Os desafios dos portadores de epilepsia para levar uma vida normal

20/12/2025

Nesta edição do A Praça vem à tona a discussão de uma anomalia neurológica que atinge milhares de pessoas no Brasil e no mundo, causada por fatores diversos: lesões cerebrais, meningite, complicações no parto ou causa genética. É a 4ª doença neurológica mais comum no mundo: epilepsia.

A pauta “os desafios de quem sofre de epilepsia para levar uma vida normal” é uma sugestão do leitor, por causa da suspeita de duas mortes ocorridas em Iguatu de pessoas que eram epiléticas e foram expostas a situações de perigo como acesso a local de banhistas sem os devidos cuidados preventivos e de segurança, e um acidente de trânsito. Nas duas ocorrências, as vítimas sofreram crises convulsivas em ambientes de risco como piscina e trafegar conduzindo veículo automotor.

 

Curto-circuito

Durante uma convulsão epiléptica, ocorre um curto-circuito no cérebro, quando os neurônios disparam sinais de forma expressiva e descoordenada como uma tempestade elétrica. Se não for socorrido e receber os cuidados necessários, o paciente pode sofrer danos irreversíveis, lesões no corpo ou na cabeça e até morrer.

O cérebro é composto por bilhões de neurônios que normalmente se comunicam através de impulsos elétricos e neurotransmissores de forma organizada.

Em uma crise, há uma interrupção do equilíbrio entre a excitação (sinais para disparar) e a inibição (sinais para acalmar). As células cerebrais afetadas disparam sinais de forma descontrolada para as áreas circundantes.

Essa atividade elétrica hiperexcitada sobrecarrega as regiões cerebrais envolvidas, impedindo o funcionamento normal dessas áreas.

Dependendo da área do cérebro afetada e da intensidade da descarga, os sintomas podem variar. Eles podem incluir perda de consciência, movimentos musculares desordenados (tremores, rigidez), salivação intensa ou até mesmo alterações sensoriais como cheiros estranhos ou sensações no corpo, pois o cérebro é responsável por controlar todas as funções corporais e a consciência.

Orientações

O médico Caio Figueiredo Matias, especialista em Neurologia pela Faculdade IPEMED de São Paulo, foi ouvido pela reportagem e fez considerações relevantes na relação, paciente – tratamento – prevenção. Indagado sobre que cuidados família e paciente devem ter com quem é diagnosticado com epilepsia para evitar acidentes, Dr. Caio Matias frisou que sempre orienta pacientes e familiares a tomarem os devidos cuidados ao acessarem locais com água: praia, piscina, rios, açudes e outros. Evitar estar em alturas, encostado em varandas, subir em árvores e evitar também dirigir ou pilotar motocicleta. “Em qualquer uma dessas situações, uma crise convulsiva pode ser fatal”, lembrou.

Ainda de acordo com o neurologista, é indispensável ao paciente seguir corretamente as recomendações do médico com a prescrição médica respeitando rigorosamente os horários e não deixando de administrar a medicação. De acordo com Dr. Caio, o paciente deve cumprir seus deveres e responsabilidades com seu tratamento, seguir os horários e a rotina de ingestão das medicações, rigorosamente, conforme a orientação médica. “Se o paciente deixa de usar a medicação de forma abrupta, o seu cérebro pode “perceber” e reagir de forma a apresentar sintomas de abstinência”, ressaltou.

Indagado se um paciente epilético vai conviver com as limitações a vida toda, tomando os cuidados preventivos para evitar incidentes graves quando em situações de crises convulsivas, o médico Caio Figueiredo enfatizou que “não necessariamente o paciente vai apresentar crises convulsivas a vida toda. Dependendo da causa da epilepsia, ele pode até não tomar medicações por tanto tempo”, encerrou.

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