Festa dedicada a São João em Suassurana chega aos 115 anos

20/06/2025

Assim como de costume, a capela dedicada a São João Batista, padroeiro do Distrito de Suassurana, em Iguatu, nesse período fica mais bonita. A comunidade católica se alegra por vivenciar mais um novenário. São 115 anos que o santo foi escolhido padroeiro da localidade. Todas as noites acontece novena e quermesses. A programação conta com missa solene e tradicional procissão, na terça-feira, 24, encerrando as festividades.

A avenida São João Batista virou um arraial. A entrada representando uma casa de taipa de portas abertas recebe todas as noites após o novenário moradores, devotos, comunidades vizinhas e convidados. Muitas pessoas participam da festividade, considerada uma das mais antigas de Iguatu. “Tudo começou em 1910, a nossa comunidade já celebrava São João Batista, as famílias Bandeira, Cabral, Clares, e outras famílias da nossa comunidade começaram essa devoção a São João Batista. Era uma comunidade pequena, mas todos se organizavam para festejar os louvores de São João Batista. A gente foi nascendo e crescendo com essa devoção e muitos se engajando nas festividades do nosso padroeiro”, comentou a professora e voluntária da coordenação da capela de São João Batista, Iraci Pereira. “É uma festa que renova toda nossa fé, nossa esperança, todas as nossas expectativas de melhores dias para nós, nossas famílias, comunidade. É uma festa que a gente espera o ano inteiro para festejar esse momento maravilhoso que nos emociona a cada noite e que transforma muitas pessoas que passam a viver mais na igreja porque passam por uma transformação com essa experiência de ficar mais perto de Jesus Cristo e passam a vivenciar mais”, ressaltou a integrante da coordenação da capela.

Economia

A festa em Suassurana é movida por muitos voluntários e parceiros e ajuda a movimentar a economia local. “Além do fortalecimento da fé do nosso povo, o novenário ajuda a alavancar a economia. Tem o vendedor de pipoca, algodão doce, de balas, de água, aquele que passa a vender ‘salgado’, os bares recebem um fluxo maior de pessoas e a venda das comidas típicas da quermesse. Traz um favorecimento para nossa comunidade com as pessoas que vêm de fora. Quem tem lojinha de roupas, de calçados, quem tem salão de beleza, aquela profissional que faz as unhas, tudo isso acaba sendo favorecido nesse período”, destacou Irineudo Moreno, morador e integrante da capela de São de São João Batista.

A festa

São João Batista é um dos santos celebrados nesse mês. O novenário na comunidade teve início dia 14 e vai até 24, próxima terça-feira. Além das celebrações à noite, pela madrugada, acontecem caminhadas com a imagem do padroeiro. Um dos momentos marcantes dessa tradição é o acendimento da fogueira, dia 23, representando o anúncio do nascimento do santo, aquele também que mais tarde batizou Jesus Cristo. Muitos aproveitam o período para ‘pagar’ graças alcançadas, outros pedem a intercessão do santo. Na programação também comunidades convidadas, padrinhos e moradores e famílias que contribuíram e contribuem para as festividades são homenageados, entre eles o aposentado Valmir Moreno, 93, que participa ativamente todas as noites do novenário. Ele é um forte símbolo da religiosidade e devoção ao santo em Suassurana.

De acordo com relatos históricos do próprio Valmir Moreno, a imagem do padroeiro São João Batista chegou a Suassurana por intermédio do monsenhor José Coelho, que era vigário na época, período também da inauguração da estrada de ferro, que foi no dia 10 de junho de 1910.

A capela, com o passar do tempo, foi sendo modificada, aumentando para abrigar o crescente número de devotos, que se tornou nesta grande festa que chega aos 115 anos.

Por lá muitos moradores que começaram ainda na infância acompanhar os pais se tornaram devotos, o que continua ainda nesse tempo, o envolvimento de moradores e a juventude fazendo parte de serviços, pastorais, conselho, ministérios, e ações da igreja nas mais diversas tarefas.

O festejo de São João Batista traz nesse período muitos ‘filhos e filhas ausentes’ que retornam para rever os familiares, celebrar o padroeiro e brincar nos festejos juninos.

Trilogia Junina

Seguindo as matérias sobre os santos festejados em junho, os mais populares entre eles, é São João Batista, além de Antônio, celebrado dia 13, e Pedro no final do mês, 29.  São João é celebrado no dia 24 de junho, é uma figura importante no cristianismo, conhecido como o precursor de Jesus Cristo. Considerado o último profeta do Antigo Testamento e o primeiro mártir da Igreja católica, João Batista batizou Jesus no rio Jordão, marcando o início da missão de Cristo.

O historiador e músico Michel Prudêncio foi até o distrito de Suassurana, localidade banhada pelo açude Trussu (Dr. Carlos Roberto Costa), principal reservatório que abastece Iguatu, terra também que tem como padroeiro São João Batista. Ele destaca principalmente a mistura da fé e a cultura popular principalmente nordestina com suas tradições, entre essas as festas nos terreiros das casas com mesa farta, baseada em pratos feitos com milho, o acender da fogueira, as danças e musicalidade. “A festa de São João é a mais popular desse mês, mas tem vários fatores dentro dela. Aqui no Hemisfério Sul, estamos vivendo os solstícios de inverno, teoricamente é a chegada do inverno. As noites estão mais longas, mais frias, os dias mais curtos. O sol mais distante digamos, por esses fatos vários povos primitivos celebram esse momento por questão óbvia de aquecer, de reunir a comunidade”, explicou Prudêncio, adicionando ainda que “com o passar do tempo, com a chegada do cristianismo nas Américas, se dá essa festa aqui dessa maneira. Associada a um santo São João que biblicamente dentro da sua história essa questão que simbolizava o seu nascimento. A mãe dele acendeu uma fogueira para avisar que São João tinha nascido e fica presente dentro da tradição cristã e quando vem para o nordeste esse ato de acender fogueira, além de outros aspectos. Antes do cristianismo, o povo, o homem está celebrando a colheita do milho, aquele milho que foi plantado lá no dia de São José e agora está em celebração em forma de canjica, pamonha, de mungunzá, das diversas comidas derivadas do milho, que relembra também as antigas civilizações americanas, brasileiras que viviam a base do milho, nativos que tinha uma relação com esse período do ano. Não é algo particular da igreja católica, mas é dentro da religião que encontrou essa vazão, essa identidade. Além disso a gente vê a figura do Luiz Gonzaga que cantou, narrou o sertão, essas festas e ficou muito assimilado o uso da sanfona, do forró, para também se festejar nesse período aqui no Nordeste brasileiro”, disse.

Michel também explica São João no sincretismo religioso. “São João é Xangô, que é o Deus da Justiça, celebrado em religiões de matrizes africanas, no Candomblé. Gilberto Gil fez uma música a esse período, a São João e a Xangô, essa divindade que tem nesse período da festa. “São João, Xangô Menino” é a música”, complementou Michel Prudêncio.

Na próxima edição, a visita vai ser até ao bairro Vila Centenário, que tem o padroeiro São Pedro.

 

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