Patrícia Tereza Rodrigues Fernandes Araújo*
Estar de férias não significa ter que interromper completamente estímulos importantes para o desenvolvimento das crianças e dos jovens. Esse período é, com certeza, um momento muito esperado pelos estudantes, pois é tempo de lazer, descanso e convivência familiar, mas também representa um desafio para muitas famílias na organização da rotina. É comum que o tempo livre seja preenchido excessivamente por telas. No entanto, as férias podem, e devem, ser uma rica oportunidade para fortalecer vínculos e favorecer a aprendizagem por meio de ações com intencionalidade.
Quando o brincar é vivenciado com propósito e presença, torna-se um poderoso recurso. Trata-se de oferecer brincadeiras que tenham significado, que estimulem habilidades emocionais, sociais, cognitivas e motoras, que respeitem o ritmo, a idade e os interesses do estudante. Não significa impor atividades rígidas ou transformar o momento lúdico em obrigação. Jamais reproduzir a rotina escolar; ao contrário, deve favorecer a curiosidade, a criatividade em um clima de liberdade e prazer nas descobertas.
Segundo estudiosos do desenvolvimento, como Jean Piaget e Lev Vygotsky, o brincar é uma ferramenta essencial na construção do pensamento, da linguagem, das emoções e das relações sociais. É por meio das brincadeiras que o aprendente experimenta o mundo, organiza ideias, aprende a lidar com regras, frustrações e amplia suas habilidades cognitivas e socioemocionais.
A presença da família nesse processo é fundamental, pois fortalece vínculos afetivos, cria memórias significativas e promove segurança emocional. Em meio a uma rotina, muitas vezes marcada pela pressa e pela correria, as férias surgem como um convite para desacelerar, olhar nos olhos, parar para ouvir e compartilhar momentos marcantes. Com ações simples pode-se compartilhar momentos, como cozinhar juntos, contar histórias, organizar brincadeiras ou explorar novos ambientes, tornando-se ricos estímulos. Além disso, é importante um equilíbrio, com horários para lazer, descanso, prática de esportes e uso consciente das telas.
Vale destacar que atividades lúdicas, como jogos de tabuleiro, quebra-cabeças, brincadeiras ao ar livre, leitura por prazer, desenhos e desafios simples do dia a dia, favorecem funções essenciais como atenção, memória, raciocínio lógico, linguagem e coordenação motora. Quando bem conduzidas, essas experiências fortalecem a autonomia, a criatividade e a autoconfiança.
Reforço que as férias não significam parar de aprender, mas sim uma maneira diferente de aprendizagem. Quando bem vividas, elas preparam o estudante para retornar às aulas mais motivado e emocionalmente equilibrado, favorecendo um processo de aprendizagem mais saudável e significativo.
Segundo o Dr. Augusto Cury, médico psiquiatra, psicoterapeuta, professor e escritor, quando pais brincam com seus filhos, ensinam mais do que regras ou conteúdos: ensinam segurança emocional, vínculos afetivos e a arte de pensar antes de reagir. E defende que, brincar em família é um investimento em saúde emocional.
*Graduada em Pedagogia, pós-graduada em Psicopedagogia Institucional, pós-graduada em Neuropsicopedagogia Clínica e Institucional, professora da Escola Modelo de Iguatu

0 comentários