Com 41.5°C, Penaforte, na região do extremo sul cearense, registrou uma das maiores temperaturas este ano no Ceará se aproximando do recorde histórico que é de Jaguaribe que registrou 41,9°C, o nível térmico mais elevado até o momento, dado catalogado no 31 de outubro de 2023. Esta semana as altas temperaturas estão na sequência, 39.0°C Missão Velha, 38.9°C Viçosa do Ceará, 38.9°C Varjota e 38.8°C Iguatu, conforme dados divulgados pela Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos – FUNCEME.
De acordo com a FUNCEME, entre outubro e novembro Penaforte registrou extremos de temperatura neste ano, alcançando as maiores máximas de 2025 em todo o Estado. Os termômetros marcaram 41,3°C em 19 de outubro e 41,5°C em 5 de novembro, valores que entram para o ranking histórico das maiores temperaturas já observadas tanto pela FUNCEME quanto pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).
As novas marcas colocam Penaforte entre os municípios mais quentes do Ceará. Nos últimos anos, cidades do interior, especialmente Penaforte, Barro e Jaguaribe, têm se destacado por sucessivos picos de calor. De acordo com técnicos da FUNCEME, o fenômeno está associado às condições atmosféricas típicas do fim do período seco, quando há baixa umidade relativa do ar, céu com pouca nebulosidade, alta incidência de radiação solar e longos períodos sem chuva. “Esses fatores favorecem o aquecimento mais intenso da superfície e contribuem para registros de temperatura mais elevados”, explica o meteorologista Bruno Rodrigues.
Em 2025, o quadro foi agravado pela presença de uma massa de ar seco sobre o Nordeste e pela atuação de uma circulação de alta pressão atmosférica, que inibe a formação de nuvens e impede a ocorrência de precipitações. Outro fator observado foi a passagem de um sistema frontal entre o sudeste e o sul da região nordestina. “Antes da chegada desse tipo de sistema, é comum haver um aumento significativo das temperaturas, o que possivelmente colaborou para as máximas registradas em Penaforte”, detalha Rodrigues.
Esses episódios refletem uma tendência recente de intensificação do calor no interior cearense, reforçando a importância do monitoramento de tempo e de clima contínuos e de ações de adaptação aos eventos extremos.

Combater o aquecimento
Dauyzio Silva, biólogo e ativista ambiental, explica como poderiam as cidades combater o aquecimento: a arborização é fundamental. “A presença de árvores é a principal ferramenta que temos para combater esse aquecimento, justamente pela falta delas que estamos passando por isso. As cidades foram construídas baseadas na ideia que natureza era ultrapassado, o não civilizado, retrógado e concreto e asfalto é que era sinônimo de desenvolvimento, foi se tirando cada vez mais a natureza de dentro da cidade, e substituindo por asfalto, por isso tudo é tão quente. Asfalto absorve mais calor e piora ainda mais a situação. A saída é ter mais árvores”, ressaltou.
Dauyzio pontua sobre o plantio de árvores. “A Organização Mundial de Saúde aponta que o ideal seria pelo menos duas árvores por habitante para que as cidades fossem confortáveis do ponto de vista térmico, além do visual. Esse verde da natureza traz outros benefícios também”, disse.
Ele relembra que já apresentou um projeto de arborização para cidade à Câmara Municipal que dava benefícios na conta de água para população que tivesse árvore na frente de casa. “É um estímulo muito importante. É necessário fazer de alguma forma. A população vai estar envolvida diretamente, do jeito que a gente escreveu a proposta o projeto estimula o plantio de árvores frutíferas comestíveis e também de plantas nativas. O que também é muito bom para o ponto econômico para a população. Outra proposta também é a forma como é feita a poda na cidade, especialmente nesse tempo quente, estão deixando praticamente só o toco. A poda tem que ser feita de maneira eficiente, o que está se fazendo é crime ambiental. Outra coisa que tem se fazer é combater as queimadas. O que resta ainda de floresta no entorno da cidade, principalmente na zona rural, é queimado. Isso colabora muito para o aquecimento”, destaca.
Dauyzio ressalta que também apresentou a proposta para criação de uma Brigada Municipal de Combate a Incêndios, em 2022. “Essa proposta foi aprovada em 2023, mas até hoje não foi posta em prática”, disse afirmando ainda que incêndios trazem outros reflexos negativos entre esses a morte de animais, a perda do habitat natural, além do prejuízo econômico para os agricultores que perdem cercas, pastagens, animais e plantações.

Benefícios das árvores
“O que podemos fazer é estimular a população a plantar mais árvores, mudar o jeito de fazer a poda, fazer uma poda orientada para que as árvores virem árvores de verdade para que tenhamos árvores cada vez mais frondosas especialmente na época seca e combater incêndios. Isso ajudaria muito a diminuir a temperatura da cidade. Para se ter noção, a presença de uma única árvore pode mudar a temperatura máxima em até 8ºC. Se tiver uma massa de árvores, temos o efeito mais concentrado, mais eficiente. Imagine como ficaria ameno o clima dessa cidade. Além de as árvores trazerem outros benefícios, produção de frutos, despoluição do ar, da água, diminuição de poluição sonora e o embelezamento”, destacando.
Ele enfatiza o plantio de árvores ornamentais e frutíferas, mas destaca evitar o plantio de plantas invasoras. “É extremamente proibido plantar nim indiano, não pode. Tem regramento estadual e municipal sobre o plantio do nim. Outra planta também complicada a leucena e a algaroba, entre outras plantas. Exóticas invasoras são proibidas. De forma em geral, o ideal é plantar árvores. É a solução para o combate ao aquecimento global. Não resolve todos os problemas ambientais, mas ajuda a amenizar muito o problema da cidade”, complementou.



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