Marcelo Gomes de Souza Neto*
De acordo com a cientista Temple Grandin: “o mundo precisa de todos os tipos de mente”. Porém, diante do panorama brasileiro vigente é possível enxergar a distância desses ideais, já que pessoas neurodivergentes – como aquelas com TEA, TDAH e dislexia – ainda sofrem com preconceito na sociedade atual. Nesse cenário, a persistência da problemática decorre, principalmente, da insuficiência de políticas públicas inclusivas e das crenças limitantes da população brasileira.
Nesse contexto, é nítido que a falha na implementação de políticas públicas compõe a base da mazela em que tal questão está fundamentada. Segundo o educador Paulo Freire: “ensinar não é transferir conhecimento, mas criar possibilidades de sua própria produção e construção”. Nesse sentido, compreende-se a necessidade de uma educação verdadeiramente inclusiva que reconheça as particularidades dos alunos. Entretanto, a ausência de estrutura e corpo docente capacitado impedem o real desenvolvimento desse grupo, colocando-o em uma posição de desigualdade.
Além disso, é possível compreender que os estigmas alimentados pelo corpo social fomentam a perpetuação desse ciclo cruel de invisibilidade. Sob a ótica de Erving Goffman, o estigma social contribui para a desvalorização de indivíduos que não se enquadram nos padrões considerados aceitáveis pela sociedade. Dessa maneira, é palpável que o preconceito compromete todos os aspectos da vida daquele indivíduo. Consequentemente, generalizações massivas sobre suas capacidades dificultam seu desenvolvimento social, econômico e profissional.
Por fim, destaca-se a grande necessidade do Ministério da Educação, em parceria com as instituições de ensino, promover educação inclusiva e combater a base de desinformação acerca da população neurodivergente. Isso deve ocorrer com o fortalecimento de estrutura adequada e corpo docente qualificado que garantam um sistema de ensino sólido, inclusivo e coeso. A medida terá como finalidade dissolver a desigualdade acadêmica e o preconceito firmado. Assim, será possível reduzir a vulnerabilidade desse grupo e formar uma sociedade mais igualitária.
* Marcelo Gomes de Souza Neto, filho de Marcela Bezerra Gomes. Estuda na Escola Modelo de Iguatu desde a Educação Infantil, aluno da 1ª série do Ensino Médio. É bastante interessado pela Sociologia e causas sociais.

0 comentários