carpinteiro. Seu contato com o instrumento aconteceu ao conhecer o Complexo Cultural das Rabecas, espaço da mestra Ana da Rabeca, em Umari–CE, onde prestava serviços de carpintaria. Com o tempo, surgiu no Complexo a necessidade de novos instrumentos para atender os alunos, e foi então que Francieldo despertou o desejo de construir rabecas, inicialmente para suprir essa demanda. O gesto solidário revelou um talento latente, que rapidamente se transformou em paixão e dedicação contínua. Em 2023, buscando aprimorar sua técnica, participou de uma oficina com o mestre Aécio, na cidade do Crato, aprofundando seus conhecimentos de luteria. Atualmente, Francieldo desenvolve rabecas utilizando diversos materiais: compensado, cedro, maçaranduba, cabaça e madeiras recicladas, explorando novas sonoridades e reafirmando a força da tradição popular. A mostra reúne um acervo de 10 rabecas, todas produzidas pelo artista, revelando sua trajetória, inventividade e diálogo sensível entre memória e inovação.

Arte Criança
Projeto Arte Criança, PAC, como é conhecido, é uma organização sem fins lucrativos, de Iguatu. Fundado oficialmente em novembro de 1992, o Projeto Arte Criança surgiu a partir de uma colônia de férias realizada em 1990, idealizada pelos artistas Cleodon de Oliveira e Nonato de Moura. A experiência, que reuniu oficinas de dança, teatro, música, artes plásticas, recreação e jogos educativos, inspirou a criação de uma ONG dedicada a oferecer às crianças e adolescentes vulneráveis de Iguatu oportunidades de aprendizado, expressão cultural e convivência comunitária.
Desde então, o PAC consolidou-se como referência cultural na Região Centro-Sul do Ceará, com atuação marcada pela promoção dos direitos da criança e do adolescente — em conformidade com o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Reconhecida como Utilidade Pública Municipal e Estadual, e atuando como um “Ponto de Cultura”, a organização tem oferecido, por décadas, oficinas culturais e educativas gratuitas, incluindo: música (teclado, flauta, violão, percussão), dança folclórica e regional, capoeira, artes cênicas (teatro de ator e de bonecos), incentivo à leitura, artes plásticas e diversas expressões artísticas. Ao longo de mais de três décadas de atuação, o Projeto Arte Criança impactou a vida de centenas de crianças, adolescentes e famílias. Através da arte, foi possível promover inclusão social, autoestima, cidadania, senso crítico, identidade cultural e pertencimento comunitário.



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