Em entrevista concedida na última quarta-feira, 18, à rádio Mais FM, o prefeito de Iguatu, Roberto Costa Filho (PSDB), fez um balanço dos seis primeiros meses de sua gestão e abordou temas delicados como exoneração em massa, tensões políticas na Câmara, possibilidade de concurso público, empréstimos internacionais, o futuro do lixão da cidade e a relação com o ex-prefeito Ednaldo Lavor.
O tom da entrevista foi de enfrentamento do gestor em meio a um cenário político local ainda marcado por disputas judiciais do período de campanha e ameaça de uma possível instabilidade política. Com metade do primeiro ano de gestão concluído, Roberto Filho aposta na reestruturação administrativa e na execução de grandes obras como trunfos para consolidar sua liderança e avançar em promessas de campanha.
“Dou nota 8,5 à gestão até aqui”, avaliou o prefeito, ao ser questionado sobre seu próprio desempenho no primeiro semestre de mandato. Segundo ele, os avanços em obras, equilíbrio fiscal e a reestruturação da máquina pública justificam a nota. “Sei que temos muito o que avançar, mas os indicadores mostram que estamos no caminho certo”, afirmou.
Roberto Filho justificou os recentes cortes na administração municipal, que geraram repercussão entre servidores e parlamentares. Segundo ele, a medida foi tomada por meio de decreto, com base em um estudo técnico de reforma administrativa. O objetivo, conforme explicou, é a redução de cargos e secretarias, com foco na eficiência e adequação ao orçamento. “Tivemos que agir com responsabilidade. Nem todos os desligados retornarão. Alguns voltarão, sim, conforme a nova estrutura permitir, outros não. Essa reorganização é necessária para que possamos governar com equilíbrio”, pontuou.
O prefeito também falou sobre a expectativa de novos concursos públicos no município. Segundo ele, a validade do último concurso foi prorrogada e a prioridade será o chamamento de aprovados. “Pedi à Procuradoria um levantamento completo. Não descarto um novo concurso, mas antes precisamos respeitar quem já está na lista de espera”, explicou.
Diante da instabilidade política e das ações judiciais que contestam o processo eleitoral, Roberto Filho se mostrou confiante. “Já disseram várias vezes que eu ia sair do cargo. Continuo aqui, trabalhando. Sou advogado e conheço a lei. Tenho convicção de que concluirei meu mandato com responsabilidade e legitimidade”, disse. Para ele, a judicialização do pleito é fruto da atuação da oposição, que tenta desestabilizar sua gestão.

Relação com vereadores
Roberto Filho também comentou sobre o recente episódio em que três vereadores da base votaram contra uma mensagem do Executivo sobre a ampliação da margem dos consignados. O prefeito reconheceu que há divergências dentro da base, mas cobrou mais compromisso da oposição com o debate público. “Não adianta só criticar. Façam propostas. Estou aberto a sugestões”, declarou.
O prefeito confirmou a continuidade do empréstimo com a Corporação Andina de Fomento (CAF). Ele afirmou que R$ 65 milhões já foram contraídos. O gestor garantiu que os recursos já contratados serão destinados à conclusão de obras iniciadas e admitiu que pode buscar novas parcelas, desde que haja viabilidade financeira. “Só ampliaremos o financiamento se houver condições claras de pagamento. Não queremos comprometer o futuro do município”, afirmou.
Lixão
Um dos compromissos firmados durante a entrevista foi a desativação definitiva do lixão de Iguatu até o fim de seu mandato. Roberto Filho garantiu que acompanha de perto as ações do Consórcio Regional de Resíduos Sólidos do Alto Jaguaribe (CORRAJ) e que algumas licenças para o novo aterro sanitário já foram concedidas. “Sabemos do impacto ambiental e social do lixão. Vamos encerrar esse ciclo e dar um destino digno aos resíduos da nossa cidade”, afirmou.
Por fim, o prefeito negou qualquer articulação política ou participação do ex-prefeito Ednaldo Lavor em sua gestão. “Não existe acordo político. Tenho secretários técnicos e independentes. O que temos são amigos em comum. A gestão de hoje tem nossa identidade” disse.




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