Governador confirma instalação de porto seco em Iguatu, após anos de reivindicação local

12/07/2025

O governador do Ceará, Elmano de Freitas (PT) confirmou nesta quarta-feira, 10, em entrevista à rádio Verdinha, a implantação de um porto seco no município de Iguatu. A estrutura, que funcionará como centro de armazenamento e distribuição de cargas, representa um passo importante na integração logística da Região Centro-Sul do estado, historicamente fora do eixo principal de grandes investimentos do setor.

A confirmação marca o avanço de uma pauta antiga da classe política local, de empresários e entidades da região, que há anos articulam a inclusão de Iguatu no mapa logístico estadual. A expectativa é que o porto seco fortaleça a posição do município como ponto estratégico na movimentação de mercadorias, especialmente com a consolidação da Ferrovia Transnordestina, que terá em Iguatu seu primeiro ponto de operação, conforme já havia sido anunciado pelo presidente da TLSA, Tufi Daher Filho.

“Já temos investidor para um porto seco em Iguatu e temos a previsão de um porto seco em Missão Velha, então (são) muitas possibilidades de atração de empresas”, afirmou Elmano em entrevista.

Na última semana, Tufi reafirmou que o terminal intermodal de Iguatu — que está em construção na Fazenda Cedrinho — será o primeiro a operar na nova malha ferroviária. A previsão é de que a estrutura esteja em funcionamento, mesmo que de forma comissionada, até o fim de 2025. O terminal será voltado principalmente ao escoamento de grãos, como milho e soja, oriundos do Piauí, com destino ao mercado consumidor do Ceará.

Apesar do avanço, Iguatu ainda aparece em desvantagem em relação a Quixeramobim, que já teve a pedra fundamental de seu porto seco lançada e conta com grandes empresas em fase de negociação para operação no terminal, entre elas, o Mercado Livre, Shopee e Assaí Atacadista. O empreendimento em Quixeramobim está sendo conduzido pela Value Global Group e terá um investimento estimado em R$ 1 bilhão, com previsão de conclusão em 2026.

Já Iguatu, mesmo com atraso na formalização do porto seco alfandegado, desponta como pioneira na operação da ferrovia. A cidade também será a primeira a contar com uma estrutura intermodal ativa, ainda que privada. O terminal logístico, construído pelos empresários Eugério Queiroz e Renato Maia, promete movimentar até 200 mil toneladas de grãos por ano e deve servir de modelo para outras iniciativas ao longo da Transnordestina.

Além da localização estratégica entre regiões produtoras e polos consumidores, a inclusão de Iguatu nos planos estaduais de infraestrutura reafirma o papel da cidade como um futuro hub logístico regional. A promessa do porto seco e a proximidade da operação ferroviária prometem abrir espaço para novos negócios e fortalecem o potencial econômico da região, que há décadas reivindica mais protagonismo nos projetos de desenvolvimento do estado.

Entenda

Porto seco e terminal logístico são estruturas voltadas ao armazenamento e movimentação de cargas, mas com finalidades distintas. O porto seco é um recinto alfandegado, ou seja, tem autorização da Receita Federal para operar atividades de comércio exterior fora das áreas portuárias tradicionais. Nessas unidades, é possível realizar desembaraço aduaneiro, armazenagem de produtos importados ou a serem exportados, e outros serviços ligados diretamente à fiscalização e controle aduaneiro. Ele funciona como uma extensão do porto marítimo, geralmente em áreas do interior, facilitando o processo de importação e exportação sem necessidade de estar na zona costeira.

Já o terminal logístico é uma estrutura que integra diferentes modais de transporte — como rodoviário, ferroviário ou aéreo — com o objetivo de otimizar o escoamento e a distribuição de cargas dentro do território nacional. Embora também realize armazenagem e movimentação de mercadorias, o terminal logístico não possui, necessariamente, funções alfandegárias. Seu foco está na logística interna, no abastecimento de mercados regionais e na eficiência do transporte multimodal, conectando produção e consumo. Enquanto o porto seco lida com operações internacionais, o terminal logístico atua principalmente no mercado interno.

 

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