Emanuel Jorge Teixeira Alencar*
No século XXI, tem-se observado, por toda parte do país, um aumento do fluxo de pessoas para o ambiente virtual. Essa conjuntura remete à trama do filme Tempos Modernos, de Charlie Chaplin, o qual apresenta a inserção de máquinas nas fábricas, ocasionando dificuldades na adaptação dos operários às novas tecnologias. Sob essa ótica, a vulnerabilidade econômica na era digital está relacionada a dois problemas: a fragilidade da proteção nas relações de consumo e a falta de letramento digital para a empregabilidade.
Sob esse viés, é importante observar como a fragilidade da proteção nas relações de consumo aumenta a problemática. Nesse sentido, a obra Sociedade do Cansaço, do filósofo Byung-Chul Han, retrata uma sociedade hiperprodutiva, marcada também pela intensificação do consumo de bens e serviços. De forma análoga, os indivíduos são constantemente estimulados ao consumo de produtos e serviços na internet, o que pode torná-los vulneráveis à instabilidade financeira, sobretudo diante da facilidade de acesso às casas de apostas, conhecidas como “Bets”. Dessa forma, se não houver maior fiscalização das relações de consumo no ambiente virtual e das práticas de publicidade relacionadas às apostas, os cidadãos continuarão expostos a situações que podem comprometer sua estabilidade econômica.
Ademais, a escassez do letramento digital é outro fator que dificulta a mitigação do óbice. Nesse contexto, de acordo com o sociólogo Milton Santos, em sua obra Cidadania Mutilada, há desigualdades no acesso e no exercício da cidadania, de modo que muitas pessoas não possuem as mesmas oportunidades que outras. De tal maneira, no contexto digital, cidadãos que não dominam ferramentas tecnológicas podem encontrar maiores dificuldades para obter emprego e acompanhar as exigências do mercado de trabalho. Assim, o brasileiro precisa de condições favoráveis para garantir sua empregabilidade, como o letramento digital. Dessa maneira, é preciso que seja garantido o ensino tecnológico tanto às pessoas de baixa renda quanto àquelas que não possuem conhecimento sobre essa educação virtual.
Portanto, medidas são necessárias para combater a vulnerabilidade econômica na era digital. Logo, cabe ao Ministério da Educação promover o letramento digital nas instituições de ensino e nos ambientes de trabalho, por meio de palestras e cursos voltados para essa finalidade, a fim de garantir conhecimento tecnológico e ampliar as possibilidades de empregabilidade. Além disso, cabe aos órgãos responsáveis pela proteção do consumidor ampliar a fiscalização das plataformas digitais e das publicidades relacionadas às “Bets”, por meio da divulgação de informações sobre os riscos envolvidos nessas práticas, com a finalidade de diminuir a vulnerabilidade econômica. Somente assim, a sociedade poderá estar mais protegida quanto às instabilidades financeiras e possuir maior autonomia na era digital.
* Emanuel Jorge Teixeira Alencar é filho de Tânia Maria Teixeira Alencar, estudante do 3º ano “B” da Escola Modelo de Iguatu

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