Operação do açude Trussu registra saldo positivo e alerta para recuperação do rio

22/11/2025

A Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh) e a Comissão Gestora do açude Trussu se reuniram nesta semana, em Iguatu, para avaliar o andamento da Operação 2025.2, responsável pela perenização do rio Trussu e pelo abastecimento da região. O reservatório concentra hoje 87% da capacidade total. A operação, que segue até 31 de janeiro de 2026, vem apresentando resultados acima do esperado, segundo o coordenador do Núcleo de Operações da Cogerh, Cássio Sales.

Sales destacou que o reservatório acumula, até o momento, saldo positivo de aproximadamente 14 milhões de metros cúbicos, o que representa 65 centímetros a mais de coluna d’água* em relação ao previsto para a data. “A gente vê uma operação bastante positiva. Hoje podemos garantir que o volume atual do açude Trussu atende a cidade de Iguatu, principalmente para abastecimento humano, pelos próximos dois ou três anos, mesmo sem aporte de chuvas”, afirmou.

A alocação negociada para o período estabeleceu uma vazão contínua de 300 l/s, assegurando a perenização do rio Trussu de julho de 2025 a janeiro de 2026. O trecho atendido possui aproximadamente 35km, beneficiando comunidades ribeirinhas, agricultores e o meio ambiente local.

Sobre as expectativas para o próximo inverno, Cássio Sales explicou que a definição climática ainda depende do prognóstico da Funceme. “O prognóstico sempre sai em janeiro. Ainda não temos essa certeza de como será o próximo ano, então precisamos esperar mais um pouco”, afirmou.

APP do Rio Trussu

A Cogerh e a Comissão Gestora pretendem avançar nas ações de conscientização e mobilização comunitária para recuperar a vegetação ciliar. Segundo Sales, fortalecer as Áreas de Preservação Permanente do Rio Trussu é garantir a sustentabilidade hídrica e ambiental para as próximas gerações. “A recuperação dessas áreas é fundamental para garantir um futuro mais equilibrado ambientalmente. Estamos trabalhando para isso”, concluiu.

De acordo com Sales, a situação atual é crítica: o déficit de APP chega a 90%. “É uma região onde praticamente não existe APP em condições ideais. Surgiu a proposta de fazer um levantamento detalhado desse trecho para identificar o déficit e conscientizar os moradores sobre a importância de replantar a mata ciliar”, explicou.

O coordenador ressaltou que fatores culturais e práticas rurais inadequadas contribuem para o problema. “Muitos produtores precisam de mais espaço para plantações e criação de animais e acabam deixando de lado áreas essenciais para a manutenção dos recursos naturais. Isso favorece o desmatamento, o assoreamento dos rios e, futuramente, compromete a passagem da água”, alertou.

 

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