Daqui a pouco mais de um mês, mais um ilustre iguatuense completará 100 anos. Sebastião Dias de Oliveira ‘Teté Dias’ será congratulado em 20 de agosto próximo. Ele nasceu em 1925 na localidade de Mirassul.
Filho de família rurícola que tudo que consumia era produzido às custas de muito trabalho braçal, embaixo de um sol causticante, Teté Dias aprendeu ainda muito cedo que só com o trabalho seria possível construir uma vida melhor.
A trajetória dele inclui a lida na roça para ajudar aos pais e um pouco mais tarde começou a desbravar outros itinerários quando trabalhou na construção da estrada que liga Jucás a Iguatu, lá pelos idos de 1950. Era um tempo sem tecnologia, não tinha máquinas nem veículos e todo o trabalho era braçal, desde o desmatamento, escavação e a terra excedente que era retirada em lombo de animais.
Quando foi flechado pelo cupido do primeiro e único amor da vida, Teté já era homem feito. Francisca Silva de Oliveira ‘Dona Neném’, que partiu em 2024, aos 96 anos, foi a companheira da vida toda. Morava na localidade de Gaspar, hoje pertencente ao município de Quixelô, na época, zona rural de Iguatu. Apaixonado, foi para lá que Sebastião Dias fez inúmeras viagens nos tempos de namoro, até o casamento. Da união nasceram os filhos Marluce Dias, José Wilton Dias ‘Pivete’, falecido em 2019, Luiz Dias, Vera Dias, Francisco Dias (falecido em 1980), Manoel Neto e Marcos Aurélio Dias.
Magnata do ‘ouro branco’
A vida socioeconômica de Teté Dias começou a mudar a partir da década de 1960, quando resolveu deixar para trás a localidade de Gaspar para morar com a família em Iguatu.
Com vocação para o comércio, iniciou na atividade de ‘comprador de gado’. Comprava e vendia os animais para o abate e conseguiu obter algum lucro. Manteve-se trabalhando no comércio até meados dos anos 70 quando descobriu a ‘menina dos olhos’ da agricultura, a produção de algodão.
Dono de propriedade na localidade de Barra, Teté Dias alcançou o auge, considerado o magnata do ‘ouro branco’. Ele contratava mão de obra de trabalhadores oriundos de vários municípios da região para a época da colheita. O filho Manoel Neto lembra com saudosismo os dias de sábado no escritório da Rua Cel. Mendonça, onde os trabalhadores se aglomeravam para receber o pagamento da semana. O dinheiro circulava todo no comércio, as lojas vendiam, o comércio crescia, a cidade desenvolvia. Como empresário, Teté Dias não contratava apenas mão de obra, ele financiava outros agentes algodoeiros com sementes, defensivos agrícolas, máquina e até dinheiro, já que comprava as produções de algodão de terceiros, além de produzir em larga escala. Os filhos Pivete, Luiz Dias e Neto eram importantes aliados na gestão dos negócios. Eram eles que auxiliavam no cultivo da terra para o plantio, contratação de trabalhadores, compra de materiais e insumos, transporte e até uso de maquinário agrícola para agilizar a produção.

O fim do ciclo virtuoso do algodão ocorreu no ano de 1987, quando todos os agentes envolvidos foram afetados pela praga do ‘bicudo’, nome popular do besouro Anthonomus grandis da família dos curculionídeos, originário da América Central, de coloração cinzenta ou castanha e mandíbulas afiadas, utilizadas para perfurar o botão floral e a maçã dos algodoeiros dizimando milhares e milhares de hectares de plantio da cultura. Um capítulo triste da história registrado às custas de prejuízos econômicos irrecuperáveis e a debandada do setor.
Depois da crise do setor algodoeiro, o empresário ainda militou com outras atividades até a aposentadoria, ficando o legado do comércio herdado pelos filhos, a maioria de comerciantes dos segmentos de farmácia, papelaria e pecuária. Manoel Dias Neto é o filho que administra a propriedade da localidade de Barra, herança partilhada em vida por Teté.
Patrimônio
Em quase um século vida, Teté Dias reinou em absoluto. Foi ele quem escolheu no que iria trabalhar, com quem casar, de que modo viver e quando parar. Aos 99 anos Teté Dias vive somente em casa, sob os cuidados da senhora Cosma, que acompanha a família há 46 anos e da cuidadora Luzia. Cosma fica durante o dia e Luzia passa a noite. Tudo sob o olhar atento do filho Manoel Neto.
Sebastião Dias sempre protagonizou boas histórias e anedotas com sua fama de bom galanteador, mas para a família sempre foi um pai zeloso, atencioso e protetor, considerando sua prole como seu maior legado. Uma família de homens e mulheres de bem que sempre serviram a sociedade com trabalho e serviços, os mais diversos.
Talvez por suas astúcias e perspicazes de homem preventivo com a saúde, Teté Dias sempre se cuidou. Até parece que ele queria mesmo a longevidade por amar a vida e o modo como sempre traçou sua trajetória. Muito cauteloso ao consumo de alimentos ricos em sódio, açúcar e gordura, zero tabaco e álcool, Teté Dias esbanja saúde às vésperas de completar seu século de vida. Não tem doenças crônicas, não sofre de Alzheimer, nem Parkinson. Ainda mantém bem preservadas os sentidos da visão e audição, dorme bem e vive cercado de carinho da família e dos amigos. Um patrimônio vivo da história socioeconômica e cultural de Iguatu.




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