Rogério Gomes
Correspondente em Fortaleza
A Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos – Funceme divulgou nesta semana a previsão de chuvas para os próximos três meses no Ceará. E o prognóstico revela a possibilidade de 40% de chances de as precipitações ficarem dentro da média histórica, 40% abaixo da média e 20% acima da média. Segundo o órgão estadual, há uma tendência de a Região Centro-Sul apresentar condições mais secas em relação ao Centro-Norte no acumulado dos três meses.
A previsão da Funceme envolve o período de fevereiro a abril. Na referência analisada pela Funceme, acumulados abaixo de 512,5mm são classificados como abaixo da normalidade; entre 512,5mm e 705,9mm, como em torno da normalidade; e acima de 705,9mm, como acima da média.
De acordo com o presidente da Funceme, Eduardo Sávio Martins, “nas áreas que com tendência de acumulados menores, essa irregularidade ao longo do tempo pode resultar em mais períodos com baixa pluviometria dentro da estação chuvosa, os chamados veranicos. Existe expectativa de maiores acumulados, na região norte do estado e áreas de serra, aumenta a chance de ocorrerem chuvas muito intensas devido a topografia”.
A Funceme avalia que as chuvas da pré-estação, que ocorrem em dezembro do ano passado e janeiro deste ano, registram o terceiro pior resultado da série histórica de monitoramento da Funceme. Um acumulado médio de apenas 32,2 milímetros, o que contribui para um início de quadra chuvosa com indicativos menos favoráveis, especialmente para recarga hídrica e atividades dependentes da regularidade das precipitações.
Até o fim deste mês, a tendência apontada pela Funceme é de ocorrência de precipitações pontuais ao longo do estado, sem indicativo de eventos generalizados ou persistentes, mantendo o padrão de irregularidade observado nas últimas semanas. O mês de janeiro tem apenas 14,3mm de precipitação observada e deve ter acumulado abaixo da média histórica.
Para que o órgão estadual pudesse chegar às previsões climáticas dos próximos três meses de 2026, foram analisados os campos atmosféricos e oceânicos de grande escala, que incluem vento em superfície e em altitude, pressão ao nível do mar, temperatura da superfície do mar, entre outros, além dos resultados de modelos numéricos globais e regionais.
O presidente Eduardo Sávio ressalta que em relação a influência dos oceanos no prognóstico, o Oceano Pacífico permanece sob influência de resfriamento das águas, caracterizando uma La Niña, porém sem gerar benefícios significativos para o Ceará. “Isso ocorre devido à interferência do oceano Atlântico equatorial, que apresenta condições de normalidade (quanto à temperatura de superfície do mar), não favorecendo de forma direta para ação da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) para o estado como um todo”, destacou o presidente da Funceme.



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