Iguatuense Claudener Teixeira entra para a Academia Brasileira de Ciências

27/12/2025

O anúncio do professor Claudener Teixeira como membro afiliado da Academia Brasileira de Ciências (ABC) tem um significado que ultrapassa os muros da universidade e ganha contornos especiais para Iguatu. Aos 39 anos, o pesquisador carrega na trajetória acadêmica a marca de uma história profundamente ligada à cidade onde nasceu, cresceu e deu os primeiros passos na educação pública.

Filho do bairro Santo Antônio, Claudener viveu a infância e a adolescência entre a Rua Alfredo Leopoldo e a Rua Alzira Bandeira, espaços que moldaram sua formação humana antes mesmo da acadêmica. Foi em Iguatu, na Escola Pacífico Guedes, que teve o primeiro contato com a educação formal, base que mais tarde o conduziria a uma das maiores honrarias da ciência brasileira. A conquista faz dele o primeiro pesquisador entre as instituições do interior do Ceará a integrar a Academia Brasileira de Ciências, instituição fundada em 1916 e referência nacional na promoção da pesquisa científica.

Atualmente professor do Centro de Ciências Agrárias e da Biodiversidade (CCAB) da Universidade Federal do Cariri (UFCA), Claudener destaca que a universidade foi decisiva para esse reconhecimento. Segundo ele, a UFCA ofereceu o ambiente institucional, a infraestrutura e o suporte necessários para transformar ideias em ciência de alto impacto, mostrando que é possível produzir conhecimento de excelência a partir do interior do estado. Para Iguatu, essa trajetória simboliza a força da educação pública como ferramenta de transformação social.

Ao falar sobre o trabalho desenvolvido no CCAB, Claudener ressalta que o impacto do centro vai além de projetos individuais. “O CCAB funciona como um verdadeiro ecossistema de pesquisa científica. A importância vai muito além do meu grupo. Convivemos com pesquisadores de excelência nas áreas agrárias, biológicas e veterinárias, o que fortalece a ciência produzida no interior”, afirmou.

Ele acrescenta que a presença de pesquisadores do interior em espaços de prestígio ajuda a romper barreiras históricas. “Mostramos que é possível sair de uma graduação no Cariri, fazer pesquisa de ponta aqui e ser reconhecido pelos maiores cientistas do país”.

Claudener também reforça o simbolismo da conquista para Iguatu. “Ter um representante da cidade na ABC é a prova viva de que a ciência de qualidade não tem CEP. Espero que cada estudante da nossa amada Iguatu veja nessa conquista um combustível para seus próprios sonhos, entendendo que a educação é a ponte mais segura entre a nossa origem e onde desejamos chegar”, pontuou.

Educação pública

A trajetória acadêmica, construída integralmente na educação pública, é outro ponto que o pesquisador faz questão de destacar. “Minha base é totalmente de escola pública. Comecei em Iguatu, na Escola Pacífico Guedes, e foi esse início que abriu todos os caminhos que percorri depois”, relembra. Sobre os desafios, ele aponta as desigualdades regionais como um obstáculo constante. “Fazer ciência no interior do Nordeste exige persistência. Muitas vezes os recursos chegam primeiro aos grandes centros, mas isso não diminui a nossa capacidade intelectual”.

Claudener enfatiza a importância da ciência produzida fora dos grandes centros urbanos. “Ela é estratégica para o país, porque garante que os desafios locais sejam resolvidos por quem vive a realidade do território”, afirma. Para ele, levar o nome de Iguatu à Academia Brasileira de Ciências é mais do que uma conquista pessoal. “É mostrar que o interior deixou de ser apenas exportador de talentos e passou a ser um polo gerador de conhecimento, inovação e inteligência para o Brasil”, ressaltou.

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