
Moradores do loteamento Ramiro Rolim procuraram o jornal A Praça para denunciar poluição sonora e fumaça tóxica produzida por indústria. De acordo com a denúncia, o problema já se arrasta há mais de dez anos sem que alguma providência tenha sido tomada. O loteamento Ramiro Rolim onde a indústria está instalada fica na margem esquerda da CE-060, Rodovia Humberto Teixeira, sentido Iguatu-Acopiara.
Conforme os reclamantes, o funcionamento da fábrica está afetando a vida das famílias por causa do barulho e da fumaça preta que exala da queima de materiais recicláveis da unidade fabril que trabalha com material reciclável fazendo o desmanche de peças de alumínio para fabricar utensílios domésticos.
Os moradores alegam que já formularam queixa na Secretaria de Meio Ambiente, Ministério Público e agora também na SEMACE – Secretaria de Meio Ambiente do Ceará. As reclamações pelo barulho e a fumaça começaram ainda no ano de 2016. Naquela época uma representação das famílias formulou denúncia na Promotoria de Justiça do Ministério Público. No conteúdo da denúncia, os moradores relatam que há um barulho muito forte no local, um forte cheiro, e que ali são ‘desmanchadas’ peças de alumínio.
Há dois anos, em março de 2024, uma nova denúncia foi registrada na Promotoria de Justiça. Na ocasião os moradores pediram fiscalização e medidas concretas, pois os problemas aumentaram em uma década desde a primeira denúncia em 2016. Segundo o relato dos moradores, na denúncia ao MP, eles procuraram a Secretaria de Meio Ambiente, mas foram orientados a procurar o Ministério Público para formular a queixa. Nos depoimentos os moradores denunciaram que o barulho é tão forte que faz tremular os móveis dentro das casas, por causa do funcionamento das máquinas. Os moradores denunciaram que o funcionamento da fábrica é de 24 horas e isso, segundo eles, afeta as famílias residentes na área, principalmente, crianças e idosos.
Uma das artérias mencionada na denúncia é a Rua B, mas que outras ruas ‘A’, ‘C’, ‘D’, cujos denunciantes assinaram abaixo-assinado também são afetadas.
Secretaria de Meio Ambiente
A reportagem procurou a Secretaria de Meio Ambiente para falar sobre as denúncias. O secretário titular da pasta, Joefferson Abrão Pereira Silva, informou ao jornal que a secretaria tem sido atuante em averiguar as denúncias relacionadas com todo tipo de desrespeito à legislação ambiental. Em relação às denúncias contra a empresa, o secretário informou que em todas as situações em que o órgão recebeu denúncia houve averiguação, notificação e fiscalização, não tendo ocorrido omissão em nenhuma ocasião. Ainda segundo Joefferson Abrão, quando fiscalizada e notificada a empresa apresentou laudos técnicos dentro dos parâmetros exigidos.
Versão da empresa
A empresa Corbã, alvo das reclamações, se posicionou através de nota enviada ao jornal.
“Nossa intenção jamais foi ou será criar transtorno a nossa população, visto que a nossa empresa é genuinamente iguatuense e que prezamos pelo meio ambiente, (nossa principal matéria-prima é 100% de alumínio já utilizado), “reciclado 100%”. Tomamos todas as providências todas as vezes em que fomos convocados a promover melhorias e temos todas as licenças exigidas pelas autoridades, ainda assim, estamos sempre dispostos a melhorar e atender as exigências. Sabemos que não é confortável morar próximo de indústria, mas infelizmente a nossa cidade ainda não dispõe de um Distrito Industrial destinado apenas para empresas, o que seria ideal para resolver questões como essa e para que empresas de outros municípios ou estados pudessem se instalar sem incomodar a população.
Não obstante a tudo isso, fizemos investimentos de última geração importados da China, exclusivamente para melhorar ainda mais em relação ao meio ambiente e para facilitar a boa vizinhança. Esse equipamento já está totalmente instalado, e em fase de teste. Todo investimento foi feito para retirar toda impureza que vem junto com o alumínio a ser reciclado e só depois será levado ao forno de alta temperatura para derretimento, sendo assim o alumínio será limpo e não emitirá gases, que normalmente vem nas sucatas de alumínio. Nossa Licença ambiental de nº 002/2026, tem validade até 15 de janeiro de 2027. Estamos cumprindo todas as leis ambientais, mas reiteramos que não fatigamos em buscar melhorias para o bem de todos”.



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