Oncologia começa a funcionar em Iguatu em meio a disputa política pela escolha do hospital

15/08/2026

O início dos atendimentos oncológicos em Iguatu, na terça-feira (11), marca uma nova etapa para pacientes do Centro-Sul e do Vale do Salgado. O serviço começou a funcionar no Hospital e Maternidade Dr. Agenor Araújo (HMAA), em parceria com o Governo do Ceará e o Hospital São Vicente de Paulo, de Barbalha. Integrado ao SUS, o setor inicia as atividades com previsão de atender 100 pacientes e alcançar uma população estimada em 350 mil pessoas.

O início do serviço representa, na prática, uma mudança para pacientes que dependem do SUS e que passam a ter atendimento oncológico mais próximo de casa. A implantação do serviço reduz a necessidade de pacientes da região percorrerem longas distâncias até Fortaleza ou o Cariri para consultas e tratamentos contra o câncer.

A estrutura inicialmente oferece atendimento oncológico e quimioterapia, com a proposta de ampliar o acesso ao tratamento especializado no interior.

Acirramento

Apesar da importância do novo serviço para a saúde regional, a escolha do Hospital e Maternidade Agenor Araújo (HMAA) abriu uma nova frente de disputa política em Iguatu.

Em um vídeo em suas redes sociais, o prefeito Roberto Filho (PSDB) comemorou o início dos atendimentos, mas questionou publicamente a decisão do Governo do Estado de utilizar a unidade filantrópica para receber o serviço. O prefeito defendeu que a estrutura pública já existente na cidade, especialmente o Hospital Regional, também poderia ser utilizada para ampliar a oferta de atendimento oncológico.

Em contraponto às críticas, o deputado Agenor defende que a implantação do serviço deve ser vista como uma conquista da população e não como uma disputa entre grupos políticos. A defesa é de que o atendimento é gratuito, realizado pelo SUS e faz parte da política de interiorização da assistência oncológica adotada pelo Estado.

A crítica ganhou dimensão política porque o Hospital e Maternidade Agenor Araújo é ligado à família do deputado estadual Agenor Neto (MDB), que integra o grupo político alinhado ao governo estadual.

O episódio ocorre em um cenário de forte polarização política em Iguatu e no período de pré-campanha eleitoral, colocando de um lado o grupo governista e, de outro, o prefeito Roberto Filho, que atualmente se posiciona na oposição ao Governo do Estado.

Nas redes sociais, apoiadores dos dois grupos políticos trocaram críticas e argumentos sobre a escolha da unidade. Enquanto a discussão política se intensificou.

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